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Prêmio Nobel (1): Uma das recompensas de maior prestígio do mundo

Manuela Martinez, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Todos os anos, cientistas, políticos, jornalistas e representantes de entidades não-governamentais aguardam com muita ansiedade e expectativa o anúncio dos vencedores de um dos prêmios de maior prestígio no mundo, o Nobel. Como surgiu essa premiação que, desde o seu início, em 1901, desperta a atenção do público internacional e garante a definitiva celebridade de seus ganhadores?

Os vencedores do "Nobel" devem o prêmio ao inventor sueco Alfred Nobel (1833/1896). Detentor de mais de 350 patentes e milionário em consequência de suas descobertas na área de explosivos, principalmente a dinamite, Alfred Nobel deixou, em seu testamento, um pedido: a criação de uma fundação para financiar, todos os anos, cinco prêmios internacionais.

O testamento de Nobel também relacionava as categorias que deveriam ser contempladas com a premiação: física, química, medicina, literatura, além de um prêmio destinado às pessoas que mais se empenhassem para levar a paz a todos os países. No final da década de 60, os responsáveis pela administração da fundação também criaram o prêmio para as ciências econômicas.



Premiação

A cerimônia de premiação acontece anualmente em duas cidades: Oslo, na Noruega, e Estocolmo, na Suécia, em 10 de dezembro, data da morte de Alfred Nobel. Muitas instituições participam da escolha dos premiados, entre as quais a Academia Real de Ciências da Suécia (prêmios de química, física e economia), a Academia de Literatura da Suécia (literatura) e o Comitê Nobel da Noruega (paz).

As personalidades indicadas por cada país são analisadas por especialistas de cada área. Depois da triagem, as instituições escolhem os vencedores. Além de uma importância em dinheiro (atualmente cerca de US$ 900 mil), todos os vencedores ganham uma medalha de ouro e um diploma.



Brasil excluído

Nos últimos anos, muitos brasileiros foram relacionados como possíveis ganhadores do Prêmio Nobel. Na literatura, três nomes sempre foram muito cotados: o baiano Jorge Amado, o mineiro Carlos Drummond de Andrade e o pernambucano João Cabral de Melo Neto.

Outros dois brasileiros que dedicaram grande parte de suas vidas à luta pela paz também foram indicados para receber o prêmio: Herbert de Souza, o Betinho, e Maria Rita Lopes Pontes, a irmã Dulce. No entanto, nenhum dos brasileiros acabou sendo contemplado. Por quê? Talvez pela subjetividade inerente à decisão do júri.

Como a avaliação dos indicados ao prêmio envolve critérios subjetivos, a escolha dos vencedores do Nobel, às vezes, costuma ser criticada por organismos internacionais e representantes de governos. Isto acontece porque, à semelhança do "Oscar" - premiação concedida pela Academia Americana de Cinema aos melhores filmes -, nem sempre os indicados de maior mérito são contemplados.

Na América do Sul, até 2007, três escritores receberam o Nobel: os chilenos Gabriela Mistral e Pablo Neruda, bem como o colombiano Gabriel García Márquez. Entre os escritores de língua portuguesa, o primeiro a ser contemplado com o prêmio foi José Saramago.



Jean-Paul Sartre

Pelo regulamento do Prêmio Nobel, os vencedores podem recusar o recebimento da distinção. Um dos casos mais famosos de recusa coube ao filósofo, escritor e intelectual francês Jean-Paul Sartre (1905/1980).

O autor de "A Náusea" e "Crítica da Razão Dialética" foi contemplado com o Nobel de Literatura em 1964, mas encaminhou uma carta à fundação recusando a premiação. Em seu texto, Sartre explicou que não aceitava ser submetido a julgamentos.

Manuela Martinez, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

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