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Retrospectiva científica: Marte, "partícula de Deus" e genética são destaques do ano

José Renato Salatiel*

Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

  • NASA

    O árido panorama da paisagem marciana, em mosaico de fotos retiradas pelo Curiosity, o jipe cujo objetivo é procurar vida orgânica no planeta

    O árido panorama da paisagem marciana, em mosaico de fotos retiradas pelo Curiosity, o jipe cujo objetivo é procurar vida orgânica no planeta

Uma partícula “invisível” que pode mudar a compreensão humana do universo; células que podem ser “reprogramadas” para curar doenças; e um “país virtual” com um bilhão de habitantes.

Essas e outras tecnologias ou pesquisas científicas que viraram notícia em 2012 prometem facilitar e melhorar a vida humana. Mas, ao mesmo tempo, colocam a sociedade diante de novos dilemas éticos e sociais.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

Na área da Física, a mais importante descoberta do ano foi anunciada em 4 de julho por cientistas do Cern, na Suíça. Após quase meio século de pesquisa – a mais cara da história da ciência – eles encontraram o bóson de Higgs, popularmente chamado de “partícula de Deus”.

Trata-se de uma partícula subatômica tão minúscula e instável que só podem ser observados traços de sua existência. Para isso, foi preciso construir o maior acelerador de partículas do mundo, o LHC (Grande Colisor de Hádrons, na sigla em inglês), que possui 27 quilômetros de circunferência.

A descoberta comprovou a teoria do Modelo Padrão, que descreve a constituição da matéria no cosmos, e abriu perspectivas para a busca de uma Teoria do Campo Unificado, que unirá teorias que, hoje, são divergentes na Física.

Nenhuma descoberta, porém, causaria maior impacto do que a de vida em outro planeta. E as maiores chances estão no vizinho Marte, o planeta vermelho que fascina o homem desde a Antiguidade. A mais ambiciosa missão começou em 6 de agosto, quando a Nasa conseguiu pousar em Marte o Curiosity, o maior jipe de exploração espacial.

O objetivo do Curiosity é buscar condições de vida no planeta. A expectativa é de encontrar formas de vida simples, como bactérias, bem diferentes dos homenzinhos verdes imaginados pela cultura popular.

Facebook

Dois mil e doze também foi o ano do centenário de nascimento de Alan Turing (1912-1954), o gênio matemático cujos estudos deram origem à moderna computação. Nas décadas após a morte de Turing, as redes de computadores mudaram a forma como as pessoas vivem no mundo, facilitando a comunicação, fornecendo entretenimento e impondo desafios à educação e à segurança.

O Facebook, por exemplo, é hoje uma das maiores empresas do ramo e uma das mais polêmicas. Em 4 de outubro, anunciou que atingiu a marca de um bilhão de usuários, o que significa que um em cada sete habitantes no planeta possui um perfil no site de relacionamentos.

O Brasil, com estimados 61,8 milhões de usuários (30,74% da população), é o segundo no ranking de acessos, ficando somente atrás, em números, dos Estados Unidos, com 168,6 milhões (54,36%).

O lucro do Facebook é gerado por publicidade direcionada a um público selecionado, que expõe, voluntariamente, seus dados pessoais na internet. Com base no perfil dos usuários, as empresas podem direcionar anúncios publicitários e desenvolver estratégias de marketing.

O problema é que essa estratégia nem sempre foi transparente, e alguns usuários sentem que isso ameaça a sua privacidade. A maioria, contudo, parece não se importar com a superexposição em redes sociais, incluindo crianças e adolescentes.

Genética

Mas é no campo da biologia genética que se concentraram as descobertas mais “perturbadoras”, sobretudo do ponto de vista ético.

Durante o ano, os cientistas revelaram novidades no sequenciamento do genoma humano. Não por acaso, o Prêmio Nobel de Medicina deste ano premiou pesquisas em genética que apontaram novos caminhos para o tratamento de doenças como Alzheimer, Parkinson, esquizofrenia e autismo.

Essas pesquisas mostraram que células-tronco adultas podem ser transformadas em embrionárias pluripotentes, que são aquelas que podem dar origem a qualquer espécie de célula fetal ou adulta. Isso é uma novidade, pois até então acreditava-se que células adultas não poderiam desempenhar outra função.

Agora, esses estudos ajudarão a curar doenças de origem genética, entender melhor o processo de envelhecimento e criar óvulos a partir de tecidos.

O sequenciamento de genoma de um feto humano em gestação permite ainda um diagnóstico de doenças que o paciente terá somente no futuro, quando for adulto. Como os médicos, o paciente e as famílias lidarão com isso?

Nos Estados Unidos, já existe uma preocupação com um aumento do número de abortos em consequência da detecção precoce de doenças genéticas. Por isso, alguns Estados estão tornando as leis mais rígidas, para impedir o aborto em casos como síndrome de Down. No Brasil, o aborto só é autorizado quando a gestação é resultado de estupro ou traz risco à mulher.

Os avanços científicos e tecnológicos são importantes não somente para cientistas e especialistas, mas para entendermos as mudanças e os impactos que eles provocam em toda a sociedade contemporânea.

Fique Ligado

Os acontecimentos sintetizados nesse texto foram acompanhados pela seção de atualidades do UOL Educação. Para saber mais detalhes das descobertas e pesquisas científicas de 2012, você pode dar uma olhada em:

 

Bóson de Higgs

 

Marte: missão espacial

 

Centenário Alan Turing

 

Facebook e a bolsa de valores

 

 

Direto ao ponto

Pesquisas científicas e novas tecnologias que viraram notícia em 2012 prometem facilitar e melhorar a vida humana. Mas, ao mesmo tempo, colocam a sociedade diante de novos dilemas éticos e sociais.

 

Em 4 de julho cientistas anunciaram a descoberta do bóson de Higgs, popularmente chamado de “partícula de Deus”. O sucesso da experiência serviu para confirmar a teoria do Modelo Padrão, que descreve a constituição da matéria no cosmos, e abrir perspectivas para a busca de uma Teoria do Campo Unificado, que unirá divergentes na Física.

 

Em 6 de agosto, a Nasa conseguiu pousar em Marte o Curiosity, o maior jipe de exploração espacial. O objetivo é buscar formas de vida simples, como bactérias, no planeta. Até hoje nenhum tipo de vida orgânica foi encontrado fora da Terra.

 

Dois mil e doze também foi o ano do centenário de nascimento de Alan Turing (1912-1954), o gênio matemático cujos estudos deram origem à moderna computação. O Facebook, uma das maiores empresas do ramo, anunciou em 4 de outubro que atingiu a marca de um bilhão de usuários. O sucesso da rede social, porém, vem acompanhado da polêmica sobre a superexposição e falta de privacidade.

 

Já no campo da biologia genética houve avanços no sequenciamento de genoma que deram esperanças para encontrar a cura para doenças como Alzheimer, Parkinson, esquizofrenia e autismo. Mas diagnósticos precoces levantam problemas éticos e preocupações com um possível aumento de casos de aborto em países como os Estados Unidos.

 

José Renato Salatiel*

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