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Coronavírus - Epidemia, OMS, transmissor: conceitos e termos para entender o novo coronavírus

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Imagem: Getty Images

Carolina Cunha

Colaboração para o UOL

Um novo vírus apavorou o mundo no início deste ano. Os primeiros casos apareceram em dezembro de 2019, na China, quando a cidade de Wuhan ficou em alerta com várias ocorrências de pneumonia. Rapidamente o vírus se espalhou. Ele infectou cerca de 28 mil pessoas e causou mais de 500 mortes na China até o fim de janeiro. Os pacientes apresentavam um quadro de pneumonia e sintomas de infecção como tosse, febre e dificuldade para respirar. Os casos foram registrados em mais de 20 países, na maioria das vezes, associados a viajantes oriundos da China.

O país asiático respondeu à crise com agilidade. Em poucos dias, os cientistas chineses identificaram o material genético do parasita e concluíram que se tratava de um novo vírus da família corona, chamado provisoriamente de 2019-nCoV. Os coronavírus são uma grande família viral e recebem esse nome por seus espinhos em forma de coroa quando vistos em um microscópio. Eles são considerados zoonóticos, ou seja, são transmitidos entre os animais e pessoas.

As análises dos cientistas revelaram que mais de 80% do material genético do novo vírus coincide com o do SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave) - um outro tipo de coronavírus descoberto na China, que causou um surto e contaminou 8,1 mil pessoas em 2003.

O vírus 2019-nCoV é transmitido de pessoa para pessoa por meio de secreções expulsas da boca e nariz durante a fala, tosse ou espirro. Diante de uma nova crise de doença infecciosa, o governo chinês incentivou a população a não sair de casa para conter a circulação do coronavírus.

Por causa do potencial de contágio, no dia 30 de janeiro, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que o coronavírus é uma emergência de saúde global, o que implica na realização de ações coordenadas entre os países, como restrição de viagens, planejamento de instalações médicas e estabelecimento de quarentena. Vários países intensificaram as medidas de precaução, bloqueando suas fronteiras e repatriando seus cidadãos.

A OMS é um organismo internacional ligado ao Sistema ONU que monitora políticas de saúde e presta apoio técnico e orientação aos países. A maior preocupação é que o coronavírus chegue a países de baixo desenvolvimento, sem infraestrutura de serviços de saúde para lidar com epidemias.

O termo "epidemia" é usado quando uma doença infeciosa se espalha rapidamente para diversas regiões e alcança um grande número de pessoas, durante um curto período de tempo. Quando a epidemia afeta vários países ou continentes, em larga escala, essa situação é chamada de pandemia. Embora casos isolados já tenham sido registrados em mais de 20 países, a maioria permanece concentrada na China. Por isso, a OMS afirma que é preciso atuar para impedir que a crise se transforme numa pandemia com graves consequências em todo o mundo.

A recomendação da OMS para evitar o contágio é lavar as mãos com frequência, usar máscaras nos locais mais afetados, evitar aglomerações, cobrir o nariz e a boca ao espirrar e tossir, evitar contato com qualquer pessoa que apresente febre e tosse, evitar contato com animais silvestres, evitar comer produtos de origem animal, crus ou malcozidos e fazer o isolamento temporário dos pacientes suspeitos.

Os dados genéticos do novo coronavírus foram disponibilizados para cientistas de todo o mundo e existe uma "corrida" científica para encontrar uma vacina. Ainda não há tratamento específico para esse tipo de vírus e muitas são as incertezas sobre seu comportamento e potencial de letalidade.
Um estudo de pesquisadores da Universidade de Hong Kong, publicado em 30 de janeiro, estimou que a taxa de infectividade do novo coronavírus - a capacidade de ser transmitido de uma pessoa para outra - pode variar de 2,2 a 3,5. Esse é um nível considerado baixo, se comparado com outros vírus. Segundo a OMS, embora o 2019-nCoV tenha se alastrado em uma velocidade maior do que o vírus causador da SARS de 2003, a taxa de letalidade é bem menor, entre 2% a 4% e atinge pessoas com baixa imunidade.

UOL Explica - O que é o coronavírus?

O que são vírus e como o coronavírus foi transmitido para os humanos?

