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Nudez e protestos: Seios nus viram arma política

José Renato Salatiel

Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Desde o início dos protestos de egípcios na Praça Tahrir, do Ocupe Wall Street, nos Estados Unidos, e dos Indignados, na Espanha, nenhuma imagem se tornou mais popular nos meios de comunicação do que as ativistas ucranianas do Femen.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

Loiras, jovens, bonitas, maquiadas e de seios à mostra, as integrantes do grupo popularizaram a nudez como forma de manifestação e deram um novo rosto ao feminismo no século 21.

Críticos, no entanto, dizem que elas esvaziaram o protesto ao exporem o corpo feminino ao voyerismo e à pornografia das redes de comunicação, incentivando justamente aquilo que pretendem combater. O fato é que conseguiram chamar a atenção e se tornaram uma "marca" internacional.

No mais recente protesto, uma manifestante do Femen, seminua, tentou roubar a taça da Eurocopa 2012 em um evento promocional em Kiev, capital da Ucrânia. Os jogos serão realizados em junho no país e na vizinha Polônia.

Para o coletivo feminista, a competição incentivará o turismo sexual e a prostituição na Ucrânia, negócios clandestinos que estão entre os principais alvos das "guerreiras de topless". A campanha contra os jogos tem o slogan "A Ucrânia não é um prostíbulo".

Como em todas as ousadas manifestações do grupo, essa terminou com a manifestante presa e mais processos na Justiça.

Foram vários atos desde a criação do grupo em 2008. Com a bandeira de lutar contra o sexismo e a tradição patriarcal, as ativistas defendem causas tão abrangentes quanto a legalização do aborto e a punição aos responsáveis pela crise econômica.

Na Ucrânia, foram às ruas de Kiev contra a prostituição, o turismo sexual, o casamento arranjado pela internet e o estupro e morte de uma jovem de 18 anos (ocorrido em março). Na Rússia, engrossaram o coro contra a eleição do presidente Vladimir Putin; na Bulgária, investiram contra a violência doméstica; na Itália, o alvo foi o ex-premiê Silvio Berlusconi; e, em Paris, o motivo da fúria foi o ex-diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn, acusado de estupro.

Apesar de belas e vestindo adereços delicados - como a típica grinalda ucraniana de flores -, as meninas são incisivas. As performances incluem cartazes exibindo frases agressivas, xingamentos, palavrões e resistência à prisão. Tudo registrado por fotógrafos e cinegrafistas de jornais, agências de notícias e TVs de todo o mundo.

O Femen (de fêmur em latim, palavra que alude a feminismo e à força) foi fundado por jovens universitárias ucranianas com idades entre 18 e 20 anos. O coletivo possui hoje 300 filiados e cerca de 40 ativistas que, mais atraentes, fazem topless. A fonte de renda provém de doações individuais e da venda de produtos como camisetas, bolsas, canetas e até pinturas feitas com os seios.

Prostituição

A Ucrânia é um país da Europa Oriental que faz fronteira com a Rússia, a Polônia e a Hungria. No século 20, o país ficou quase 70 anos sob o controle soviético, até reconquistar a independência em 1991, após a queda do Muro de Berlim.

As mulheres ucranianas possuem direitos constitucionais iguais aos dos homens e muitas sustentam suas famílias. A população feminina corresponde a 54% da população (estimada em 45,8 milhões de habitantes) e 45% da força de trabalho. Mais de 60% das ucranianas possuem formação superior. Apesar disso, as mulheres são 80% do total de desempregados no país.

Assim como a maior parte do continente, o país teve a economia atingida pela crise de 2008. Sem emprego ou recursos para custear os estudos, jovens foram atraídas para a prostituição. A prática é ilegal na Ucrânia, mas o governo faz vistas grossas. De acordo com o Instituto Ucraniano de Estudos Sociais, havia, em 2011, 500 mil mulheres trabalhando como prostitutas no país, a maioria na capital.

O Femen surgiu neste contexto e redefiniu o feminismo na Europa, que possui uma longa tradição de luta por direitos das mulheres. Nos anos 1920 foi fundada na própria Ucrânia uma das maiores organizações feministas do continente europeu, a União das Mulheres Ucranianas. Durante o período do regime soviético, o feminismo foi sufocado na Europa Oriental.

Entre os novos grupos feministas europeus, o Femen se destacou por usar o corpo feminino como uma forma de chamar a atenção da imprensa internacional. O sucesso fez com que a organização abrisse "filiais" em países como Estados Unidos, Japão, China e Brasil.

Mais do que um movimento respeitado, se tornaram ícones na cultura rebelde, assim como as feministas que queimavam sutiãs nos anos 1960. Críticas, porém, apontam o risco de elas se tornarem vítimas da própria criatividade: será que suas mensagens conseguem ir além de um par de belos seios que vendem jornais e geram audiência para as TVs?

Direto ao ponto

As ucranianas do Femen ganharam a atenção da imprensa mundial em protestos feitos com os seios à mostra. Tornaram-se, assim, um dos mais importantes grupos feministas europeus em atividade.

 

No mais recente protesto, uma manifestante do Femen, seminua, tentou roubar a taça da Eurocopa 2012, em um evento promocional em Kiev, capital da Ucrânia. Os jogos serão realizados em junho no país e na vizinha Polônia. Segundo o coletivo, a competição vai estimular a indústria do sexo no país.

 

O grupo foi criado em 2008 e possui 300 filiados e cerca de 40 ativistas que fazem topless nas manifestações contra a prostituição, o turismo sexual, a corrupção e outros temas ligados aos direitos da mulher. O movimento se espalhou por países da Europa e chegou até o Brasil.

 

José Renato Salatiel

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