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Watergate - 40 anos - Escândalo marcou relação entre poder e imprensa

José Renato Salatiel

Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Quatro décadas após o início das reportagens do escândalo de Watergate, que levaram à primeira renúncia de um presidente norte-americano, o caso ainda é considerado um marco nas atuais sociedades democráticas.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

A cobertura do maior escândalo político dos Estados Unidos tornou-se um emblema da imprensa investigativa, em seu papel crítico de fiscalizar o poder, e tornou o público mais desconfiado em relação aos seus governantes.

Na madrugada do dia 17 de junho de 1972, cinco homens vestindo terno e gravata, calçando luvas cirúrgicas e carregando milhares de dólares nos bolsos foram surpreendidos arrombando o escritório do Comitê Nacional do Partido Democrata, localizado no sexto andar do edifício Watergate, em Washington, capital dos Estados Unidos.

O crime, aparentemente comum, chamou a atenção de Carl Bernstein e Bob Woodward, dois jovens repórteres do jornal "The Washington Post", um dos mais importantes do país. Eles passaram a seguir as pistas com a ajuda de uma fonte sigilosa que, por 33 anos, foi conhecida apenas como "Garganta Profunda".

Nas semanas seguintes, os repórteres descobriram que o nome de um dos homens detidos constava da folha de pagamento do comitê de reeleição do presidente Richard Nixon. Era um ano eleitoral e Nixon tentava se reeleger pelo Partido Republicano. Até então, não havia nenhuma evidência que ligasse o presidente ao grupo detido ao arrombar o escritório do partido rival para instalar escutas telefônicas.

Mas foi um cheque de US$ 25 mil, depositado na conta bancária de outro integrante do grupo, encontrado por Bernstein em Miami, que permitiu relacionar o crime aos fundos de campanha do presidente.

As matérias revelaram que Nixon fez um "caixa dois" de campanha, ou seja, fundos com dinheiro não declarado, para financiar operações de espionagem dos democratas. O objetivo era encontrar algo desfavorável aos adversários para ser usado como arma de campanha, de forma a garantir a vitória nas urnas.

Renúncia

As denúncias não impediram que Nixon fosse reeleito, em novembro daquele mesmo ano, com mais de 60% dos votos válidos. Contudo, nos dois anos seguintes ele lutou para se manter no cargo diante das denúncias da imprensa. O caso era investigado pelo FBI e pelo Senado.

A prova decisiva foram fitas cassetes contendo conversas comprometedoras do presidente gravadas no Salão Oval na Casa Branca. Em 24 de julho de 1974, a Suprema Corte dos Estados Unidos ordenou a entrega das fitas à Justiça.

Os áudios, mesmo parcialmente apagados, confirmaram que Nixon tentou, desde o início, impedir uma investigação profunda sobre o crime. Era a prova de que o presidente mentia sobre sua participação no episódio.

Com a iminência da votação de um impeachment, o presidente renunciou em 8 de agosto de 1974, admitindo seus erros. O vice, Gerald Ford, foi empossado no dia seguinte, dando fim à crise. Um mês depois, Ford concedeu perdão a Nixon para quaisquer crimes que tenha cometido, evitando que o ex-presidente fosse a julgamento.

Legado

Fora da Presidência, Nixon escreveu livros e fez viagens ao exterior que deram a ele reputação de estadista. Morreu em 1994, aos 81 anos de idade.

Woodward e Bernstein publicaram em 1974 o livro "Todos os Homens do Presidente", campeão de vendas nos Estados Unidos. Em 1976, a obra foi adaptada para o cinema em filme homônimo, estrelado por Robert Redford e Dustin Hoffman nos papéis dos repórteres do "Post". O filme ganhou quatro Oscars.

Hoje, Woodward trabalha no mesmo jornal e, nas últimas décadas, escreveu mais de uma dezena de livros sobre política. Bernstein também se tornou escritor, mas deixou o "Post" em 1976, dois anos após a renúncia de Nixon, e trabalhou na rede ABC e como professor universitário.

Mark Felt, a verdadeira identidade do "Garganta Profunda" (a principal fonte de informações do caso Watergate), era na época o segundo homem na direção do FBI. Ele somente revelou o segredo em 2005, três anos antes de morrer, em 18 de dezembro de 2008, aos 95 anos.

Depois de Watergate, a política americana não foi mais a mesma. O escândalo teve ainda repercussão internacional e virou sinônimo de corrupção política. No Brasil, por exemplo, ficou conhecido como "Collorgate" o conjunto de denúncias de irregularidades que levou Fernando Collor de Mello a ser o primeiro presidente brasileiro a sofrer processo de impeachment, em setembro de 1992.

Direto ao ponto

Em 17 de junho fez 40 anos do início do escândalo de Watergate, que culminou com a primeira renúncia de um presidente norte-americano. O caso é considerado um marco nas atuais sociedades democráticas, pois definiu uma nova relação entre imprensa e poder e até mesmo do povo com seus governantes, que passou a ser mais cética.

 

Tudo começou com uma invasão ao escritório do Comitê Nacional do Partido Democrata, localizado no edifício Watergate, em Washington. A prisão do grupo chamou a atenção de dois jovens repórteres do jornal "The Washington Post", Carl Bernstein e Bob Woodward.

 

Eles passaram a investigar o caso com a ajuda de uma fonte sigilosa conhecida como "Garganta Profunda".

 

Nos anos seguintes, a imprensa e a Justiça ligaram a invasão do prédio com um esquema de desvio de verbas públicas e espionagem envolvendo o presidente Richard Nixon. Acuado pela ameaça de um impeachment, Nixon renunciou em 8 de agosto de 1974. Ele morreu em 1994, aos 81 anos de idade.

 

Woodward e Bernstein escreveram livros e ficaram famosos após serem retratados no filme "Todos os Homens do Presidente", de 1976. Mark Felt, a verdadeira identidade do "Garganta Profunda" só foi revelada em 2005: ele era o segundo homem na direção do FBI.

 

 

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