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Corrida espacial: 50 anos da chegada do homem à Lua -

O americano Buzz Aldrin foi um dos austronautas caminhou sobre a Lua - NASA
O americano Buzz Aldrin foi um dos austronautas caminhou sobre a Lua Imagem: NASA

Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

A Lua é o satélite natural da Terra e sempre fez parte do imaginário coletivo. Em 1965, o escritor francês Júlio Verne previu a ida do homem na obra literária "Da Terra à Lua", publicada em 1865. Ele imaginou que um projétil seria lançado da Flórida, nos Estados Unidos, local próximo à Linha do Equador.

Mais de 100 anos depois, um foguete seria realmente lançado da Flórida, rumo ao espaço, para levar a humanidade à Lua pela primeira vez. A nave Apollo 11 pesava 45 toneladas e era composta de um módulo de comando, serviço e lunar. Ela foi lançada no bico do maior foguete já construído, o Saturno 4.

Este ano, comemora-se os 50 anos da chegada do homem à Lua. O feito é considerado a maior audácia tecnológica da corrida espacial e um dos eventos mais espetaculares da história da humanidade.

A Apollo 11 trazia os astronautas norte-americanos Neil Armstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins. No dia 20 de julho de 1969, Armstrong e Aldrin deixaram a nave a bordo do módulo lunar Eagle e desceram ao Mar da Tranquilidade, planície localizada na superfície lunar, a 384 mil km de distância da Terra.

Neil Armstrong foi o primeiro a pisar na Lua. Ao tocar o solo, ele disse a célebre frase: "Um pequeno passo para um homem, um grande salto para a humanidade". Em duas horas de caminhada, os dois astronautas fixaram a bandeira norte-americana, tiraram fotos e coletaram rochas para a realização de pesquisas científicas.

A missão também levou mensagens de paz. Líderes de 74 nações gravaram recados em um disco que foi deixado na superfície do satélite natural. Ao partir, deixaram a seguinte mensagem em uma placa comemorativa: "Aqui, os homens do planeta Terra puseram os pés na Lua pela primeira vez, em julho de 1969. Viemos em paz, em nome de toda a humanidade".

A Apollo 11 retornou à Terra no dia 24 de julho a uma velocidade de 11.031 metros por segundo, tendo pousado no Oceano Pacífico. Os três astronautas ainda precisaram ficar de quarentena para evitar que trouxessem algum tipo de micróbios do espaço.

A histórica missão da Apolo 11 foi acompanhada ao vivo, pela televisão, via transmissão de satélite, uma inovação para a época. A NASA, a agência espacial norte-americana, calcula que quase 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo assistiram os primeiros passos dos astronautas. Foi a maior audiência televisiva da época e os astronautas viraram celebridades mundiais.

Muitos não acreditaram nas imagens que chegaram ao planeta Terra. Detalhes sobre a forma que a bandeira tremula ou que as sombras das fotos não são paralelas, alimentaram diversas teorias da conspiração que propagaram a mentira de que tudo tinha sido gravado em um estúdio de cinema. Até hoje, há quem diga que o homem nunca chegou à Lua.

A corrida espacial e a Guerra Fria

Após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), surge o período da Guerra Fria (1947 - 1991), marcado pela troca de ameaças e a corrida armamentista entre os Estados Unidos (capitalista) e a ex-União Soviética (socialista), as duas potências econômicas e militares da época.

O acirramento das disputas políticas e militares entre as superpotências levou à chamada corrida espacial, capítulo da Guerra Fria que revela uma das principais marcas da rivalidade entre EUA e URSS, ambos detentores de armas nucleares. Neste período, houve um investimento sem precedentes no desenvolvimento de tecnologias e pesquisas espaciais.

A disputa não teve conflito direto e não se estendeu aos campos de batalha. Isso porque a possiblidade de um confronto com armas tão poderosas já era o suficiente para que fosse evitado o confronto direto. Assim, a luta foi travada principalmente no campo do medo e das ameaças de ataque, havendo, em ambos os lados, mostras do poderio bélico.

Soviéticos e norte-americanos disputavam a hegemonia e o título de quem seria o pioneiro a lançar tecnologias para a exploração do espaço sideral. A competição provocou um aumento nos gastos com pesquisa, estimulando diversas áreas das ciências exatas como a física, a engenharia e a matemática. Além da finalidade científica, a corrida representava uma batalha ideológica. Era um meio de cada bloco fazer propaganda da superioridade tecnológica e influenciar e conquistar a admiração da opinião pública mundial.

