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Caminho para a paz: Coreias realizam acordo histórico

Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

  • Korea Summit Press Pool via AP

No dia 27 de abril, aconteceu um gesto que surpreendeu o mundo. O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, e o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, se encontraram na fronteira (na Zona Desmilitarizada) e se cumprimentaram com um simbólico aperto de mão.

Durante o encontro histórico, Kim Jong-un e Moon Jae-in discutiram a possibilidade de uma série de medidas e assinaram um documento chamado “Declaração de Panmunjom para a Paz, Prosperidade e Unificação da Península Coreana”, que trata da completa desnuclearização da península e a promessa de um tratado de paz para encerrar o conflito de 65 anos entre as duas Coreias.

Essa é primeira cúpula intercoreana em 11 anos e a terceira da história. Em 2000 e em 2007, os dois países emitiram declarações similares, mas a Coreia do Norte se afastou dos compromissos e acirrou a tensão militar com uma série de testes nucleares na península. 

Para a comunidade internacional, a cúpula Panmunjom é o primeiro passo de um longo processo para a completa paz entre os países. A estabilidade na península depende do desmantelamento dos arsenais, da desnuclearização de Pyongyang e de grandes concessões por parte do regime de Kim Jong-un. Existe ainda a possibilidade de cooperação econômica, com um plano de desenvolvimento com esforços comuns do Norte e do Sul.

Entenda os pontos-chave do acordo entre as duas Coreias.

• Fim da guerra e regime de paz

Os países declaram que não haverá mais guerra na península. A partir de maio de 2018, todos os atos de hostilidade devem cessar. Eles também concordam em buscar novos mecanismos para estabelecer um regime de paz permanente e sólido.

• Desarmamento

Coreia do Sul e Coreia do Norte concordaram com um desarmamento por etapas, à medida que as tensões militares forem diminuindo e com os avanços substanciais para estabelecer a confiança militar.

• Desnuclearização

As duas Coreias concordam em buscar ativamente o apoio e cooperação da comunidade internacional tendo como objetivo comum a total desnuclearização da península coreana.

• Diplomacia

Os dois líderes concordaram em realizar discussões regulares sobre questões vitais para as nações, a fim de fortalecer a confiança mútua para continuar avançando nas relações intercoreanas, para a paz, prosperidade e unificação da península coreana.

• Reuniões de famílias

Durante a Guerra da Coreia, diversas famílias foram separadas. O documento concorda em tentar solucionar as questões humanitárias resultantes da divisão da nação e organizar encontros de famílias separadas.

• Forças esportivas

As duas partes concordaram em participar em conjunto de eventos esportivos internacionais, como os Jogos Asiáticos de 2018.

Encontro entre Coreia do Norte e Estados Unidos

No dia seguinte à assinatura da Declaração de Panmunjom, Moon e o presidente norte-americano Donald Trump conversaram por telefone e discutiram os resultados do diálogo com Kim. A expectativa é de que Trump e Kim se encontrem no início de junho.

O próximo encontro é saudado pela imprensa como “surpreendente”. Isso porque nos últimos dois anos, aas tensões entre Coreia do Norte e EUA aumentaram, a ponto de gerar rumores sobre a possibilidade de um conflito armado na região. Ambos os países trocaram acusações e provocações – a Coreia do Norte realizou diversos testes de mísseis e os EUA fez manobras militares com a Coreia do Sul.

A recente abertura de diálogos com a Coreia do Norte é o resultado de uma pressão internacional sobre Pyongyang. Há anos o país é alvo de inúmeras sanções econômicas pelos países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU). As medidas endureceram ainda mais nos últimos meses.

Mas o fator decisivo para forçar a mão de Kim a ter uma abertura diplomática foi a atuação da China com sanções econômicas em 2018. Vizinho da Coreia do Norte, a China é o maior parceiro comercial do país - 90% de tudo o que a Coreia do Norte consome vem dos chineses.

O que foi a Guerra da Coreia?

Em 1910, a Coreia ainda era um único país e foi ocupada pelos japoneses, como parte da expansão imperialista do Japão. Em 1945, após o lançamento das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, os japoneses se rendem e termina a Segunda Guerra Mundial.

Os Estados Unidos e a União Soviética concordaram em dividir a rendição: os soviéticos receberiam as tropas nipônicas que estivessem na parte norte da Coreia, acima da latitude de 38 graus, enquanto os americanos cuidariam dos soldados do sul.

Esse episódio dividiu o país, dando origem às duas Coreias. A do Norte, ligada à União Soviética, se tornou comunista. A do Sul se tornou capitalista, sob a influência dos Estados Unidos.

Em 1950, tropas da Coreia do Norte invadem a Coreia do Sul, dando início a uma guerra civil.  Essa foi a primeira batalha militar a opor capitalistas e socialistas, deixando o mundo quase à beira de uma guerra nuclear. Após diversos conflitos, em 1953 foi assinado um cessar-fogo, mas o fim da guerra não foi oficializado até hoje, gerando uma contínua tensão militar.

Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

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