Um vírus é um organismo que possui ácidos nucléicos e proteínas. Todo vírus precisa do auxílio de um ser vivo para se reproduzir. Isso ocorre porque ele é constituído apenas do seu material genético, seja DNA ou RNA. O vírus não tem um citoplasma com organelas para a obtenção de energia. Por isso, invade a célula de um organismo vivo, que pode ser um animal ou vegetal, para se reproduzir e construir novos vírus.

Os coronavírus são transmitidos de animais para humanos e, posteriormente, a transmissão pode ocorrer de pessoa para pessoa. A origem do vírus 2019-nCoV ainda é desconhecida. A maior hipótese é que o vírus tenha sido transmitido para os seres humanos por animais silvestres, como os morcegos. Isso porque os vírus geneticamente mais parecidos com o 20190nCov tiveram os morcegos como principais hospedeiros, como o da SARS.

É possível ainda que os morcegos possam ter transmitido o vírus para outro animal, que enfim transmitiu para os humanos. Por isso, outros animais, como a civeta (mamífero que lembra um guaxinim) são suspeitos. Na SARS, a civeta, um animal apreciado como iguaria na China, teria sido o transmissor para as pessoas.

O que se sabe é que o epicentro do surto da China é um mercado popular que vende animais vivos na cidade de Wuhan, como aves, civetas, cobras e frutos do mar. Isso não quer dizer que alguém tenha comido um morcego. A principal forma de transmissão do vírus se dá por vias aéreas, por gotículas presentes no ar ou secreções. O mais provável é que o novo coronavírus tenha sido transmitido pelo contato com partículas de fezes de um morcego ou pelo contato com algum animal infectado por morcegos.

Ao ser infectado pelo novo coronavírus, uma pessoa pode ser uma transmissora, pois pode transmitir o vírus diretamente para outra pessoa, a partir de um contato muito próximo. No caso do vírus 2019-nCoV, a transmissão se dá por vias aéreas, pelo contato com secreções de pessoas infectadas em pequenas gotículas que podem ser espalhadas pelo ar. Ao entrar no organismo humano, o vírus liga-se a receptores de membranas de células de mucosas respiratórias e ativa uma resposta inflamatória violenta.

O conceito de "transmissor" é diferente de "vetor". Os vetores de doenças sãos agentes (como animais) que transportam o patógeno (o vírus) de um organismo para outro. O transmissor é o agente que transmite e manifesta a doença.

No caso das zoonoses (doença que passa de um animal para o ser humano), os vetores são os intermediários que trazem o vírus de um hospedeiro para humanos. Os mais comuns são os pernilongos, que transmitem doenças como a dengue.

Na dengue, por exemplo, o vírus Flaviviridae não é transmitido pelo contato com o doente, sendo necessária a picada de um mosquito Aedes aegypti infectado (o vetor) para que a transmissão ocorra. Com a febre amarela é a mesma coisa. Insetos (vetores) picam macacos (hospedeiros) com a doença, e então, podem passa-la a seres humanos. Já a gripe não precisa de vetor. Ela é uma doença causada por um vírus e é transmitida de uma pessoa para outra por meio do contato com partículas infectadas.

Como nasce um novo vírus?

Todo vírus pode sofrer mutações e os vírus descendentes apresentam material genético diferente. Os vírus da família corona são comuns em animais e podem causar de resfriados comuns a infecções mais graves.

Os coronavírus são reconhecidos pela alta capacidade de adaptação e possuem uma elevada velocidade de mutação, levando ao surgimento de variedades (subtipos) de um mesmo vírus. Existem sete tipos de coronavírus conhecidos, que chegaram aos humanos através de bovinos, ratos, aves, alpacas, camelos, gatos, morcegos e outros bichos.

O 2019-nCoV tem uma genética semelhante aos vírus causadores da SARS e da MERS, que causam infecções respiratórias. Por isso, os cientistas acreditam que ele seja uma mutação de outro vírus semelhante.

Segundo cientistas, por ser de uma cepa desconhecida, o novo coronavírus passou por mutações para conseguir infectar humanos. A superfície do vírus é coberta de estruturas que lembram espinhos, que facilitam o "encaixe" nas células do hospedeiro para que o vírus possa se reproduzir. É possível que as mutações do vírus mudaram as proteínas, para se adaptarem ao hospedeiro humano e se tornarem mais compatíveis com as nossas células.

Coronavírus liga alerta pelo mundo

Carolina Cunha

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