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Iêmen - guerra no país árabe provoca desastre humanitário

Rebeldes houhis mostram suas armas na cidade de Sanaa - Mohammed Huwais/AFP
Rebeldes houhis mostram suas armas na cidade de Sanaa Imagem: Mohammed Huwais/AFP

Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

Há quatro anos o Iêmen está em uma violenta guerra civil.  A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que mais de 12 mil pessoas tenham sido mortas no conflito, que mergulhou o país na pior crise humanitária do mundo. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), as dificuldades de abastecimento e a destruição da infraestrutura podem deixar a população à beira de uma crise de fome em massa, que coloca em risco a vida de mais de 14 milhões de pessoas. 

A situação de maior vulnerabilidade é a das crianças. De acordo com uma denúncia da ONG Save the Children, 85 mil crianças menores de cinco anos podem ter morrido de fome ou doença grave desde o início da escalada do conflito no Iêmen. Os bloqueios de estradas e portos por militares e problemas como a falta de água e epidemias de cólera agravam ainda mais a situação da população civil. 

O atual conflito começou no final de 2014, quando os rebeldes houthis tomaram o controle da capital Sanaa e derrubaram o governo do presidente Abd Rabbuh Mansur Al-Hadi. Porém, ele fugiu para o sul, onde contou com o apoio de tropas leais ao governo. O país praticamente se dividiu em dois. Os rebeldes controlam Sanaa, o norte e amplas faixas do oeste. As forças pró-governo controlam o sul e uma boa parte do centro. 

Em dezembro deste ano, representantes dos rebeldes e do governo devem ser reunir na Suécia para negociações de paz articuladas pela ONU. O encontro buscar avançar rumo a um acordo de cessar-fogo. Também deve ser negociado um acordo que garanta a entrada nos portos de ajuda humanitária ao país empobrecido. Esta é maior tentativa de mediação desde 2016.  

Entenda os pontos-chave do conflito

O Iêmen é considerado um dos berços da civilização. O país situa-se na Península Arábica, no estreito de Bab-el-Mandeb, que faz ligação com a África e o Oriente Médio. O Iêmen faz fronteira com a Arábia Saudita e Omã. Mas ao contrário de seus vizinhos, ele não é um grande produtor de petróleo, sendo o país mais pobre da região. Porém, sua localização é estratégica, próxima ao acesso ao Mar Vermelho e, consequentemente ao Canal de Suez – que, por sua vez, dá acesso ao Mar Mediterrâneo.

Essa rota marítima é fundamental para o escoamento do petróleo produzido no Golfo Pérsico e de mantimentos importantes, como alimentos para a região. Um conflito com potencial de obstruir a passagem de navios pode acarretar em grandes prejuízos para o comércio mundial, pois as embarcações teriam de contornar o Continente africano para chegar à Europa e aos Estados Unidos. 

O Iêmen é tradicionalmente um país de instabilidade política, conhecido por ser um dos lugares mais armados do planeta e abrigar grupos radicais e facções terroristas. O país é o principal reduto da Al-Qaeda, a organização terrorista criada por Osama Bin Laden. Mas a recente guerra já representa a mais grave crise das últimas décadas.

Os rebeldes houthis são membros de uma milícia que segue uma corrente do islamismo xiita conhecida como zaidismo. Eles se dizem discriminados pelo governo e buscam o poder. Já o governo acusa-os de tentar desestabilizar o país e instituir uma lei religiosa xiita.

O conflito no Iêmen se agravou em março de 2015, com a intervenção da coalizão militar internacional liderada pela Arábia Saudita, a favor do presidente imenita. O grupo vem realizando bombardeios contra posições dos houthis no país. A crise humanitária piorou após o bloqueio imposto pelos militares aos portos iemenitas e ao aeroporto de Sanaa.

Em meio ao conflito, militantes radicais islâmicos se aproveitaram do caos para aumentar sua rede de influência em territórios, como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico, grupo terrorista que já cometeu dezenas de atentados letais no Iêmen.

A influência do Irã e da Arábia Saudita

O conflito no Iêmen também é visto como parte de uma batalha regional por poder que opõe duas potências e rivais históricos: a Arábia Saudita, de maioria sunita, e o Irã, de maioria xiita. 
A Arábia Saudita lidera a coalização militar que ataca os rebeldes xiitas e busca restaurar o governo de Hadi. Também fazem parte da coalização oito países árabes, com o apoio logístico e de inteligência dos Estados Unidos, Reino Unido e França.

Essas forças militares são responsáveis por uma série de ataques aéreos contra os houthis no Iêmen e suas tropas atuam nas fronteiras. Os ataques da coalização saudita foram as principais causas da morte de civis no Iêmen. Já os rebeldes são acusados de cometer abusos e violar direitos humanos.

Apesar de negar oficialmente, o Irã é acusado pela Arábia Saudita de apoiar os rebeldes financeiramente e militarmente, fornecendo armas, drones e mísseis de longa distância. A suspeita é de que os iranianos estejam por trás do lançamento de um míssil interceptado na Arábia Saudita por baterias antiaéreas. O medo da coalização é que o sucesso dos rebeldes promova uma maior influência do Irã no vizinho da Arábia Saudita. 

Raízes do conflito

O descontentamento com o presidente Abd Rabbuh Mansur Al-Hadi tem raízes na Primavera Árabe, movimento que eclodiu em 2011, quando protestos em diversos países árabes pressionaram os governos a realizar mudanças. No Iêmen, manifestantes pediram a saída do então presidente Ali Abdullah Saleh, um ditador que estava há mais de 30 anos no poder.

Os protestos evoluíram para uma revolta armada apoiada pelos houthis, que culminou com a saída de Saleh do cargo em 2012. Quem assumiu foi seu vice, Al-Hadi, em uma eleição presidencial em que apenas ele concorreu. Ele deveria realizar uma transição política que levaria o país à estabilidade e a novas eleições. Mas o presidente enfrentou uma série de problemas como ataques terroristas e o fortalecimento do movimento separatista. Aproveitando a debilidade do presidente, os houthis realizaram diversos ataques e tomaram o controle do país em 2014. 

Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

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