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Aids - Avanços e desafios na busca pela cura

José Renato Salatiel*

Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Atualizado em 23/09/2013, às 11h05

No dia 1 de dezembro foi comemorado o Dia Mundial de Luta contra a Aids, pandemia que há mais de 30 anos atinge milhares de pessoas em todo o mundo. A meta da ONU é reduzir pela metade os contágios até 2015, mas a pobreza e a falta de recursos internacionais impõem obstáculos ao combate à doença.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

Nas últimas três décadas, a Aids mudou o comportamento sexual de uma geração, deu um novo “rosto” à luta pelos direitos de minorias e contribuiu para o avanço da medicina. Além disso, teve impacto econômico sobre o mundo.

No começo, o paciente recebia a notícia de que era portador do vírus HIV como se fosse uma “sentença de morte”. Ele também sofria discriminação e era socialmente excluído, em razão da escassez de informações e preconceitos envolvendo a moléstia.

A partir dos anos 1990, porém, a Aids se tornou uma doença tratável com medicamentos e mais aceita pela sociedade. Campanhas de prevenção também fizeram com que o número de pessoas infectadas se estabilizasse ou diminuísse em boa parte do globo.

Aids (sigla em inglês para Síndrome de Imunodeficiência Adquirida) é o estágio final da doença causada pelo vírus HIV. Ela ataca o sistema imunológico, deixando a pessoa vulnerável a outras doenças infecciosas e cânceres. O vírus é transmitido através do contato sexual, sangue (transfusão ou uso compartilhado de seringas) e, da mãe para o filho, na gravidez ou durante a amamentação.

Hoje não existe uma cura para a Aids, mas há vários tipos de tratamentos que podem melhorar a qualidade de vida de pacientes que desenvolvem os sintomas. A terapia antirretroviral – melhor tratamento nos últimos 12 anos – fornece um coquetel de drogas que impede que o vírus se espalhe no corpo e ajuda o sistema imunológico a se recuperar da infecção.

Homossexualismo

Os primeiros casos foram descobertos em 5 de junho de 1981, em Atlanta, nos Estados Unidos. Na ocasião, médicos estudavam um tipo raro de pneumonia que atacava pessoas com sistema imunológico enfraquecido.

O que chamou a atenção era que a doença afetava homens gays. Por isso, nos anos 1980, a Aids era chamada, pejorativamente, de “câncer gay”, e os portadores da doença sofriam uma dupla segregação: por serem soropositivos e homossexuais.

Nas décadas seguintes, a Aids mudou os hábitos da geração que havia recém-conquistado a liberdade sexual. A doença também afetou a economia dos países, ao atingir a mão de obra jovem e onerar o sistema de Saúde e Previdenciário.

Em todo o planeta, a pandemia matou 30 milhões de pessoas. Outras 34 milhões são portadoras do vírus HIV, segundo o último relatório da ONU, referente ao ano de 2011.

Nesse ano, foram registradas 1,7 milhão de mortes atribuídas à doença, um número 24% menor do que há sete anos – 2,2 milhões em 2005. A tendência de queda da letalidade é explicada pelos investimentos em campanhas, diagnósticos e medicamentos mais eficazes.

África

A África Subsaariana é a região que mais possui portadores do vírus. Ela compreende alguns dos países mais pobres do mundo, onde a contaminação acontece principalmente por causa do sexo sem proteção.

Apesar de contar com pouco mais de 10% da população mundial, essa parte do continente africano possui quase dois terços dos portadores do vírus HIV: 23,5 milhões.

Porém, de acordo com a ONU, o número de pessoas contaminadas vem caindo. Na África, a estimativa de queda em dois anos (2009-2011) é de 15%, contra 13% no restante do planeta.

O relatório aponta ainda que oito milhões de pessoas receberam tratamento em 2011, um número que aumentou em 20% nos últimos dois anos (6,6 milhões em 2009).

Atualmente, os investimentos globais para o combate à doença são de US$ 16,8 bilhões (aumento de 11% em relação a 2010). Para 2015 serão necessários US$ 24 bilhões, segundo a ONU. O maior desafio para atender as metas estabelecidas é a recessão econômica que atinge a Europa e os Estados Unidos e reduz o fundo de ajuda humanitária.

Brasil

No Brasil, o último levantamento feito pelo Ministério da Saúde revela a estabilidade nos casos da doença. De 1980 a 2011 foram registrados 608.230 casos de Aids no país, sendo 56,4% deles na região Sudeste. Em 2010 foram notificados 34,2 mil, contra 35,9 mil no ano anterior. A taxa de contaminação passou de 18,8 para cada 100 mil habitantes, em 2009, para 17,9 em 2010.

O número de mortes chega a 217 mil, mas houve uma queda de 17%, de 7,6 para 6,3 para cada grupo de 100 mil pessoas desde o início do século.

O país passou por um período crítico de epidemia, após o primeiro registro, no começo dos anos 1980. Nas décadas seguintes, o governo iniciou um programa que se tornou referência mundial. Ele inclui o fornecimento gratuito de medicação antirretroviral, campanhas pelo uso de preservativos e programas sociais em parcerias com ONGs.

Apesar disso, a deficiência no sistema público de saúde é hoje um obstáculo à prevenção e tratamento da doença. Faltam medicamentos, leitos e médicos; há demora no atendimento e no diagnóstico. Assim, importantes avanços na área médica acabam não chegando àquele a quem eles mais interessam: o paciente.

Fique Ligado

Este artigo faz uma síntese atualizada até a data de sua publicação do problema da Aids no Brasil e no mundo. Sobre o tema é importante ter conhecimentos específicos da área de Biologia, envolvendo não somente a síndrome, mas também outras doenças sexualmente transmissíveis, as DSTs. Também é importante ter em vista a noção de pandemia e seus aspectos sociais.

 

Aids

DSTs

Pandemias

 

Direto ao ponto

Dia 1 de dezembro é comemorado o Dia Mundial de Luta contra a Aids, pandemia que mudou o comportamento sexual da sociedade nos últimos 30 anos. Avanços na área médica e campanhas preventivas reduziram a letalidade e os índices de contaminação nos últimos anos.

 

A pandemia matou 30 milhões de pessoas em todo o planeta. Outras 34 milhões são portadoras do vírus HIV, segundo a ONU. Em 2011ocorreram 1,7 milhão de mortes, um número 24% menor do que há sete anos. A África Subsaariana é a região que mais possui portadores do vírus, 23,5 milhões, quase dois terços do total no planeta.

 

No Brasil, o último levantamento feito pelo Ministério da Saúde revela a estabilidade nos casos da doença. A taxa de contaminação passou de 18,8 para cada 100 mil habitantes, em 2009, para 17,9 em 2010. O número de mortes teve uma queda de 7,6 para 6,3 para cada grupo de 100 mil pessoas desde o início do século.

 

O programa brasileiro de combate à doença tornou-se, nos anos 1990, referência mundial. Hoje, no entanto, deficiências no sistema de saúde pública prejudicam o diagnóstico e o tratamento.

 

José Renato Salatiel*

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