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50 anos da morte de JFK - Conflito com Cuba e luta pelos direitos civis marcaram seu governo

Na foto, os irmão Robert Kennedy, Ted Kennedy e John Kennedy - Wikimedia Commons
Na foto, os irmão Robert Kennedy, Ted Kennedy e John Kennedy Imagem: Wikimedia Commons

Andréia Martins

Da Novelo Comunicação

Há 50 anos o mundo recebia a chocante notícia da morte do então presidente norte-americano John Fitzgerald Kennedy, conhecido como JFK. Ele foi morto a tiros em Dallas, no Texas, no dia 22 de novembro de 1963, durante um desfile presidencial. Estava no 3º ano do mandato iniciado em 1960. Lee Harvey Oswald, um ex-fuzileiro naval, confessou o crime, que até hoje desperta dúvidas nos norte-americanos.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

Em 1960, ele, então senador, surpreendeu ao conseguir a indicação como candidato do partido Democrata. Seu adversário era o vice-presidente republicano, Richard Nixon, que sairia vitorioso para a maioria.

Eleito, JFK se tornou um dos mais populares – e mais jovens – presidentes norte-americanos. No discurso de posse, disse uma frase que ficou para a história: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você -- pergunte o que você pode fazer por seu país”.

Como presidente, seus programas econômicos lançaram o país no maior crescimento sustentado desde a 2ª Guerra Mundial. Enfrentou alas conservadoras que eram contra a sua política antissegregação racial e seu governo foi marcado por episódios importantes para a história dos EUA, como a invasão da Baía dos Porcos e a crise dos mísseis de Cuba, o início da corrida espacial, a consolidação do Movimento dos Direitos Civis no país e os primeiros eventos da Guerra do Vietnã.

Relações com URSS e Cuba

Durante a Guerra Fria (1945-1989), EUA e URSS travaram uma corrida espacial, cujos feitos de cada país serviam também como uma demonstração de poder. O clima de coexistência pacífica vingou até o início dos anos 1960, quando a disputa pelo espaço ficou acirrada, com a URSS saindo na frente. Em 12 de abril de 1961, o cosmonauta soviético Yuri Gagarin se tornou o primeiro homem a viajar para o espaço em um voo orbital.

Os EUA reagiram colocando Alan Shepard no espaço a bordo da Freedom 7, em 5 de maio de 1961. Mas o feito norte-americano não poderia ser comparado ao soviético. Então, o presidente Kennedy estabeleceu uma meta para a Nasa: levar o homem à Lua antes do final da década de 1960. A missão foi realizada em 20 de julho de 1969, com Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na Lua. Kennedy não teve tempo de ver a missão cumprida.

Foi também durante o governo de Kennedy que as relações dos EUA com Cuba se definiram. Quando ele chegou à presidência, em 1960, as relações com Cuba já não eram das melhores. Seu antecessor, Dwight David Eisenhower, estava decidido a derrubar o regime de Fidel Castro, em Cuba, e traçou um plano para isso, que seria colocado em prática por Kennedy. Na época a aproximação dos cubanos da União Soviética preocupavam os EUA.

O plano de treinar cubanos anti-Castro que voltariam a Cuba na tentativa de derrubar o regime de Fidel foi um fracasso total. O episódio ficou conhecido como Invasão da Baía dos Porcos e selou de vez o rompimento das relações entre os dois países. Em dezembro de 1961, Fidel aderiu ao comunismo, oficializando a aproximação com a URSS.

Em 1962, Cuba passou a armazenar mísseis soviéticos em seu território. Em toda a Guerra Fria, nunca EUA e URSS estiveram tão próximos de um confronto armado como nesse período, que durou 13 dias e foi chamado de Crise dos Mísseis.

A partir desse episódio, os EUA decidiram conter o avanço comunista na América. Começaram a financiar e apoiar golpes militares e a instalação de regimes ditatoriais na América Latina e a oferecer planos econômicos para os países da região, visando aumentar a dependência deles para com os EUA.

Alguns documentos encontrados nas bibliotecas John F. Kennedy e Lyndon B. Johnson trazem referências ao golpe militar ocorrido no Brasil em 1964. Na época, o presidente João Goulart, Jango, e o presidente Kennedy mantinham uma relação meramente diplomática.

Os direitos civis e a política antissegregação racial

Na política externa Kennedy seguiu a política dos antecessores, reforçando a oposição à URSS e aos seus apoiadores, e apoiou o envio de tropas norte-americanas para a Guerra do Vietnã. Já na política interna Kennedy é lembrado por ter defendido o fim da segregação racial, despertando a ira da população dos Estados que eram a favor da separação de direitos de acordo com a raça e da ala mais conservadora dos políticos norte-americanos.

