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Vazamento no Golfo - Um ano depois, ecossistema se recupera

José Renato Salatiel, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

No aniversário de um ano do acidente que causou o pior vazamento de petróleo da história dos Estados Unidos, estudos feitos pelo governo norte-americano e por cientistas independentes chegaram a duas conclusões: a natureza se recuperou mais rápido do que o esperado e, apesar disso, a extensão real dos danos ao meio ambiente levará anos para ser conhecida.


Direto ao ponto: Ficha-resumo


Na noite de 20 de abril de 2010, uma explosão na plataforma Deepwater Horizon, arrendada pela empresa British Petroleum (BP), matou 11 funcionários. Dois dias depois, a plataforma afundou a aproximadamente 80 quilômetros da costa da Louisiana, sul dos Estados Unidos.

O petróleo começou a vazar da tubulação rompida a 1,5 quilômetros da superfície do mar, formando uma enorme mancha próximo ao litoral. Durante 86 dias vazaram 4,9 milhões de barris de petróleo cru, além de gás natural e dispersantes químicos no norte do Golfo do México.

A quantidade é maior que o vazamento do navio petroleiro Exxon Valdez, ocorrido no Alasca em 24 de março de 1989, até então considerado o mais grave. Na ocasião, foram espalhados entre 250 e 750 mil barris de petróleo cru no mar, provocando a morte de milhares de animais.

O desastre no Golfo também afetou a economia local, prejudicando a indústria pesqueira, o comércio e o turismo na região. Estima-se que três mil pessoas perderam o emprego, num cenário já abalado pela crise financeira de 2008.

Sucessivas falhas nas tentativas de conter o vazamento desgastaram o presidente Barack Obama, que iniciava seu segundo ano de mandato. O vazamento só foi contido pela BP em 15 de julho, três meses depois do acidente.

A imagem do pelicano-marrom, ave símbolo do Estado de Louisiana, coberto de óleo, foi uma das mais representativas da catástrofe ambiental. Milhares de animais, aves, peixes, crustáceos, corais e outras espécies da fauna marinha morreram nos meses seguintes à tragédia.
 

Limpeza

Passado um ano, amostras de água colhidas pelo governo e por cientistas indicam que a maior parte da mancha negra na superfície foi removida por equipes de limpeza, espalhada pelas marés ou consumida por bactérias marinhas. A limpeza da costa litorânea, dizem especialistas, aconteceu de um modo muito mais rápido do que o previsto, contrariando prognósticos mais pessimistas.

Apesar disso, estima-se que entre 11% e 30% do produto ainda esteja presente no ecossistema, parte dele no fundo do mar e nos pântanos, onde é difícil de ser visualizado.

Também se desconhece o impacto total da contaminação da vida marinha, especialmente de micro-organismos que estão na base da cadeia alimentar de outras espécies. A contaminação se deve não somente pelos produtos químicos que vazaram da plataforma, como também pelo dispersante Corexit 950, usado pela empresa para diluir a mancha de petróleo na superfície do oceano.

Pescadores da região são céticos quanto aos relatórios oficiais. Eles temem que as consequências do vazamento sobre larvas de camarões e de crustáceos só irão aparecer nas próximas estações de pesca. O que é certo, entretanto, é que os cientistas terão anos de estudos pela frente.

Na época do acidente, a pesca comercial e recreativa foi proibida. O motivo era proteger a população do consumo de moluscos contaminados com componentes cancerígenos do petróleo. A pesca em alto mar começou a ser liberada em agosto do ano passado, um mês depois da contenção do vazamento. A Louisiana é o maior Estado produtor de camarões nos Estados Unidos.
 

Indústria

Em janeiro deste ano, um relatório da comissão presidencial que investigou o vazamento recomendou ao Congresso americano que aprove novas regulamentações para o setor de exploração de petróleo em águas profundas.

De acordo com o relatório, a explosão na plataforma ocorreu, em parte, por causa de falhas na regulamentação da indústria petrolífera. O documento dizia ainda que, a menos que sejam feitas mudanças, outro acidente ocorreria.

As companhias contra-argumentaram que a adoção de novas medidas de segurança, além de desnecessária, aumentaria o custo da produção do minério.

A BP, empresa que administrava a plataforma onde houve a explosão, criou um fundo de US$ 20 bilhões (R$ 31,8 bilhões) para pagar indenizações a milhares de famílias e empresários prejudicados pelo acidente que recorreram à Justiça.

Foram feitas mais de 500 mil reclamações de diversos Estados, sendo que 200 mil pessoas já foram ressarcidas em sete meses, 135 mil aguardam liberação do dinheiro e o restante foi negado por falta de provas. As indenizações pagas deixaram alguns empresários e comerciantes milionários, enquanto alguns pescadores ainda enfrentam dificuldades para sobreviver.

No dia 20 de março deste ano, o governo dos Estados Unidos autorizou a primeira perfuração de um novo poço de petróleo no Golfo do México. A exploração havia sido suspensa desde o acidente e o fim da moratória só foi decretado em outubro de 2010 por pressão da indústria e das cidades afetadas, que precisavam se recuperar do prejuízo econômico.

Direto ao ponto
 
Um ano depois do acidente que causou o pior vazamento de petróleo da história dos Estados Unidos, estudos apontam que a natureza se recuperou mais rápido do que o esperado, mas que, apesar disso, levará anos para se saber a real extensão dos prejuízos causados ao meio ambiente.
 
Na noite de 20 de abril de 2010, uma explosão na plataforma Deepwater Horizon, arrendada pela empresa British Petroleum (BP), matou 11 funcionários e liberou 4,9 milhões de barris de petróleo cru no norte do Golfo do México. O vazamento durou 86 dias. O desastre no Golfo também afetou a economia, prejudicando a indústria pesqueira, o comércio e o turismo na região. A BP criou um fundo de US$ 20 bilhões para indenizar comerciantes e pescadores.
 
A demora na contenção do vazamento desgastou o presidente Barack Obama, que prometeu rever a regulamentação e decretou moratória no setor. Passado um ano, amostras de água colhidas pelo governo e por cientistas indicam que a maior parte da mancha negra foi removida pelo homem e pela própria natureza, contrariando os prognósticos mais pessimistas. Mas ainda resta produto acumulado no fundo do mar e são desconhecidas as consequências para a fauna marinha nos próximos anos.

 

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