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Queda de meteoro: A ameaça que vem do espaço

José Renato Salatiel*

Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

  • Jorge Brazil/Wikimedia Commons

    Nosso velho visitante do espaço: o meteorito do Bendegó, hoje no acervo do Museu Nacional da UFRJ, foi encontrado no riacho de mesmo nome, no sertão baiano, provavelmente em 1784

    Nosso velho visitante do espaço: o meteorito do Bendegó, hoje no acervo do Museu Nacional da UFRJ, foi encontrado no riacho de mesmo nome, no sertão baiano, provavelmente em 1784

A queda de um meteorito na Rússia e, no mesmo dia, a passagem de um asteroide próximo à órbita terrestre deixou o mundo em alerta para a possibilidade, mesmo que remota, de um desastre global. Os incidentes, apesar de semelhantes, não têm relação entre si, segundo especialistas.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

Quais são as probabilidades de a humanidade ser extinta pelo impacto de um meteoro? Como o mundo poderia se proteger, com a tecnologia atual, de um choque com esses objetos?

Asteroides são corpos celestes pequenos, rochosos ou metálicos, que orbitam o Sol. Por vezes, eles saem de sua órbita regular e se aproximam da Terra. Foi o que aconteceu no dia 15 de fevereiro, quando o asteroide 2012 DA 14 passou a 27 mil quilômetros da superfície do planeta, distância inferior à de satélites.

Desde que os cientistas começaram a observar o comportamento dos asteroides, foi a primeira vez que um objeto desse tamanho – 45 metros de diâmetro – se aproximou tanto da Terra. A passagem dele estava prevista há um ano, e, de acordo com os cientistas, não havia risco de colisão com o planeta.

Já meteoros e meteoritos são asteroides, em geral de menor escala, que entram em órbita (meteoros) ou colidem com o planeta (meteorito).

No mesmo dia em que o asteroide 2012 DA 14 passou “raspando” pelo globo terrestre, um meteorito atingiu a cidade de Chelyabinsk, localizada a 1,5 mil km de Moscou, nos Montes Urais. Mais de mil pessoas ficaram feridas, sem gravidade.

Os ferimentos foram provocados por estilhaços de vidros, oriundos de janelas quebradas pela onda de choque gerada pela passagem do objeto. Foi uma onda semelhante àquela causada por aviões supersônicos da FAB que, em julho do ano passado, quebraram vidraças em Brasília, em um voo rasante.

Hiroshima

Segundo a Nasa, a rocha que atingiu o território russo tinha cerca de 15 metros de diâmetro e pesava 7 mil toneladas. Ao entrar na atmosfera, o atrito transformou o meteorito em uma bola de fogo que se desintegrou antes de atingir o solo. A explosão liberou uma energia equivalente a 20 bombas atômicas iguais a que caiu sobre Hiroshima no final da Segunda Guerra Mundial.

O evento foi considerado o mais grave em mais de um século. Em 30 de junho de 1908, um meteorito destruiu centenas de quilômetros quadrados de floresta em Tunguska, na Sibéria. O fenômeno foi estudado durante décadas por especialistas, pois a ausência de uma cratera levantava outras suspeitas, como a passagem de um cometa e até um encontro com extraterrestres. Hoje, a teoria mais aceitável é a de que o meteorito tenha explodido antes de atingir o solo.

Há 66 milhões de anos, outra queda de meteorito, este medindo estimados 10 km de diâmetro, causou a extinção dos dinossauros.

Mordida de cão

Meteoritos entram na órbita terrestre constantemente, mas desintegram-se, formando as chamadas estrelas cadentes. Aqueles que conseguem atravessar intactos a atmosfera costumam cair nos oceanos, que constituem 70% da superfície, ou em áreas desabitadas.

Apesar disso, as agências espaciais americana e europeia possuem programas de monitoramento de asteroides. Desde 1995, a Nasa identificou 9.600 objetos próximos da Terra, sendo que apenas 861 deles possuem diâmetro igual ou superior a um quilômetro. Esses objetos perfazem 90% dos asteroides ou planetoides que oferecem algum risco para a vida na Terra.

