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Robôs - Num mundo com eles, o emprego corre risco?

23.jul.2014 - A RoboCup 2014 reúne robôs para competirem em diversas categorias, como partidas de futebol - Divulgação
23.jul.2014 - A RoboCup 2014 reúne robôs para competirem em diversas categorias, como partidas de futebol Imagem: Divulgação

Andréia Martins

Da Novelo Comunicação

Quando falamos de robôs inteligentes, boa parte das pessoas tem como referência os robôs R2D2 e C3PO, que ajudaram Luke Skywalker a derrotar Darth Vader em "Guerra nas Estrelas", a babá Rosie, dos Jetsons, a cena do robô B9 jogando xadrez com o Dr. Smith na série “Perdidos no Espaço”, ou, mais recentemente, o caso em que um homem se apaixona por uma voz de computador no filme “Ela”, de Spike Jonze. Isso só para citar alguns.

Essa ideia de ter robôs executando tarefas cansativas e repetitivas e ajudando no nosso dia a dia vai bem até que se levante uma questão: o avanço da produção de robôs pode afetar o mercado de trabalho?

A resposta é sim. Em 2013, um estudo da Universidade de Oxford chamou atenção ao apontar que 47% dos empregos nos Estados Unidos estariam ameaçados pelos robôs. Isso mesmo. Essas máquinas criadas para facilitar nossas vidas podem sim disputar vagas de emprego com os humanos. Em um novo levantamento, em 2014, o mesmo grupo de pesquisadores concluiu que no Reino Unido, 35% dos empregos estariam ameaçados entre os próximos 10 a 20 anos pelo avanço da robótica.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

Mas, ao mesmo tempo em que a notícia soa alarmante para alguns, o próprio estudo avalia que a automatização não atingirá a todos os serviços em igual escala. Se um robô vai (ou não) roubar o seu emprego depende da sua área de atuação, de onde você trabalha e de quanto ganha.

Áreas administrativas, de transporte, vendas e serviços, construção e fabricação estão entre as atividades que mais correm risco de ver seus funcionários serem substituídos por robôs. Já setores como serviços financeiros, odontológicos, advocacia, engenharia, ciência, educação, artes, e outros, correm menos risco.

A explicação para essa diferenciação, segundo a pesquisa, é correm menos risco as atividades que envolvem mais criatividade. Ou seja, onde o fator humano é fundamental para que tais atividades sejam desempenhadas, não há espaço para os robôs.

Um exemplo de como os robôs podem ocupar postos de trabalho nos EUA é o patrulha que já circula na baía de São Francisco, no Vale do Silício. Com 1,5m de altura e equipados com microfones, alto-falantes, câmeras, scanners a laser e sensores, os robôs são programados para perceber comportamentos incomuns.

Chamados de Knightscope K5 Autonomous Data Machines, esses robôs também detectam odores, calor, e conseguem memorizar até 300 placas de carro por minuto enquanto monitoram o tráfego. O robô percebe barulhos e movimentos estranhos e envia todas as imagens a um centro de controle. Caso alguém tente destruí-lo, ele emite um alarme até três vezes mais alto que o alarme de carro. A meta é que eles patrulhem shoppings, áreas comerciais, universidades, hotéis, estádios, portos e aeroportos, entre outros, e reduzam a criminalidade em 50%.

Para os criadores do robô, a Knightscope, ele oferece alternativas de segurança para que as pessoas ocupem cargos e postos intelectuais e corram menos riscos. "Robôs são as ferramentas perfeitas para lidar com o trabalho monótono e perigoso, a fim de libertar os seres humanos para tratar de forma mais criteriosa de atividades que exigem pensamento em nível superior, criativo ou planejamento tático”, diz a fabricante.

Robôs na indústria

Como você viu antes, os empregos na indústria são os que mais correm risco com o uso de robôs. Até 2025, estima-se que 60 milhões de postos de trabalho em fábricas sejam eliminados em todo o mundo. Nos países ricos, esse impacto será de 25% menos empregos.

É fácil entender o motivo: usando robôs em linhas de montagem, por exemplo, as empresas ganham tempo, reduzem o número de defeitos dos produtos e obtém alta produtividade a baixo custo, já que os robôs estão custando cada vez menos ao mesmo tempo em que ganham novas habilidades e mais produtividade.

Em 2013, 179 mil unidades de robôs industriais foram vendidas em todo mundo, de acordo com a Federação Internacional de Robótica (IRF), um recorde. A China se tornou o maior comprador de robôs para indústrias.
De acordo com o último levantamento da IRF, em 2012, o país mais robotizado do mundo é o Japão, com 306 robôs para cada 10 mil trabalhadores, segundo números de 2010. Depois vem Coreia do Sul e a Alemanha, com densidades de 287 e 253 robôs, respectivamente. No Brasil o uso de robôs na indústria ainda é escasso -- na 37ª posição entre 45 países, o país tem densidade inferior a 10 robôs para cada 10 mil trabalhadores.

