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Pussy Riot - Rock contra o Kremlin

José Renato Salatiel*, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Nos anos 1960, o artista plástico Andy Warhol profetizou que, no futuro, qualquer pessoa seria famosa por 15 minutos. Pois bastaram 1m53s de um vídeo postado no YouTube para que três feministas se tornassem o pivô de uma nova crise política na Rússia.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

O vídeo mostra a performance de quatro jovens dentro da Catedral do Cristo Salvador, em Moscou, em 21 de fevereiro deste ano. Elas fazem parte do Pussy Riot, uma banda russa de punk rock feminista.

Vestindo balaclavas (tipo de gorros) coloridas, as meninas debocham do ritual religioso e dançam no altar ao som da música "Mother of God, Put Putin Away" ("Mãe de Deus, mande Putin embora"). Segundos depois, os seguranças do prédio expulsam o grupo.

Seria apenas mais uma manifestação contra o então premiê russo Vladimir Putin, reeleito presidente em 4 de março, não fosse o local escolhido.

A catedral é palco das principais solenidades religiosas do país. Em 1933, a igreja foi dinamitada pelos comunistas, contrários à fé religiosa. Nos anos 1990, após o fim do regime soviético, o prédio foi reconstruído. Desde então, tornou-se um marco do renascimento da ortodoxia russa, doutrina seguida por 70% da população.

Atualmente, a Igreja Ortodoxa é um dos mais importantes setores da sociedade russa que apoiam Putin, tendo alguns de seus membros no alto escalão do Estado. Por isso, o governo reagiu com rapidez e, segundo os críticos, autoritarismo.

Após o vídeo ser divulgado no YouTube, no dia 3 de março, duas integrantes do grupo – Maria Alyokhina, 24 anos, e Nadezhda Tolokonnikova, 22 anos – foram presas sem direito à fiança. Em 16 de março, uma terceira acusada, Yekaterina Samutsevich, 30 anos, também foi detida.

As três foram acusadas de vandalismo motivado por ódio religioso, crime que prevê a condenação de até sete anos de prisão na Rússia. Em defesa, alegaram que o protesto foi político – visava criticar o suporte da Igreja ao presidente – e não teve motivos religiosos.

 

Prisão

O julgamento das jovens do Pussy Riot chamou a atenção da imprensa ocidental, que se colocou favorável às rés. O caso foi comparado com os julgamentos sumários da era soviética, em que o governo perseguia opositores. Para ONGs de direitos humanos como a Anistia Internacional, as três são presas políticas.

 

A própria Igreja Ortodoxa, que considerou o ato uma blasfêmia, pediu clemência às autoridades russas.

Mas de nada adiantou a pressão feita por essas instituições. Em 17 de agosto, as mulheres foram condenadas a sentenças de dois anos de prisão em regime fechado. O anúncio provocou uma onda de reações contrárias ao governo russo que envolveu desde líderes mundiais até ídolos pop como Madonna, Sting e Paul McCartney.

Ministros da Alemanha e Suécia e autoridades da União Europeia e dos Estados Unidos consideraram a sentença desproporcional ao delito cometido e uma ameaça à liberdade de expressão. De acordo com especialistas, por atentar contra a ordem pública as acusadas deveriam receber, no máximo, multas.

Ativistas do mundo inteiro, incluindo as ucranianas do grupo Femen, famosas pelo topless, fizeram manifestações de apoio às condenadas. O movimento "Free Pussy Riot" ("Libertem Pussy Riot") ganhou força nas redes sociais.

 

Putin

Na esfera política, o caso Pussy Riot expôs ligações entre o Kremlin, a Igreja Ortodoxa e a Justiça russa que colocam dúvidas quanto ao regime político secular e a imparcialidade do Poder Judiciário em uma sociedade democrática.

 

O episódio também está sendo tratado como um símbolo da juventude russa que desafia o autoritarismo do governo Putin.

Entretanto, analistas são céticos a respeito do quanto a crítica externa afetará o presidente russo. No poder há 12 anos, ele enfrentou protestos no final de 2011 e, mesmo assim, conseguiu se reeleger. Uma recente pesquisa apontou que 44% dos russos se sentiram ofendidos com a invasão da catedral e apoiavam o julgamento, contra 17% que discordavam.

No cenário internacional Putin ficou mais isolado nos últimos meses, sobretudo após o veto a sanções ao governo sírio no Conselho de Segurança da ONU. Entre os russos, porém, o presidente continua popular entre as camadas mais tradicionais, que veem com desconfiança qualquer interferência ocidental em assuntos domésticos.

 

Direto ao ponto

Três russas da banda punk Pussy Riot foram condenadas a dois anos de prisão por crimes de vandalismo e ódio religioso. O julgamento gerou manifestações no mundo contra o autoritarismo do presidente Vladimir Putin, acusado de perseguir opositores políticos.

 

Em 21 de fevereiro, a banda fez uma performance na Catedral do Cristo Salvador, em Moscou, em protesto contra o apoio da Igreja Ortodoxa ao governo. Após o vídeo ser divulgado no YouTube, no dia 3 de março, três integrantes do grupo foram presas: Maria Alyokhina, 24 anos, Nadezhda Tolokonnikova, 22 anos e Yekaterina Samutsevitch, 30 anos.

 

ONGs de direitos humanos como a Anistia Internacional consideraram as garotas como presas políticas. O caso abalou também a credibilidade da Justiça na Rússia.

 

José Renato Salatiel*<BR> Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação * José Renato Salatiel é jornalista e professor.

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