Meteoritos como o que caiu na Rússia, porém, são praticamente impossíveis de serem detectados. Mesmo assim, podem causar danos se atingirem áreas urbanas.

A maior ameaça já identificada pelos cientistas é o asteroide AG5, de 140 metros de diâmetro. Ele deve passar pela Terra por volta de 2040, mas as probabilidades de atingi-la são mínimas, de acordo com a Nasa.

Segundo um levantamento de riscos feito pelo Conselho Nacional de Segurança dos Estados Unidos, as probabilidades de uma pessoa ser morta por esse corpo celeste são menores do que morrer por queda de um raio, uma picada de abelha ou a mordida de um cachorro.

Ficção e realidade

Mesmo sendo remotas, as chances existem. Por isso, agências governamentais, institutos de pesquisas e universidades desenvolvem projetos de defesa contra asteroides. As técnicas envolvem o uso de espaçonaves, armas lasers e bombas atômicas para desviar o curso ou destruir esses corpos celestes.

A Agência Espacial Europeia tem uma missão chamada “Dom Quixote”, que consiste em enviar uma espaçonave capaz de tirar um asteroide de sua rota de colisão. Cientistas da Universidade da Califórnia, por sua vez, desenvolveram o projeto de canhões de laser. O raio seria usado para desviar o objeto ou mesmo, em uma versão mais potente, vaporizá-lo.

Outros grupos de pesquisadores acreditam que ogivas nucleares seriam ainda o método mais rápido. No filme “Armageddon” (1998), o ator Bruce Willis e um grupo de mineradores perfuram a superfície de um asteroide a caminho da Terra e usam bombas nucleares para explodi-lo. Na realidade, porém, não haveria missão tripulada e seriam necessárias ogivas mais potentes para fragmentar o asteroide em rochas menores, inofensivas.

Fique Ligado

A passagem de um asteroide e a queda de um meteorito pela terra ajudam a lembrar certas áreas da geografia e da física, que é sempre necessário ter em mente: afinal trata-se do espaço onde trancorre nossa existência. Para começar, pode-se olhar com mais atenção para nosso "endereço": o Sistema Solar. Depois, é bom saber alguma coisa sobre como o ser humano está estudando o Cosmo na atualidade. Finalmente, que tal refletir um pouco sobre a origem do Universo?

 

Sistema Solar

 

Sondas espaciais

 

Teoria do Big Bang

 

 

Direto ao ponto

A queda de um meteorito na Rússia e, no mesmo dia, a passagem de um asteroide próximo à órbita terrestre, deixou o mundo em alerta para a possibilidade, mesmo que remota, de um desastre global.

 

Em 15 de fevereiro, o asteroide 2012 DA 14 passou a 27 mil quilômetros da superfície do planeta, distância inferior à de satélites. A passagem estava prevista há um ano, e, de acordo com os cientistas, não havia risco de colisão com o planeta.

 

No mesmo dia, um meteorito atingiu a cidade de Chelyabinsk, localizada a 1,5 mil km de Moscou, nos Montes Urais. Mais de mil pessoas ficaram feridas, sem gravidade. Segundo a Nasa, a rocha que atingiu o território russo tinha cerca de 15 metros de diâmetro e pesava 7 mil toneladas.

 

De acordo com um levantamento de riscos feito pelo Conselho Nacional de Segurança dos Estados Unidos, as probabilidades de uma pessoa ser morta por essas rochas são menores do que morrer por queda de um raio, uma picada de abelha ou a mordida de um cachorro.

 

Mesmo assim, há programas de monitoramento e técnicas de defesa envolvem o uso de espaçonaves, armas lasers e bombas atômicas para desviar o curso ou destruir esses corpos celestes, antes que atinjam o planeta.

José Renato Salatiel*

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