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Bin Laden - Morre o terrorista mais procurado do mundo

José Renato Salatiel, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Osama bin Laden, responsável pelo maior ataque terrorista em solo norte-americano, foi morto no último domingo (1º. de maio) por forças especiais da Marinha dos Estados Unidos. Ele estava escondido em uma cidade próxima à Islamabad, capital do Paquistão. O saudita, de 54 anos, era o homem mais procurado no mundo.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

A morte de Bin Laden foi anunciada pelo presidente norte-americano Barack Obama. De acordo com a Casa Branca, o líder da Al-Qaeda resistiu à prisão e foi baleado na cabeça e no peito. O corpo foi lançado ao mar após um ritual religioso feito conforme a tradição islâmica. O motivo do sepultamento no oceano seria o fato de que dificilmente algum país aceitaria receber os restos mortais do terrorista para um funeral.

O anúncio da morte do terrorista foi comemorado em Nova York e em Washington, cidades alvos dos ataques do 11 de setembro. O governo dos Estados Unidos decretou alerta máximo em bases militares e para viagens turísticas, em vista de eventuais retaliações de radicais islâmicos.

As consequências da morte de Bin Laden, porém, ainda são incertas. Os seguidores do extremista em todo mundo poderão se unir em torno de sua figura de mártir, ou então, o fim da caçada ao terrorista poderá abreviar o término da guerra no Afeganistão, iniciada para promover sua captura e de outros líderes da Al Qaeda.

O que é certo, dizem os analistas, é que o episódio não foi o capítulo final da luta contra o terrorismo globalizado.

Nos últimos anos, Bin Laden exercia uma influência mais simbólica do que efetiva no comando da Al Qaeda. Os esforços por sua captura o obrigavam a viver em esconderijos e com poucos contatos. Na prática, o egípcio Ayman al-Zawahiri, sucessor de Bin Laden, responderia pelo controle da rede terrorista. Al-Zawahiri ocupa o segundo lugar na lista dos mais procurados do governo norte-americano.
 

Paquistão

Bin Laden estava escondido em uma mansão na cidade de Abbottabad, localizada a cerca de 50 km da capital paquistanesa. A cidade abriga a principal academia militar do país. Ele estaria refugiado no país há pelo menos cinco anos.

Outras quatro pessoas - entre elas um dos filhos de Bin Laden - foram mortas na operação, que contou com 20 militares do Seals (forças especiais da Marinha norte-americana). Os militares invadiram a fortaleza em dois helicópteros, numa ação que durou cerca de 40 minutos.

Autoridades paquistanesas só ficaram sabendo da operação militar após seu término, numa clara violação da soberania do país asiático. O atrito diplomático entre as duas nações foi alimentado por desconfianças, por parte dos americanos, de que o terrorista tenha tido apoio de pessoas ligadas ao governo do Paquistão.
 

Hitler

O plano de Bin Laden era recriar o Império Otomano, a única potência muçulmana a desafiar o Ocidente entre os séculos 15 e 17. O que ele conseguiu foi redefinir o terrorismo no século 21, que se tornou globalizado, e entrar para o imaginário dos americanos como a encarnação do mal, do mesmo modo que Hitler no século passado.

Bin Laden nasceu em Riad, na Arábia Saudita, em 10 de março de 1957. Era um dos 52 filhos de Muhamad Bin Laden, um camponês que se tornou magnata da construção civil e que usou sua fortuna para financiar uma "guerra santa" contra as duas superpotências militares do século 20, os Estados Unidos e a antiga União Soviética.

Após a invasão do Afeganistão por tropas soviéticas em 1979, pai e filho receberam apoio da CIA, o serviço secreto americano, para combater os comunistas. A Al Qaeda foi fundada por Bin Laden em 1988, um ano antes da retirada dos soviéticos do território afegão.

Em 1989, o terrorista retornou ao país de origem. Com o início da Guerra do Golfo (Kuwait), em 1991, ele criticou a monarquia saudita por abrigar soldados americanos no país durante a guerra contra Saddam Hussein. Ele então fugiu para o país vizinho, o Sudão, onde passou a financiar campos de treinamento de terroristas. A pressão de Washington o levou a ser expulso do país africano e buscar abrigo no Afeganistão.

Em 7 de agosto de 1998 Bin Laden foi responsabilizado pelo ataque contra embaixadas norte-americanas na Tanzânia e no Quênia, que deixaram 224 mortos e milhares de feridos. Por conta disso, no ano seguinte ele foi incluído na lista do FBI das dez pessoas mais procuradas do mundo.

Em 11 de setembro de 2001, terroristas sequestraram quatro aviões americanos de passageiros. Dois deles foram jogados contra as torres gêmeas do World Trade Center em Nova York, e outro sobre o Pentágono, em Washington. A quarta aeronave, a United Flight 93, caiu no interior da Pensilvânia depois que os passageiros reagiram e lutaram contra os agressores. Cerca de 3.000 pessoas morreram nos ataques.

A Al Qaeda foi responsabilizada pelos atentados e Bin Laden se tornou o terrorista mais procurado em todo o mundo. Outras dezenas de crimes foram reivindicadas pela rede terrorista, entre eles os atentados aos trens de Madri, em 2004, e ao metrô londrino, em 2005. Desde então, Bin Laden só aparecia em vídeos gravados, em que fazia ameaça de novos ataques.

No entanto, as revoluções árabes em curso em países como Líbia, Egito, Iêmen e Síria mostraram que o mundo islâmico vislumbra um futuro mais democrático, onde o extremismo religioso perde força e a herança de Bin Laden se torna cada vez mais desbotada.

Direto ao ponto
 
Osama bin Laden foi morto em 1º. de maio de 2011 por forças especiais da Marinha dos Estados Unidos. Ele estava escondido em uma cidade próxima à Islamabad, capital do Paquistão. O saudita, de 54 anos, era o homem mais procurado no mundo e responsável pelo maior ataque terrorista cometido em solo americano.
 
A morte de Bin Laden foi anunciada pelo presidente norte-americano Barack Obama. O terrorista foi morto com dois tiros, na cabeça e no peito, e teve o corpo sepultado no mar. O fim de Bin Laden foi comemorado nos Estados Unidos, que entrou em alerta contra eventuais retaliações da Al Qaeda. A operação militar provocou uma tensão diplomática entre Estados Unidos e Paquistão.
 
O governo paquistanês só soube da invasão à fortaleza do líder terrorista após o término da ação, enquanto os americanos questionaram a ignorância do paradeiro do saudita por parte dos paquistaneses. As consequências da morte de Bin Laden, porém, ainda são incertas. Há anos, sua influência sobre a Al Qaeda era mais simbólica do que efetiva. As revoltas em países árabes, porém, apontam para um destino mais democrático para o mundo muçulmano, bem distante dos ideais do terrorista morto.

 

José Renato Salatiel, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação é jornalista e professor universitário.

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