A corrida espacial se inicia em 1957, quando a União Soviética lança o primeiro satélite artificial em órbita, o Sputnik. O satélite esférico de 84 quilogramas emitia um bip rastreável no mundo todo por operadores de rádio. Embora fosse uma conquista espacial, o feito mostrou ao mundo que os soviéticos eram capazes de lançar foguetes carregando mais de 80 quilos, o que foi interpretado como uma demonstração do poder de alcance de suas armas.

A criação do Sputnik aumentou o medo da população norte-americana de estar em desvantagem em um potencial conflito. Se A União Soviética conseguiu lançar um satélite no espaço, também seria capaz de disparar um míssil que cruzaria o globo até os Estados Unidos. Um mês depois do Sputnik, foi lançado ao espaço o primeiro ser vivo: a cachorra Laika. Dois anos depois, a primeira sonda a fotografar a Lua de perto foi a russa Luna 1. Entretanto os Estados Unidos logo alcançaram o adversário ao também enviar satélites à órbita.

Na década de 1960, o mundo vivenciou muitas mudanças nos campos da cultura, dos direitos civis e da política. Com o processo da Revolução Cubana, concluída em 1959, a tensão militar se intensificou entre os blocos.

Em 1961, os soviéticos colocam o primeiro homem no espaço. O cosmonauta Yuri Gagarin (1934-1968) completou o primeiro voo na órbita terrestre. O voo de 108 minutos foi a prova de que seria possível para seres humanos sobreviverem à gravidade zero. Na ocasião, ele disse a famosa frase: "A Terra é azul e eu não vi Deus".

Os soviéticos pareciam estar na frente da corrida e vendiam a ideia da superioridade tecnológica e bélica da União Soviética.

Em resposta, o presidente norte-americano John F. Kennedy fez um famoso discurso em 1961, no qual prometia a chegada do homem à Lua até o fim da década. "Nenhum projeto de espaço neste período será mais impressionante para a humanidade, ou mais importante para a exploração espacial no longo prazo. E nenhum será tão difícil ou caro de realizar".

Era o início do programa Apollo, que teria consumido do orçamento norte-americano cerca de 163 bilhões de dólares (em valores de 2008), um gasto exorbitante. O programa contou com a participação de 400 mil pessoas ao longo de sua execução.

O programa espacial norte-americano foi desenvolvido sob orientação do engenheiro alemão Werner von Braun (1912-1977). Braun era especializado na criação de mísseis mais avançados e foguetes de maior alcance. O projetista havia inventado os famosos foguetes V-2, a arma nazista que bombardeou Londres durante a Segunda Guerra Mundial.

Precursor dos foguetes modernos, o V-2 foi o primeiro míssil balístico de longo alcance do mundo. Era capaz de viajar acima da velocidade do som e levar 1 tonelada a centena de quilômetros de distância. Após o término da Segunda Guerra Mundial, os governos norte-americano e soviético tiveram acesso aos projetos técnicos do V-2, o primeiro artefato a entrar no espaço sideral.

No início de 1945, com a aproximação dos exércitos aliados, von Braun percebeu que a guerra estava perdida. A União Soviética queria tê-lo em sua equipe, mas ele decidiu se entregar aos norte-americanos com os documentos técnicos sobre os mísseis, que mais tarde seriam usados no treinamento dos primeiros astronautas.

Em 1966, a sonda lunar LUNA 9, da União Soviética, pousou na Lua. Ela fez o primeiro pouso suave num corpo celeste fora do nosso planeta e transmitiu informações fotográficas diretamente da superfície lunar para Terra.

Finalmente, em 1969, os Estados Unidos chegam na frente. A missão Apollo 11 simbolizou o fim da corrida. Em 1972, após a missão Apollo 17 realizar o último pouso lunar tripulado do século 20, os norte-americanos encerram o programa.

A União Soviética optou por não mandar cosmonautas à Lua. Mas suas naves ali estiveram até 1976, enquanto se desenvolvia o projeto das estações espaciais Salyut e, depois, MIR.

Em 1991, acontece o colapso da antiga URSS. Com o fim do bloco comunista, o contexto político da corrida espacial mudou e os dois países cortaram verbas para esse fim. Pesa ainda o fato de que os investimentos eram muito altos e havia uma crise econômica no final da década de 1980.

Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

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