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Primeira Guerra Mundial - fim do conflito completa 100 anos

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Imagem: Arquivo/AP

Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

Em 11 de novembro de 1918, os generais mais poderosos da Europa se encontraram em um vagão de trem, na cidade francesa de Compiegne. O objetivo era selar um acordo de paz para a pior guerra já então vista pelo mundo.  Os principais signatários foram o Marechal Ferdinand Foch, comandante-em-chefe aliado, e Matthias Erzberger, representante alemão.

Nesse dia, a Alemanha e os Aliados assinam o Armistício de Compiégne, o cessar fogo que encerrou a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). O evento foi chamado pela imprensa de “Aurora da Paz” e representou a rendição alemã no conflito. No ano seguinte, o Tratado de Versalhes foi assinado durante Conferência de Paz de Paris.

Ocorrida no início do século 20, a Primeira Guerra Mundial é considerada o segundo maior conflito da história da humanidade (só perde para a Segunda Guerra). Em quatro anos, mais de 70 milhões de militares foram mobilizados, lutando em batalhas sangrentas que deixaram quase 10 milhões de mortos e 20 milhões de pessoas mutiladas.

A guerra envolveu um amplo grupo de nações, o que a caracterizou como um conflito mundial, extrapolando os limites da Europa, estendendo-se para regiões mediterrâneas, da América, da África e da Ásia.

Ao final do conflito, os países Aliados, notadamente França e Inglaterra, com a participação dos Estados Unidos a partir de 1917, derrotaram as Potências Centrais, liderados pela Alemanha e seus associados, como Áustria e Turquia.

Como começou a guerra?

A Primeira Guerra Mundial começou na Europa em 1914, como o desdobramento de profundas rivalidades políticas entre as principais potências industriais do continente, que culminou em uma guerra de grandes proporções.

Desde meados do século 19, havia um quadro de disputas imperialistas pelo controle de colônias na África, Ásia e Oceania. As nações europeias buscavam explorar recursos e vender matérias-primas. 

Na Europa, a Alemanha despontava como uma grande e influente potência. A França, que já havia entrado em conflito com os alemães, se via progressivamente ameaçada por esse cenário. A tensão se agravou quando a Alemanha estabeleceu uma aliança com a Áustria-Hungria e com a Itália, a Tríplice Aliança. Esse bloco estabelecia acordos comerciais e financeiros, além de acordos militares.

A França passou então a estabelecer acordos com o Império Russo. Depois, a Inglaterra se aliou aos dois parceiros, formando a Tríplice Entente. Eles temiam sofrer perdas de território nas colônias e bloqueios econômicos.

Mas as tensões entre as alianças e o nacionalismo extremo cresceram a tal ponto que foi rompido o equilíbrio de poder que governava a política internacional.

O estopim para o conflito foi o assassinato em Sarajevo, em 28 de junho de 1914, do herdeiro do trono austro-húngaro, o arquiduque Francisco Ferdinando, por um militante nacionalista sérvio. Sua morte motivou um ultimato do Império Austro-Húngaro à Sérvia, até então uma remota província que estava sob influência do Império Russo.   

O episódio da morte do arquiduque acirrou os sentimentos nacionalistas das alianças e começou uma corrida armamentista sem precedentes.  A França ofereceu apoio à Rússia contra a Áustria-Hungria, o que fez a Alemanha declarar guerra contra a Rússia e a França. O conflito se espalhou pelo globo rapidamente.

A Tríplice Aliança era formada pela Alemanha, Império Austro Húngaro e Império Otomano. A Itália fez parte do bloco por um determinado tempo. Já a Tríplice Entente era formada por Reino Unido, França e Império Russo, com a posterior adesão dos Estados Unidos e mais 17 países.

O impacto das novas tecnologias

A Primeira Guerra Mundial foi o primeiro grande conflito de teor tecnológico que a humanidade conhece. Com a modernização militar, os países estrearam métodos inéditos de ataque e defesa como metralhadoras, gás mostarda, aviões com bombas, granadas, tanques e submarinos. 

O avanço tecnológico fez com que os confrontos fizessem muito mais vítimas fatais em menor tempo. Na primeira fase da guerra ainda não havia muitos combates. A vitória era decidida pela movimentação efetiva das tropas, que permitia ocupar territórios inimigos antes que houvesse possibilidade de se organizar a defesa.  Em poucos dias, a Alemanha ocupou a Bélgica e parte da França.

