Atualidades

Tensão: Coreia do Norte e EUA aumentam os rumores de uma possível guerra

Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

  • AFP

Em setembro, a Coreia do Norte lançou um míssil que cruzou o território do Japão e caiu no Oceano Pacífico. O país também afirma que testou com sucesso uma bomba termonuclear, mais destrutiva que bombas atômicas. No mês anterior, o presidente norte-coreano Kim Jong-un já havia lançado dois mísseis balísticos com sucesso, com potencial para alcançar outros continentes.

Após o teste do primeiro míssil balístico intercontinental, a televisão estatal norte-coreana divulgou imagens chamando o artefato de “presente aos Estados Unidos”. Kim Jong-un prometeu novos lançamentos. Como reação, os EUA realizaram testes balísticos na Coreia do Sul.

O que se seguiu foi uma “guerra verbal”. O presidente americano, Donald Trump, ameaçou a Coreia do Norte com uma chuva de “fogo e fúria como o mundo nunca viu”. Kim Jong-un rebateu e disse que choveria mísseis perto da ilha de Guam, território americano do Pacífico, onde os EUA possui uma base militar onde vivem seis mil soldados norte-americanos. 

Essas arriscadas manobras militares refletem a escalada da tensão entre Coreia do Norte e Estados Unidos, rivais históricos. O número de testes nucleares e as ameaças recíprocas se intensificaram este ano, o que deixou o mundo em alerta, com medo de uma possível guerra. Muitos já consideram o momento atual como a maior ameaça nuclear em 50 anos.

Para analistas internacionais, o perfil das lideranças contribui para o ruído diplomático. Tanto Kim Jong-un quanto Trump são conhecidos por declarações polêmicas e pelo temperamento forte. Ambos optaram por sinalizar uma demonstração de força e de poder de fogo. 

A reação de países vizinhos

Como reação à escalada de ameaças, alguns países começaram uma campanha de pressão diplomática e econômica em relação à Coreia do Norte. O Conselho de Segurança da ONU condenou os lançamentos dos mísseis norte-coreanos e aprovou sanções à Coreia do Norte, que inclui a proibição de importações de produtos como carvão, ferro e chumbo. Outras sanções ao país já haviam sido realizadas antes, devido ao programa nuclear.

A China é o maior parceiro comercial do regime comunista de Kim Jong-un, sendo responsável por 90% das trocas comerciais. Em agosto, os chineses suspenderam a importação de alguns produtos norte-coreanos, como o carvão. Para pressionar ainda mais, o presidente norte-americano ameaçou cortar relações comerciais com todos os países que mantenham negócios com os norte-coreanos. Apesar disso, Pequim se opõe a maiores sanções que poderiam desestabilizar a Coreia do Norte e seu regime.

A Coreia do Sul permanece alinhada aos EUA, seu aliado histórico. O país representa uma importante zona de segurança na região da Ásia e abriga tropas norte-americanas e sistemas de defesa antiaérea. No entanto, a Coreia do Sul é o alvo mais vulnerável em uma possível guerra. Os aliados já estudam estratégias militares em caso de conflito.

A Rússia, antiga aliada da Coreia do Norte, já declarou que é a favor de parar o programa nuclear norte-coreano, mas é contra os exercícios militares conjuntos dos EUA e da Coreia do Sul. Moscou também já disse que não é contra o regime comunista de Kim Jong-un e que respeita a sua autonomia.

Como surgiram as duas Coreias e seu contexto na Guerra Fria

No início do século 20, a Coreia do Norte e a Coreia do Sul eram um só país. Em 1905, a Coreia foi ocupada pelo Japão, que pretendia instalar ali uma espécie de colônia. A reação coreana contra o domínio japonês aconteceu em 1919, com um movimento de independência. A violenta reação nipônica foi seguida da formação de um governo coreano no exílio. Mas a ocupação japonesa perdurou até 1945.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1943-1945), os Estados Unidos e a União Soviética eram aliados. Os países buscaram derrotar o Japão e comprometeram-se a apoiar a independência coreana. As forças soviéticas entraram pelo norte da Coreia e as norte-americanas pelo sul. O país foi dividido provisoriamente por uma linha que corria ao longo do paralelo 38, para pressionar a rendição das forças japonesas.

A Guerra Fria polarizou o mundo sob a influência das duas superpotências da época: a União Soviética, comunista, e os Estados Unidos, capitalista. Com forte ocupação militar, a Coreia sofreu influência direta dos dois países, refletindo a tensão ideológica, política e econômica daquele momento.

A União Soviética reconheceu a República Popular Democrática da Coreia como um governo comunista, tendo a cidade de Pyongyang como capital. Os EUA também estimularam o desenvolvimento e a organização política em sua área de influência, reconhecendo o governo do sul, com capital em Seul.

A Revolução Comunista da China estimulou o norte da Coreia a buscar o controle total da península. Em 1950, a rivalidade entre as duas regiões culminou em guerra civil, a chamada Guerra da Coreia. Os EUA e a ONU enviaram tropas e armas para apoiar os combatentes do sul. Quando a Coreia do Norte foi invadida, a China se posicionou em apoio ao governo do norte.  A ofensiva chinesa obrigou o recuo das tropas do Ocidente. O conflito durou três anos e terminou com a separação definitiva das duas regiões.

Apesar de terem assinado um acordo armistício de cessar-fogo, até hoje as duas coreias nunca terminaram oficialmente a guerra. O clima é de tensão permanente. Com 4 km de largura e 245 km de extensão, a fronteira entre os países é considerada a mais militarizada do mundo. Cerca de um milhão de soldados estão a postos na região.  

Durante a Guerra Fria, a Coreia do Norte recebeu ajuda financeira da União Soviética, da China e dos países da Europa oriental. Houve um período de grande crescimento econômico. Após a queda do Muro de Berlim e o colapso da União Soviética, o país se tornou mais pobre e a economia estagnou.

Atualmente a Coreia do Norte é vista como uma das sociedades mais isoladas do mundo, com as fronteiras mais fechadas para estrangeiros. O sistema de governo é considerado totalitário, no qual os cidadãos não tem liberdade para sair do país e a informação é controlada pelo Governo. Existe um verdadeiro culto à personalidade de seus líderes. O país também é acusado de violar direitos humanos e deixar a população em situação de pobreza e vulnerabilidade. Já a Coreia do Sul é o vizinho “rico”. O país possui um sólido parque industrial, tecnologia de ponta e está inserido no comércio global.

Coreia do Norte: a corrida para ser tornar uma potência nuclear

Durante a década de 1990, a Coreia do Norte começou a sinalizar que estava desenvolvendo um programa nuclear, o que provocou alarme em todo o mundo. A ONU e os países ocidentais realizaram várias tentativas para convencer a Coreia do Norte de desistir do programa nuclear, em troca de concessões políticas e econômicas. Apesar disso, todos os esforços falharam.

Para analistas, a existência de armas nucleares significa uma garantia de sobrevivência do regime de Pyongyang, já abalado por uma economia fragilizada. Por ser uma “carta na manga” na relação com diversos países, é improvável que a Coreia do Norte suspenda o seu programa nuclear.

Este ano, com o aumento das tensões relativas à escalada armada com os EUA, a imprensa oficial da Coreia do Norte declarou que um conflito na Península Coreana “pode desembocar em uma guerra nuclear”. É justamente essa possibilidade que faz o Ocidente temer ainda mais o regime de Kim Jong-un.

Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

UOL Cursos Online

Todos os cursos