A indústria automobilística está entre as mais robotizadas do mundo. Em muitos casos, robôs fazem o trabalho braçal enquanto funcionários acompanham tudo a distância, supervisionando o trabalho das máquinas. Será possível que os robôs um dia assumam o papel de observadores?

O “ponto de inflexão”

No livro “A Segunda Era das Máquinas”, lançado este ano nos EUA, os professores do MIT Andrew McAfee e Erik Brynjolfsson apontam que hoje vivemos um momento de inflexão (ou virada).

Para eles, a combinação do poder de computação maciço com redes abrangentes, aprendizado de máquinas, mapeamento digital e a internet das coisas estão produzindo uma revolução industrial completa. No entanto, hoje, mesmo trabalhos cognitivos estão sendo feitos por computadores.

Se na Primeira Era das Máquinas -- a Revolução Industrial, no final dos anos 1700 -- o trabalho humano e o das máquinas eram complementares, hoje, na Segunda Era das Máquinas, "nós estamos começando a automatizar muito mais tarefas cognitivas, muito mais sistemas de controle que determinam como usar aquela força. Em muitos casos, máquinas de inteligência artificial podem tomar hoje melhores decisões do que os seres humanos", diz Brynjolfsson.

Exemplos disso são os carros que dirigem sozinhos, os serviços de entregas feitos por robôs, os softwares cuidadores de idosos, as "serpentes" cirurgiãs, atendentes programadas no telemarketing, algoritmos já substituem o professor particular avaliando os pontos fracos do estudante e montando um plano de estudo, sem contar Baxter, um robô que consegue efetuar qualquer tipo de tarefa observando um ser humano e custa menos do que um trabalhador com um salário médio.

Baxter está entre o robô industrial e o doméstico. Ao longo dos anos, diferentes versões de robôs domésticos foram criadas: desde o cão robótico Aibo, ao Roomba, e, para 2015, Jibo, cujo slogan é "o primeiro robô família do mundo", é a grande novidade. Ele pode ler para crianças, fotografar, lembrar tarefas, ditar receitas na cozinha, e outros. Se ele substituirá as babás? Não. Não foi feito para isso e nem pode executar as mesmas tarefas que uma babá.

Ao contrário dos professores do MIT, outros especialistas apontam que o impacto dos robôs no emprego não será drástico. "Uma máquina pode fazer uma determinada função, mas os trabalhos da maioria das pessoas envolvem várias funções diferentes. Você não pode automatizar todas as tarefas com uma única máquina", diz Robert Atkinson, presidente da Fundação Tecnologia da Informação e Inovação dos EUA.

Uma pesquisa feita com especialistas da área pela Pew Research Center Internet Project e divulgada em agosto deste ano, mostrou que a maioria (52%) também não espera um efeito apocalíptico dos robôs no mercado de trabalho. O que não quer dizer que não haverá impacto.

Para os entrevistados, até 2025, haverá um protagonismo cada vez maior de veículos autônomos, drones, operários robóticos e aplicativos telefônicos e até algoritmos jornalísticos. Em março deste ano, o jornal Los Angeles Times já se adiantou e publicou automaticamente uma notícia online graças a um algoritmo que gera uma pequena reportagem quando ocorre um terremoto.

Avaliar as consequências e probabilidades dessa tecnologia depende da realidade social e econômica de cada país. No Brasil, por exemplo, a indústria, embora viva um momento de desaquecimento, é uma das principais empregadoras (8,78 milhões em 2012, de acordo com o IBGE), e a perda dessas oportunidades teria sérias implicações.

O primeiro problema importante decorrente da nova Revolução Industrial é como assegurar a manutenção de pessoas que perderam seus empregos em consequência da automação e da robotização da produção e dos serviços. Isso criaria oportunidades desiguais?

Por isso, é preciso começar a pensar no tema para evitar surpresas. Afinal, na velocidade das mudanças tecnológicas e com as inúmeras possibilidades da inteligência artificial, não estamos preparados para dar de cara com um simpático robô ocupando nossa mesa no trabalho. A não ser que ele esteja ali para uma partida de xadrez.

DIRETO AO PONTO

Quando se fala em robôs, a primeira pergunta que muitos se fazem é: essas máquinas vão roubar meu emprego? Especialistas não discordam de um ponto: o uso de robôs em fábricas e indústrias e outros postos terá sim um impacto na oferta de emprego. No entanto, enquanto uns preveem um futuro apocalíptico nesse sentido, outros entendem que o impacto não será tão grande.

 

Os que esperam uma mudança no mercado apontam para o uso, hoje, de robôs em tarefas cognitivas e não apenas em serviços braçais ou de repetição. Nesse caso, os robôs estariam ocupando uma função que seria dos humanos. Do outro lado, há quem acredita que o uso de robôs venha ajudar os homens em tarefas cansativas, repetitivas e muitas vezes perigosas.

 

A discussão está longe de terminar, mas com o avanço das tecnologias e da inteligência artificial, é bom começarmos a pensar no assunto: a tecnologia será nossa aliada ou estamos construindo nossos próprios inimigos?

 

 

Andréia Martins é jornalista

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