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Bento 16: Renúncia de Papa expõe crise da Igreja Católica

José Renato Salatiel, especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

(Material atualizado em 30/07/2013, às 11h08)

  • Valter Campanato/ABr

    O papa Bento 16, em visita à Basílica de Nossa Senhora Aparecida, no estado de São Paulo, em 13 de maio de 2007

    O papa Bento 16, em visita à Basílica de Nossa Senhora Aparecida, no estado de São Paulo, em 13 de maio de 2007

O papa Bento 16 surpreendeu o mundo ao anunciar, em 11 de fevereiro, que renunciaria ao cargo no final do mês. O papa alegou que a idade avançada (85 anos) o impediria de continuar no comando da Igreja Católica, que possui mais de um bilhão de devotos em todo o mundo.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

É a primeira vez em quase 600 anos que um papa renuncia. O último clérigo que abdicou o posto vitalício foi Gregório 12, em 1415. Ao longo da história do Catolicismo, um total de 22 papas renunicaram -- por vontade própria ou sob coação --, segundo a pesquisa de um historiador espanhol divulgada pela Agência Efe, no UOL Notícias.

O alemão Joseph Ratzinger assumiu o pontificado em 19 de abril de 2005, após a morte do papa João Paulo 2o, um dos mais populares da história. Ratzinger tinha, na ocasião, 78 anos.

O papa sofre de artrite e reumatismo, doenças comuns na velhice, mas que dificultam o cumprimento de atribuições no Vaticano, como viagens. Bento 16 esteve uma vez no Brasil, em 2007, ocasião em que canonizou Frei Galvão.

Na verdade, um papa exerce duas funções distintas: uma eclesiástica, que é a liderança da Santa Sé, e uma política, a de chefe de Estado da Cidade do Vaticano. O Vaticano é um enclave na cidade de Roma. Ele é considerado o menor país do mundo, com apenas 800 habitantes.

Com a saída de Bento 16, ambos os cargos permanecerão vagos até a escolha de um sucessor, prevista para acontecer em março. O processo de escolha é chamado de conclave e ocorre a portas fechadas na Capela Sistina.

O conclave é formado por um grupo de cardeais de diversas nacionalidades. Eles apontam o novo papa em uma votação secreta. Mas raras vezes um novo pontífice foi eleito com o outro ainda vivo. Por isso, não se sabe qual será o alcance da influência de Bento 16 sobre a escolha de seu sucessor.

Aids

Bento 16 foi um papa conservador, que fez poucas mudanças na Igreja Católica em uma época de transformações sociais e políticas. Ele resistiu a tendências reformistas na igreja, que viam a necessidade de um diálogo com outras religiões e mais atenção a causas polêmicas (aborto e homossexualidade) como forma de renovar a fé católica no mundo.

Numa era de epidemia de Aids e novas relações familiares, o papa manteve um discurso contrário ao uso de preservativos, pregou a abstinência sexual e conservou o veto à comunhão de descasados.

Ele também recusou o fim do celibato e a permissão do matrimônio aos padres, assim como a ordenação de mulheres. Foi também crítico da Teologia da Libertação, um movimento teológico e político que surgiu na América Latina, nos anos 1960, e que combinava cristianismo e marxismo.

Escândalo

Ratzinger foi eleito com a expectativa de ampliar o universo católico na Europa, mas, em seu pontificado, veio à tona um dos maiores escândalos envolvendo a Igreja.

As denúncias de abuso sexual de crianças por sacerdotes eram antigas. Entretanto, as acusações ganharam força entre 2009 e 2010 com o surgimento de provas contra dezenas de religiosos, em países como Estados Unidos, Irlanda e Alemanha.

O Vaticano foi acusado de omissão e tentativa de acobertar os casos, por apenas transferir os padres suspeitos de suas paróquias e evitar que fossem expostos em processos judiciais. Grupos de defesa das vítimas de abuso pressionaram a Cúria Romana para que adotasse medidas mais rigorosas.

O papa começou a ser alvo de protestos em suas visitas a países europeus e, em um gesto inédito, admitiu os “pecados da igreja” e pediu desculpas às vítimas de abuso.

Gays

Bento 16 também foi criticado por ignorar os avanços na luta pelos direitos de minorias sexuais, que incluem a aprovação de legislações sobre o aborto e o casamento gay.

Em documentos e discursos, o papa condenou o aborto com o argumento de defesa da vida humana (o mesmo usado contra a eutanásia), confirmando a posição de seus antecessores. Do mesmo modo, manteve-se contrário ao casamento de pessoas do mesmo sexo, pelo fato de a igreja pregar que o principal objetivo do casamento (e do sexo) é a procriação.

As manifestações contra ele, mais uma vez, tornaram-se frequentes em suas viagens e aparições públicas. Em agosto de 2011, em sua visita a Madri, a polícia reprimiu um “beijaço” de gays durante seu trajeto. Mais recentemente, em janeiro deste ano, ativistas do grupo feminista Femen protestaram, seminuas, na praça do Vaticano durante a bênção dominical do papa. Elas defendiam os direitos dos homossexuais.

É neste mundo conturbado que o Vaticano deve escolher o novo papa. A missão dele, a frente de uma das instituições mais antigas do mundo, será quase impossível: decifrar o enigma da Esfinge da Modernidade, que devora tradições e valores.

 

Fique Ligado

Para o estudante secundarista e o vestibulando, a renúncia do papa Bento 16 é um gancho para tratar de questões históricas relaciondas ao cristianismo e à igreja católica. É um convite ao estudo desses temas pela perspectiva da história geral. Como complemento, vale conhecer o que dizem os estudos históricos sobre Jesus Cristo, por uma perspectiva laica.

Direto ao ponto

O papa Bento 16 anunciou, no dia 11 de fevereiro, que vai renunciar ao cargo no final do mês. É a segunda renúncia de um papa nos últimos 600 anos. O papa alegou que a idade avançada (85 anos) o impede de continuar no comando da Igreja Católica.

 

O alemão Joseph Ratzinger assumiu o pontificado em 19 de abril de 2005, após a morte do papa João Paulo 2o, um dos mais populares da história. Com a saída de Bento 16, o pontificado ficará vago até a escolha de um novo papa, que deve acontecer em março.

 

Bento 16 foi um papa conservador que não promoveu grandes mudanças na Igreja Católica. Em uma era de epidemia de Aids, foi contrário ao uso de preservativos. Ele também recusou a permissão do matrimônio aos padres e a ordenação de mulheres. Manteve-se contrário ao aborto e ao casamento gay, sendo criticado por isso.

 

Durante seu pontificado, a igreja foi alvo de denúncias de abuso sexual de crianças por sacerdotes. Foi um dos maiores escândalos envolvendo o Vaticano, o que contribuiu para a perda de fieis na Europa, berço do catolicismo.

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José Renato Salatiel, especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

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