Mas com o deslocamento da Alemanha, as forças de defesa dos Aliados usaram a tática das trincheiras, valas escavadas na terra que permitem aos soldados o deslocamento por suas frentes protegidas dos tiros inimigos. Mas a vitória só é possível em campo aberto, o que deixava os soldados expostos.  Em poucas horas de combate, uma batalha de trincheiras produzia mais mortos do que qualquer guerra anterior. 

Milhares de homens morreram instantaneamente em bombardeios ou envoltos em imensas nuvens de gás tóxico. Até então, o mundo nunca tinha visto tantas vidas se perderem em espaço de tempo tão curto. As duas nações mais afetadas pelas mortes foram a França e a Alemanha, cada qual tendo enviado para os campos de batalha cerca de 80% de suas populações masculinas entre 15 e 49 anos.

O que aconteceu depois do fim da guerra?

“O grande edifício da civilização do século 19 foi demolido nas chamas da grande guerra, quando seus pilares desabaram”, afirmou o historiador Eric Hobsbawn. Para ele, a guerra finaliza a Belle Époque (expressão francesa que significa bela época) e inaugura um novo período, marcado pela violência. O conflito significa um momento crucial para a compreensão do século 20.

Com o fim da Primeira Guerra Mundial, muitas mudanças ocorreram, não só políticas, mas também geográficas no mapa europeu. A vitória da Tríplice Entente e a assinatura de tratados de paz fez os Impérios Centrais Alemão, Austro-Húngaro e Otomano entrarem em colapso e passarem por processos de fragmentação.

Foram reconhecidas a independência da Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Iugoslávia, Finlândia, Estônia, Letônia e Lituânia. Bielorrússia e Ucrânia foram anexadas ao território russo, formando a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas).

O Império Otomano fragmentou-se em vários territórios, em uma área onde hoje estão 40 países. O califado otomano com a fundação da República da Turquia por Kemal Atatürk.

O Império Russo caiu durante a guerra, em 1917. Nesse ano, os russos se retiraram da batalha, pois seu exército estava obsoleto e sua economia arruinada. O cenário de crise culminou na Revolução Russa, quando o czar Nicolau II e a sua família foram assassinados pelos revolucionários bolcheviques, que tomaram o poder. 

Revanchismo alemão e ascensão do nazismo

Em 1919, seguiu-se a imposição do Tratado de Versalhes, refletindo o desejo dos aliados de construir um mundo pós-guerra sem a possibilidade de um novo conflito. Mas os alemães foram julgados como os únicos responsáveis.

No acordo, Inglaterra e França fizeram pesadas exigências à Alemanha com indenizações financeiras, compensações materiais e territoriais pelos danos infligidos durante o conflito. Além disso, foi negada a sua adesão à recém-criada Liga das Nações.

Com o Tratado de Versalhes, o Império Alemão foi obrigado a devolver a região da Alsácia-Lorena para a França. A Alemanha perdeu 13% de seu território, 75% de suas reservas de ferro e 25% das de carvão. Todas as antigas colônias alemãs foram cedidas à França e Reino Unido. O regime monárquico foi substituído pelo republicano, com a instalação da chamada República de Weimar em 1919.

Considerado injusto e humilhante pela Alemanha, o Tratado de Versalhes gerou um forte desejo na sociedade alemã por vingança. A derrota na Primeira Guerra Mundial e a indignação com as reparações criou um terreno fértil para o crescimento de um nacionalismo radical.

O orgulho alemão foi transformado em bandeira política por partidos radicais conservadores, como o partido nazista, considerado o mais extremo. Adolf Hitler conseguiu convencer a massa de que a Alemanha era ameaçada por inimigos internacionais poderosos. Ele queria expandir o território e prometia que o 3º Reich traria de volta o passado de grande potência.

A Primeira Guerra Mundial seria seguida da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que teve acontecimentos como a ascensão do Nazismo, do Fascismo, o lançamento de bombas atômicas e o Holocausto (prática de perseguição política, étnica, religiosa e sexual estabelecida durante os anos de governo nazista de Adolf Hitler).

Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

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