Nos anos 1960, muitos episódios fizeram com que o movimento de direitos civis avançasse na busca por igualdade. Eram anos de muita violência contra a população negra, especialmente nos Estados do sul, com atuação do grupo extremista Ku Klux Klan. Em 1961, teve início uma onda de protestos na Carolina do Norte, pelo fim da segregação em escolas, lanchonetes, restaurantes e outros estabelecimentos que não permitiam a entrada de negros -- mesmo com a Suprema Corte tendo considerado a segregação racial inconstitucional desde 1954.

Em 1962, o estudante negro James Meredith só conseguiu entrar na universidade do Mississipi escoltado por agentes federais, a pedido de Kennedy, após ganhar uma apelação na Justiça garantindo o direito de cursar a universidade. Em agosto de 1963, um ano marcado por protestos violentos, aconteceria a histórica marcha em Washington, onde Martin Luther King faria o discurso "Eu Tenho um Sonho".

Kennedy era a contra a realização da marcha por temer que algo desse errado. Ele havia acabado de apresentar uma proposta de lei para abolir a discriminação racial (a Lei dos Direitos Civis) e qualquer episódio negativo ligado ao movimento poderia comprometer a causa. No entanto, a marcha reuniu 200.000 pessoas e não registrou nenhum problema. Menos de três meses depois, Kennedy seria assassinado durante um cortejo em carro aberto em Dallas, no Texas, uma das cidades mais conservadoras do país no que dizia respeito à igualdade racial.

A morte

JFK era um político carismático e sedutor, que fazia parte da família, Kennedy, uma das mais ricas e poderosas dos EUA. Ele e sua elegante esposa, Jacqueline, eram um casal admirado pela população. A morte, em um período conturbado de seu governo, acabou transformando-o em mito.

O assassinato nunca foi esclarecido por completo. Existem dezenas de teorias da conspiração sobre as circunstâncias em que JFK realmente morreu. Entre elas, uma vingança da máfia, um plano bem elaborado da KGB (agência secreta soviética) ou de agentes de Fidel e ainda um complô dentro do próprio governo norte-americano financiado por políticos e empresários que não gostava de sua política favorável aos negros.

No entanto, três investigações oficiais do governo dos EUA mostraram que Lee Harvey Oswald, ex-fuzileiro naval que havia retornado ao país, foi o único responsável pela morte de JFK, que levou dois tiros, um na cabeça, e outro no pescoço. Oswald acabou tendo um fim igualmente trágico: foi morto por Jack Porty, um empresário da noite de Dallas, com um tiro na barriga, no momento em que era transferido da prisão, dois dias depois de ter assassinado Kennedy.

DIRETO AO PONTO

A família Kennedy foi alvo de muitas tragédias em diferentes gerações, mas a principal delas segue sendo o assassinato do então presidente dos EUA, John Fitzgerald Kennedy, em 22 de novembro de 1963, em Dallas, no Texas, uma cidade que não acompanha os ideais antissegregação do presidente.

 

Eleito para o mandado de 1960-1964 em uma vitória contra Richard Nixon, o governo Kennedy ficou conhecido por ter buscado igualdade e justiça social entre negros e brancos (embora muitos questionem sua motivação), lançou o desafio da ida do homem à Lua, na corrida espacial, no contexto da Guerra Fria. Ele tentou conter a liderança de Cuba na região, selando a rivalidade entre os dois países, e denunciou a existência de ogivas nucleares soviéticas na ilha governada por Fidel Castro.

 

E foi a partir deste último episódio que os EUA começou a temer o avanço do regime comunista na América. Começaram a financiar e apoiar golpes militares e a instalação de regimes ditatoriais na América Latina e a oferecer planos econômicos para os países da região, visando aumentar a influência dos EUA. Entre eles, o golpe militar ocorrido em 1964 no Brasil, articulado com o vice de Kennedy, Lyndon Johnson, no poder.

 

Desde sua morte, muitas são as teorias sobre o real motivo do assassinato. Há quem acredite que o crime foi uma ação solitária do ex-fuzileiro naval Lee Harvey Oswald, enquanto outros acreditam em teorias da conspiração envolvendo a máfia, Cuba, a KGB e até políticos norte-americanos insatisfeitos com os rumos do governo Kennedy –principalmente no que diz respeito ao seu apoio à igualdade racial. Em 50 anos da morte de Kennedy, as teorias só aumentaram, mas nada foi comprovado até hoje.

Andréia Martins é jornalista

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