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América - 2013: Ano será de transições políticas e preocupações econômicas

José Renato Salatiel*

Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

  • Télam/Agencia Nacional de Noticias

    A presidente da Argentina Cristina Kirchner fala à imprensa durante a Cúpula do Mercosul em Brasília. O cenário econômico argentino está em rápida deterioração

    A presidente da Argentina Cristina Kirchner fala à imprensa durante a Cúpula do Mercosul em Brasília. O cenário econômico argentino está em rápida deterioração

O ano de 2013 começa com importantes decisões na política e na economia do continente americano.

Nos Estados Unidos, o chamado abismo fiscal foi evitado com a aprovação de um acordo pelo Congresso no dia 1o. Abismo fiscal é um conjunto de medidas, como corte de gastos públicos e aumento de impostos, que, caso fosse efetivado, levaria o país a uma nova recessão e afetaria todo o mundo.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

O objetivo dessas ações, previstas em lei, era reduzir a dívida pública do governo, que chega a US$ 16,4 trilhões. Mas, em uma economia ainda em recuperação da crise de 2008, elas teriam o efeito de reduzir o PIB (Produto Interno Bruto) e aumentar a taxa de desemprego.

O acordo firmado entre democratas e republicanos prevê o aumento de impostos apenas para a parcela mais rica da população – pessoas que ganham acima de US$ 400 mil (R$ 800 mil) por ano. Para esses americanos, a taxa sobre os rendimentos passará de 35% para 39,5%. É o primeiro aumento de impostos em duas décadas, mas com impacto bem menor sobre a economia, graças ao acordo.

O presidente Barack Obama foi reeleito em 2012 e será empossado dia 21 de janeiro. No campo da política, o próximo desafio será tentar aprovar uma lei de controle de armas de fogo no país. O assunto voltou à agenda após o massacre de 26 pessoas na escola de Newtown, em Connecticut, em 14 de dezembro.

Esquerda

Na América Latina, a maior expectativa é quanto à saúde do presidente venezuelano Hugo Chávez, que se recupera da mais recente cirurgia para tratamento de um câncer na região pélvica.

Chávez está hospitalizado em Cuba e não se sabe se ele conseguirá tomar posse para cumprir seu quarto mandato consecutivo, no dia 10 de janeiro. Ele é o presidente há mais tempo no cargo na América Latina.

Especialistas acreditam que, no caso de Chávez ficar impossibilitado de assumir a Presidência, será o fim da “revolução bolivariana”. O movimento populista de esquerda inaugurado pelo presidente venezuelano se caracterizou pela nacionalização da economia, ampliação dos poderes do Executivo e expansão de projetos sociais, financiados pela exportação de petróleo.

A Venezuela é hoje o país com a maior reserva de petróleo no mundo, vantagem que Chávez usou também para conquistar partidários na região.

Cuba é o principal aliado do governo venezuelano. O país é um dos últimos regimes comunistas do mundo e, desde o afastamento de Fidel Castro, por questões de saúde, passa por um período de reformas políticas e econômicas.

Uma das mudanças mais esperadas é a nova lei migratória, que entra em vigor dia 14. Ela deve acabar com as restrições para que cubanos saiam da ilha, um veto de mais de cinco décadas. Outra novidade, essa mais preocupante para os cubanos, é o anúncio de aumento de impostos, que eram praticamente nulos no país.

Censura?

Nas duas maiores economias da América do Sul, Brasil e Argentina, as atenções este ano estarão voltadas para as finanças.

No Brasil, houve um aumento de apenas 0,6% da economia no último terceiro trimestre, o que reduziu as expectativas de crescimento anual para abaixo de 1%, menos do que a média de 3,1% estimada para a América Latina.

O ano também será de preparação da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas em 2016, sobretudo no âmbito da infraestrutura.

Na Argentina, o descontentamento com a política econômica abalou a confiança da população no governo da presidente Cristina Kirchner. Ela é acusada de manipular dados sobre a inflação no país. Além disso, a nova política cambial prejudicou importações e até viagens dos argentinos ao exterior.

Outra atitude controversa do governo foi a aprovação da chamada Lei da Mídia, que limita o número de licenças de veículos de comunicação. Na prática, a medida afeta diretamente o Clarín, o maior grupo de comunicação argentino e principal crítico de Kirchner.

Maconha

Contudo, em matéria de projetos polêmicos, o Uruguai é o país que mais se destaca no continente. Em outubro de 2012, o Congresso uruguaio aprovou a lei que descriminaliza o aborto, com algumas restrições. Na América Latina, região de forte influência do Catolicismo, apenas Cuba, Guiana e Porto Rico autorizam a interrupção voluntária da gravidez.

Em dezembro, a Câmara aprovou o casamento gay, projeto que será votado no Senado em abril deste ano.

Os parlamentares uruguaios devem apreciar ainda este ano uma proposta de produção e comercialização da maconha pelo Estado. Ela tem entre seus defensores o próprio presidente, José Mujica.

Já os paraguaios vão às urnas em 21 de abril para escolher um novo presidente. Em junho, Fernando Lugo foi destituído do cargo após um tumultuado impeachment que transcorreu em menos de 24 horas. Em represália ao modo como ocorreu o processo de afastamento, o Paraguai foi suspenso temporariamente do Mercosul.

Fique Ligado

O artigo desta semana faz um balanço da situação política e econômica das Américas, visando a ressaltar questões que podem dominar o noticiário sobre o continente ao longo de 2013. É possível aprofundar o entendimento dos fatos abordados revendo outros artigos publicados na seção de Atualidades do UOL Educação em 2012.

 

Reeleição de Barack Obama

 

Massacre no Colorado

 

Reeleição de Hugo Chávez

 

Desaceleração da economia brasileira

 

Direto ao ponto

O ano de 2013 começa com decisões importantes na política e na economia das Américas. Nos Estados Unidos, o Congresso aprovou um acordo para evitar o abismo fiscal, uma série de medidas, como corte de gastos públicos e aumento de impostos, que poderia levar o país a outra recessão.

 

A Lei 11.705, conhecida como Lei Seca, foi aprovada em junho de 2008. Ela penaliza com multa, suspensão da carteira de habilitação e até detenção, motoristas que trafeguem sob o efeito do consumo de bebidas alcoólicas.

 

Na América Latina, a maior expectativa é quanto à saúde do presidente venezuelano Hugo Chávez, que se recupera de uma cirurgia para tratamento de câncer. Ele foi reeleito pela quarta vez em 2012 e, caso não consiga ser empossado, poderá ser o fim da “revolução bolivariana”.

 

Em Cuba, um dos últimos regimes comunistas do mundo, entrará em vigor dia 14 a nova lei migratória, que acaba com as restrições para que cubanos saiam da ilha.

 

Nas duas maiores economias da América do Sul, Brasil e Argentina, as atenções estarão voltadas para as finanças. A economia brasileira cresce em ritmo lento (menos de 1% previstos para 2012), enquanto na Argentina, a política econômica derrubou a popularidade da presidente Cristina Kirchner.

 

Já o Uruguai, que aprovou a descriminalização do aborto, deve discutir agora o casamento gay e a legalização da maconha. No Paraguai, a população vai às urnas para escolher o substituto do presidente Fernando Lugo, alvo de impeachment ano passado.

José Renato Salatiel*

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