Topo

Pesquisa escolar

Atualidades


URSS - O fim - Boris Ieltsin e o fim do regime socialista na Rússia

Antonio Carlos Olivieri, Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

(Atualizado em 22/04/2014, às 16h31)

O ex-presidente russo Boris Ieltsin, morto a 23 de abril de 2007, foi protagonista de um dos fatos mais importantes da recente história mundial: o fim da União Soviética. Esse Estado se originou da revolução socialista na Rússia, em 1917, e se estabeleceu em 1922, ao fim de uma longa guerra civil.

A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (CCCP, em russo) tornou-se uma federação de 15 repúblicas multiétnicas, sob supremacia russa. Foi o primeiro país do mundo a adotar esse regime político-econômico e, nesse sentido, um imenso laboratório onde se puseram a prova as teorias do socialismo científico.

Porém, ao contrário do que preconizava Karl Marx, cujas idéias orientaram os socialistas russos, a revolução que deveria a acabar com a sociedade de classes e instituir uma utopia igualitária, a partir da ditadura do proletariado, transformou-se rapidamente na ditadura de um partido único, nas mãos de suas primeiras lideranças, Lênin e, depois, Stálin.

Sob o governo deste último, a política se transformou num monopólio do Partido Comunista da União Soviética, a ditadura intensificou seu caráter autoritário e repressivo e desenvolveu-se o culto à personalidade. Isto é, Stálin foi endeusado e identificado pela população com o próprio Estado soviético.

Entretanto, o endurecimento do regime stalinista talvez seja um dos fatores que permitiu à União Soviética a enfrentar a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. Da guerra, a URSS emergiu como superpotência militar. Nessa condição, até os anos 1980, disputou com os Estados Unidos da América a hegemonia do poder mundial.

Fracasso do planejamento

Na União Soviética, partir da década de 1970, o planejamento econômico, pilar do regime socialista (por oposição ao livre-mercado) começou a dar sinais de esgotamento. O controle rígido da economia pela burocracia estatal gerou estagnação em vez de crescimento. O Estado determinava o que e quanto produzir, onde comprar matérias-primas, qual o preço das mercadorias e o salário dos trabalhadores.

Os burocratas do partido só se preocupavam em cumprir as metas estabelecidas. A falta de concorrência levava ao desinteresse por um aprimoramento da qualidade dos produtos, bem como não havia motivo para oferecer à população uma grande variedade de bens de consumo - considerados luxos burgueses. Os grandes investimentos se destinavam à indústria bélica, para fazer frente aos Estados Unidos.

Aos poucos, o desabastecimento até de mercadorias de primeira necessidade tornou-se a regra da economia soviética. Ficaram mundialmente famosas as longas filas e os cartões de racionamento para a compra de pão ou leite. Paralelamente, desenvolveu-se um mercado negro e a corrupção começou a se generalizar no governo do país, cujas lideranças gozavam de privilégios e mordomias.

Perestroika e glasnost

Nesse pano de fundo, em 1985, subiu ao poder Mikhail Gorbatchov, aos 54 anos de idade. Tratava-se de um governante muito jovem pelos padrões da burocracia soviética. Tratava-se também de um político que via necessidades de reformas para evitar o colapso de seu país.

Gorbatchov procurou promover uma reestruturação ("perestroika", em russo) da economia, desmilitarizando-a e descentralizando-a. Introduziu elementos da economia de mercado na União Soviética, abrindo-a ao capital estrangeiro, promovendo privatizações e fechando empresas deficitárias. Nesse sentido, talvez tentasse repetir a Nova Política Econômica, com que Lênin, nos anos 1920, reintroduziu elementos capitalistas na economia soviética para preservar o regime.

Ao contrário de seu ilustre antecessor, Gorbatchov promoveu simultaneamente uma abertura política, a que chamou de "glasnost" (transparência, em português). Com ela, restabeleceu-se o pluripartidarismo, aboliu-se a censura, e libertaram-se presos políticos, além de se incentivar a liberalização dos regimes dos países do Leste Europeu, onde a economia planejada também fracassava e a insatisfação popular aumentava dia a dia.

No entanto, as medidas não foram suficientes para reverter a crise econômica do país e Gorbatchov começou a perder popularidade. Aproveitando-se disso, antigas lideranças do Partido Comunista aliados a chefes militares tentaram dar um golpe de Estado em agosto de 1991.

Ieltsin e a resistência

Foi justamente Boris Ieltsin quem assumiu a liderança da população contra o golpe, entrincheirando-se no Parlamento soviético e mostrando-se determinado a resistir da maneira que fosse necessária. Diante dessa inesperada reação popular, os golpistas acabaram por libertar Gorbatchov que retomou o comando da União. Ieltsin, por sua vez, foi eleito presidente da Rússia, a principal das repúblicas soviéticas.

Em momentos de ruptura, o ritmo dos acontecimentos históricos se aceleram: em setembro de 91, a Lituânia, a Estônia e a Letônia se proclamaram independentes da União Soviética. Em dezembro do mesmo ano, a Rússia, a Ucrânia e a Bielo-Rússia (atual Belarus) se reuniram numa Comunidade de Estados Independentes. Diante disso, na prática a União Soviética não existia mais. Gorbatchov renunciou e declarou a extinção da URSS no último dia do ano.

Presidência de Ieltsin

Ieltsin conseguiu manter-se à frente do governo russo até 1999, mas sua gestão destruiu a imagem heróica de estadista que adquirira com os acontecimentos que puseram fim a URSS. Exerceu o poder de maneira autoritária e populista, não conseguindo resolver os problemas da Rússia: pelo contrário, o país mergulhou no caos econômico e o crime organizado se desenvolveu intensamente.

Enfraquecido no plano político e com a saúde abalada (também devido aos seus excessos alcoólicos que se tornaram notórios), Ieltsin renunciou em 31 de dezembro de 1999, nomeando para seu lugar Vladimir Putin. 

 

 

Antonio Carlos Olivieri, Da Página 3 Pedagogia & Comunicação é escritor, jornalista e diretor da Página 3 Pedagogia & Comunicação. <a href=mailto:olivieri@pagina3ped.com><u>olivieri@pagina3ped.com</u></a>

Mais Atualidades