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Oriente Médio - Bombardeio israelense agrava crise na Síria

Soldado sírio usando máscara antigás e metralhadora de fabricação chinesa - Wikimedia Commons/US Army
Soldado sírio usando máscara antigás e metralhadora de fabricação chinesa Imagem: Wikimedia Commons/US Army

José Renato Salatiel*

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

Ataques de Israel contra bases militares sírias, nos dias 3 e 5 de maio, aumentaram a tensão no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, suspeitas do uso de armas de destruição em massa elevaram o risco de uma intervenção militar.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

A guerra civil na Síria já dura dois anos, matou mais de 700 mil pessoas (segundo a ONU) e deixou milhares de refugiados. Em 15 de março de 2011, na continuidade da onda de manifestações da Primavera Árabe, parte da população saiu às ruas para protestar contra o regime do ditador Bashar al-Assad. O governo reprimiu os manifestantes, dando início a uma guerra civil que, até agora, resistiu a todos os esforços diplomáticos para cessá-la.

Pelo menos 42 soldados sírios morreram em ataques aéreos a três posições militares na região norte de Damasco, capital síria. Israel evitou, até então, qualquer envolvimento com os conflitos no país vizinho. Por que, agora, essa agressão?

 

A composição política e ideológica da região coloca, de um lado, o governo de Assad, o Irã, o Iraque e o Hizbollah (grupo xiita libanês); e de outro, Israel e Estados Unidos. Israel vive em conflito com os árabes desde a formação de seu Estado, em 1947. Mais recentemente, em 2006, esteve em guerra com o Hizbollah.

Quando atacou a Síria, o governo de Israel não tinha a intenção de apoiar a oposição ao regime de Assad. Até porque, para o Estado israelense, é melhor o ditador do que a incerteza de um poder composto por rebeldes ligados a grupos extremistas – como a Al Qaeda – e com acesso ao arsenal de Assad.

O objetivo dos ataques era impedir que um suposto carregamento de armas chegasse até os militantes do Hizbollah, no vizinho Líbano. O receio dos israelenses é de que os árabes consigam mísseis de maior alcance, que possam atingir cidades como Tel Aviv e Jerusalém (hoje os mísseis mal ultrapassam da fronteira israelense).

O ataque à Síria, em resumo, seria mais um capítulo do conflito Israel-Hizbollah, que inclui bombardeios pontuais e assassinatos de líderes de ambos os lados. Ainda assim, os efeitos políticos são perigosos, pois uma retaliação prometida pela Síria (que considerou os ataques uma “declaração de guerra”) poderia precipitar uma guerra.

Gás sarin

Outro fator que elevou a “temperatura” da crise síria nesta semana foram informações controversas da ONU sobre o emprego de armas químicas (consideradas de destruição em massa). Segundo a comissária da Comissão Internacional de Inquérito da ONU para a Síria, a suíça Carla Del Ponte, haveria indícios de que rebeldes teriam usado gás sarin, um poderoso agente neurotóxico.

No dia seguinte, porém, o presidente da mesma comissão da ONU, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, divulgou uma nota dizendo que não havia provas de uso de armamento químico nem por parte do regime e nem pelas forças rebeldes.

Essas informações, se comprovadas, poderiam mudar o curso da guerra. As armas químicas são proibidas por tratados internacionais e seu emprego pode legitimar uma invasão, tal como aconteceu no Iraque, há 10 anos. Na época, o governo de George Bush justificou a ocupação militar alegando que a ditadura de Saddam Hussein possuiria armas de destruição em massa, que nunca foram encontradas.

O governo de Barack Obama, entretanto, tem relutado em adotar estratégia semelhante na Síria, por temer as consequências para os Estados Unidos e para o Oriente Médio. A Guerra do Iraque deixou 300 mil mortos, desgastou a imagem dos americanos, onerou em trilhões os cofres públicos e o resultado foi um país instável politicamente.

Guerra Fria?

A escalada da crise na Síria afeta ainda as relações entre Estados Unidos, Rússia e China. O governo russo tem se mostrado, nos últimos anos, o principal apoiador de Assad junto à ONU.

A Rússia tem interesses comerciais com o regime sírio – é um antigo fornecedor de armas ao Exército de Assad. Por isso, os russos têm usado o poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para impedir uma pressão maior sobre Damasco. A comunista China também criticou Israel (e indiretamente os Estados Unidos) pelos ataques, e já se declarou contrária a qualquer solução militar para o conflito.

Nas próximas semanas, Estados e Unidos e Rússia devem organizar uma reunião para tentar uma saída diplomática para os conflitos na Síria. O anuncio, motivado pela ação israelense e as denúncias da ONU sobre armas químicas, pode agora ser o prenúncio do fim da guerra.

Fique Ligado

Antes de mais nada, a primeira questão que se coloca para entender o que está por trás da notícia desta semana é o conflito que entre árabes e judeus no Oriente Médio. Em segundo lugar a própria questão política da Síria e a sua inserção no que se convencionou chamar de primavera árabe. Nesse sentido, o "Direto ao ponto" do segundo item dos links abaixo apresenta um resumo muito preciso da situação, em seus aspectos básicos. Finalmente, vale a pena conhecer melhor o Hizbollah, o grupo xiita libanês.

 

Árabes e judeus

 

Primavera árabe

 

Hizbollah

Direto ao ponto

Ataques aéreos israelenses contra bases militares na Síria, nos dias 3 e 5 de maio, aumentaram a tensão no Oriente Médio. A guerra civil na Síria, que já dura dois anos, matou 700 mil pessoas e deixou milhares de refugiados.

 

Israel manteve, até então, a neutralidade no conflito. Os ataques, porém, não significam que os israelenses estejam apoiando as forças rebeldes. Pelo contrário, eles até preferem o ditador Bashar al-Assad no poder do que insurgentes ligados a radicais islâmicos.

 

O objetivo de Israel foi impedir que um suposto carregamento de armas chegasse até os militantes do Hizbollah, no Líbano, com que Israel esteve em guerra em 2006. Mesmo assim, uma prometida retaliação do regime sírio poderia causar uma guerra envolvendo outras nações.

 

Outro elemento que agravou a crise na Síria foram informações controversas sobre o uso de armas químicas no país. A confirmação poderia justificar uma intervenção militar liderada pelos Estados Unidos.

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