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Redes sociais: Facebook estreia na bolsa de valores

José Renato Salatiel

Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Depois de conquistar a internet, o Facebook estreou no último dia 18 de maio na Nasdaq – bolsa de valores norte-americana que reúne empresas de tecnologia – arrecadando US$ 16 bilhões com ações cotadas a US$ 38 cada.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

Foi a maior oferta inicial já feita por ações de uma firma do setor de tecnologia e a terceira maior oferta pública na história dos Estados Unidos, atrás da General Motors e da Visa. E, como tudo que envolve a rede social, a abertura de capital do Facebook, oito anos após sua fundação, foi um espetáculo midiático.

Dias depois, o mercado financeiro reagiu com desconfiança e houve queda nos valores dos papéis negociados. Investidores abriram processos judiciais contra o site. Eles alegaram prejuízos em razão de problemas no pregão e de um suposto escândalo financeiro envolvendo os bancos de investimentos que comandaram toda a operação.

Nenhuma polêmica, no entanto, é novidade quando se trata do Facebook. Juntamente com o Google e a Microsoft, a empresa se tornou uma das mais valiosas do mundo graças a inovações tecnológicas.

O site de relacionamentos possui estimados 900 milhões de usuários no planeta, 46 milhões somente no Brasil. De acordo com o site Socialbakers, o país é o segundo com mais usuários na rede, atrás somente dos Estados Unidos, com 157 milhões.

A rede social mais popular do mundo foi criada em 2004 por um estudante da Universidade de Harvard, Mark Zuckerberg, hoje com 27 anos. Após o début no mercado financeiro, o Facebook se tornou a 23a maior empresa em valor de mercado nos Estados Unidos – superando Amazon, Visa e McDonald’s –, e Zuckerberg, a 29a pessoa mais rica do mundo, segundo levantamento da Bloomberg.

Como uma empresa que oferece serviços gratuitos pode ser tornar tão lucrativa?

A revolução tecnológica promovida no final dos anos 1970 no setor da informática mudou o cotidiano das pessoas. Os computadores da Apple, de Steve Jobs, os softwares da Microsoft, de Bill Gates, e o buscador do Google, de Larry Page e Sergey Brin, popularizaram a tecnologia, tornando-a acessível ao cidadão comum.

A novidade das redes sociais foi mostrar que redes de computadores não conectam máquinas, mas pessoas. Mais do que procurar conteúdo na internet ou manejar dados, o Facebook demonstrou que a tecnologia é um instrumento de interação social.

Consumidores

Pessoas usam o site para se conectarem com amigos e familiares, expressar opiniões, gostos e se informar sobre um mundo particular, criado em torno delas mesmas. Para as empresas, é um meio de encontrar um público consumidor selecionado para seus produtos.

Os lucros, nesse ramo de negócios, são cada vez mais imateriais, e, nesse sentido, o Facebook promoveu um avanço. A Apple vende aparelhos eletrônicos; a Microsoft, softwares; a Google fatura com links patrocinados; o Facebook gera receita com as informações que os usuários, voluntariamente, colocam em suas páginas personalizadas.

Esses pacotes de dados, que incluem interesses, sexo, idade, localização, status do relacionamento (casado ou solteiro), etc., são “vendidos” aos anunciantes. Com base no perfil dos usuários, as empresas podem direcionar anúncios publicitários e desenvolver estratégias de marketing para um público específico.

Se um usuário “curte” uma página sobre montanhismo, por exemplo, pode receber publicidade sobre turismo nos Alpes (na forma de enquetes, amigos que curtiram, etc.) ou ser direcionado para uma página de uma empresa que fabrica produtos do esporte. Em 2011, a receita do site de Zuckerberg foi de US$ 3,71 bilhões.

Privacidade

A maior crítica diz respeito justamente à privacidade dos usuários. Qual o limite para a rede social sobre o uso de informações pessoais? Esse processo é transparente, ou seja, os usuários sabem quem tem acesso aos seus dados?

O Facebook tenta se precaver de processos mantendo páginas de política de privacidade. Mas poucas pessoas se dão ao trabalho de procurá-las ou mesmo lê-las em detalhes. Por outro lado, até mesmo uma criança consegue, em poucos minutos, abrir uma conta no Facebook (cuja idade mínima de acesso é de 13 anos), bastando para isso uma conta de email.

Serviços criados pela empresa foram alvos de reclamações desse tipo. Em 2007, foi lançado o Beacon, um serviço (já desativado) que revelava o que os usuários faziam e compravam em sites da rede. Desde então, o Facebook tem alterando as regras de uso, distendendo os limites da privacidade na internet.

Mais recentemente, o recurso Linha do Tempo (Timeline), que organiza e publica todo o conteúdo (mensagens, fotos, vídeos, etc.) postado, gerou polêmica. O site tentou fazer isso à revelia do usuário, o que gerou queixas. Imagine um post ou foto constrangedora deletados que ressurgem contra sua vontade?

A maioria dos frequentadores não se importa em abrir mão da privacidade. Para a jornalista e cofundadora do UOL Marion Strecker, eles exercem uma “escravidão voluntária” em troca de “contato superficial, à base de textos curtos e fotos escolhidas a dedo”. Mesmo assim, a pressão levou Zuckerberg a rever as políticas de privacidade da empresa.

Direto ao ponto

O Facebook estreou no último dia 18 de maio na Nasdaq (bolsa de valores norte-americana que reúne empresas de tecnologia) com ações cotadas a US$ 38 cada. A empresa, criada em 2004, arrecadou US$ 16 bilhões.

 

Foi a maior oferta inicial já feita por ações de uma firma do setor de tecnologia e a terceira maior oferta pública na história dos Estados Unidos, atrás da General Motors e da Visa.

 

O site de relacionamentos possui estimados 900 milhões de usuários no planeta, 46 milhões somente no Brasil. Com a abertura do capital, o Facebook se tornou a 23a maior empresa em valor de mercado nos Estados Unidos. Seu fundador, Mark Zuckerberg, 27 anos, é hoje a 29a pessoa mais rica do mundo.

 

O lucro do Facebook é gerado por publicidade direcionada a um público selecionado, que expõe, voluntariamente, seus dados pessoais na internet. Com base no perfil dos usuários, as empresas podem direcionar anúncios publicitários e desenvolver estratégias de marketing. Em 2011, a receita do site foi de US$ 3,71 bilhões.

 

A rede tem sido, nos últimos anos, alvo de críticas quanto à privacidade dos usuários. As queixas levaram a empresa a rever suas regras de uso. A maioria dos usuários, contudo, parece não se importar com a exposição.

 

 

José Renato Salatiel

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