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Meio Ambiente: ONU alerta risco de crise climática antes de 2040

Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

  • Nasa via AP

Nos últimos anos o mundo experimentou eventos climáticos extremos, como as secas e incêndios na Califórnia, tsunamis na Ásia, o degelo do Ártico, furacões na América e a escassez hídrica no sudeste do Brasil. O aquecimento global é o processo de mudança da temperatura média global na atmosfera e nos oceanos. Com ele, aumenta a frequência e intensidade desses eventos.

O relatório mais atual sobre o possível impacto do aquecimento global foi divulgado no dia 08 de outubro, pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU. O documento foi escrito por um time de 91 cientistas de 40 países, que analisaram mais de 6 mil estudos científicos.

"Fizemos nosso trabalho, passamos a mensagem", disse Jim Skea, professor do Imperial College em Londres e membro do IPCC. "Agora é a vez dos governos - é responsabilidade deles tomar medidas a respeito disso." O relatório será usado como base para as discussões da 24ª Conferência do Clima (COP24), a ser realizada em dezembro, na Polônia.

Quanto menor o aquecimento global, menores serão os impactos para a Terra. Desde a Revolução Industrial, a enorme queima de combustíveis fósseis pelo homem já permitiu que a temperatura mundial subisse 1 grau.

O  IPCC defende que meio grau Celsius pode fazer uma enorme diferença. Para os cientistas do Painel, não é seguro manter o limite de 2°C imposto pelo Acordo de Paris, o tratado mundial que rege medidas de redução de emissão de dióxido de carbono a partir de 2020.

O ideal seria limitar o aquecimento global a 1,5°C, o que teria consequências muito menos catastróficas para as pessoas, ecossistemas e economias no mundo todo. O documento apresenta uma série de impactos que poderiam ser evitados nesse caso.

Por exemplo, até 2100, a elevação global do nível do mar seria 10 cm mais baixa em comparação com 2 °C ou mais. Além disso, com o aumento de 2 °C, os recifes de corais seriam totalmente perdidos, o declínio nos cardumes dobraria e haveria a perda de gelo na Groelândia e na Antártida.

O problema é que, se o ritmo de emissões se mantiver como está, a humanidade vai estourar o limite do 1,5 grau já em 2040, ou seja, em apenas 22 anos. Por isso, os cientistas defendem que os governos apresentem uma transição rápida e de amplo alcance para cortar e remover radicalmente as emissões de carbono.

As emissões globais de gases de efeito estufa estavam em cerca de 52 GtCO2e (gigatolenadas de CO2 equivalente) em 2016. As projeções indicam que em 2030,  será entre 52 a 58 GtCO2e por ano. . Emissões anuais precisam cair pela metade (25-30 GtCO2e por ano) em 2030 para limitar o aquecimento a 1,5˚C.

"Manter o aquecimento global em um nível inferior a 1,5°C, em vez de 2°C, será muito difícil, mas não é impossível", disse o presidente do IPCC, Hoesung Lee, na apresentação do relatório.

Para isso, os cientistas alertam que serão necessárias "mudanças rápidas, vastas e sem precedentes" em nível global. Ou seja, agora seria o momento ideal para enfrentar essa realidade, o mundo teria uma pequena “janela de oportunidade” para reverter a situação a tempo.

Mas para alcançar essa meta, será preciso que os governos encarem a sustentabilidade como prioridade política, com mudanças na matriz de transportes, o investimento em energia limpa, uma agropecuária com menos carne bovina, indústrias mais inteligentes, a diminuição do desmatamento e o uso de energia renovável.

As mudanças climáticas já são uma realidade. Mas falta vontade política para combate-la e o engajamento da população e das industrias em questões socioambientais. “Os próximos anos serão provavelmente os mais importantes na história humana", disse Debra Roberts, copresidente do IPCC.

Em todos os países, seria necessário cortar as emissões de carbono praticamente pela metade durante a próxima década. Além disso, seria preciso multiplicar por cinco o investimento atual no setor tecnológico para atingir a máxima eficiência energética.

Para especialistas, a meta de aquecimento de 1,5°C é completamente irrealista, já que impactaria a economia global, ainda muito dependente dos combustíveis fosseis. O uso de energia primária por carvão mineral, por exemplo, teria que cair em dois terços até 2030. Em 2050, as energias renováveis precisarão representar entre 70-85% da eletricidade para que o aquecimento seja limitado.

O IPCC acredita que a humanidade já possui conhecimento cientifico, capacidade tecnológica e recursos financeiros suficientes para enfrentar as mudanças climáticas. O que falta é a vontade política. No encontro da Polônia, cujo propósito é discutir formas de implementar o Acordo de Paris, líderes globais estarão sob pressão para elevar a ambição de seus planos nacionais para a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa.

Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

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