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Poluição: 92% da população global respira ar poluído

Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

  • Suzie Wong/Reuters

    Mulher usando máscara passa de bicicleta por chaminés e torres de resfriamento de usina siderúrgica em Pequim, na China

    Mulher usando máscara passa de bicicleta por chaminés e torres de resfriamento de usina siderúrgica em Pequim, na China

Pontos-chave

  • Um relatório da Organização Mundial da Saúde publicado em setembro conclui que 92% da população mundial vive em locais onde a poluição do ar excede os limites estabelecidos pela organização.
     
  • A poluição põe a saúde em risco e pode provocar doenças e mortes precoces.
     
  • A OMS estima que cerca de 3 milhões de mortes ao ano estejam ligadas à poluição externa do ar.

Faça uma pausa para inspirar e expirar. Não importa onde você vive, as chances dos seus pulmões inalarem poluição são altas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nove em cada dez pessoas respiram mal no mundo. O ar limpo está se tornando um privilégio de poucos.

Os dados são de um relatório da entidade publicado em setembro, que alerta que 92% da população global vive atualmente em áreas onde os níveis de qualidade do ar ultrapassam os limites mínimos de segurança estabelecidos pela entidade.

O estudo recolheu amostras do ar em mais de três mil localidades rurais e urbanas pelo planeta. A qualidade do ar está piorando na maioria das cidades monitoradas e o ambiente está cada vez mais degradado. Entre 2008 e 2013, os níveis de poluição aumentaram em 8%.  Como os países continuam a se industrializar e se urbanizar, a tendência é que esse número aumente.

Na pesquisa, foram detectadas partículas poluentes presentes no ar como o dióxido de enxofre (SO2), monóxido de carbono (CO) e dióxido de nitrogênio (NO2). O limite de tolerância determina se o ambiente é considerado insalubre. A OMS recomenda que a concentração de partículas não ultrapasse 25 ppm (partes por milhão).

A poluição do ar tem uma relação direta com a qualidade da saúde humana e hoje é a principal causa ambiental de doenças. No corpo, partículas poluídas podem provocar irritação nos olhos, dor de cabeça, tontura e sonolência. Em alta concentração, podem causar doenças respiratórias, cardíacas, derrame e diversos tipos de câncer, como o de pulmão. Reduzir a poluição ajuda as famílias a ficarem mais saudáveis, economizarem em gastos médicos e aumenta a produtividade no trabalho.

A OMS estima que cerca de 3 milhões de mortes ao ano estejam ligadas à poluição externa do ar. De acordo com a organização, quase 90% delas são registradas em países de baixo desenvolvimento. As regiões mais afetadas são a África, o Oriente Médio e a Ásia. Quase dois em cada três óbitos foram contabilizados no sudeste asiático e em regiões ocidentais do Pacífico.

Quem lidera o ranking dos países mais contaminados é o Turcomenistão, com 108 mortes por cada 100 mil habitantes. Depois vêm Afeganistão, Egito, China e Índia.

No Brasil, a média foi de 14 mortes a cada 100 mil habitantes, um nível considerado moderado. A pior cidade é Santa Gertrudes, em São Paulo, que aparece como a 175ª cidade mais poluída do mundo. A culpa é de um polo industrial de produção de cerâmica.

As principais fontes de poluição do ar resultam da queima de combustíveis fósseis, ao aumento da frota de veículos motorizados nas cidades, às atividades industriais em geral e à queima do lixo.

Nos países asiáticos, o uso de termoelétricas para gerar energia é responsável por grande parte dos poluentes atmosféricos. Já na África, muitas regiões são desertas e pouco povoadas. As partículas de poluição não provêm da indústria, mas da poeira do deserto transportada pelo vento. Em ambas as regiões também é comum a poluição provocada pelo uso de madeira, esterco ou biomassa para aquecer o fogão. Atualmente, 17% das emissões mundiais de CO2 são produzidas no cozimento doméstico.

As crianças constituem o grupo de maior vulnerabilidade à poluição. Elas respiram duas vezes mais rápido do que um adulto, e seus sistemas respiratório e imunológico são mais vulneráveis. A Unicef estima que 1 em cada 6 mortes de crianças com menos de cinco anos em 2015 deveu-se à pneumonia, uma doença em que metade dos casos ocorrem por poluição ambiental.

O país mais poluente do mundo é a China. O uso de carvão como principal fonte de energia, o amplo parque industrial e o número crescente de veículos faz com que parte do país esteja permanentemente encoberto por uma névoa opaca de poluentes. Em alguns lugares, a concentração de partículas de poluição chega a ser centenas de vezes mais densa que o recomendado pela OMS. É comum os chineses saírem na rua com máscaras cirúrgicas para se protegerem da poluição ambiental.

Em 2014, a Academia de Ciências Sociais de Xangai publicou um relatório dizendo que a poluição severa de Pequim estava tornando a cidade inabitável para humanos. Num dia poluído em Pequim, a concentração de partículas finas atinge 300 microgramas por metro cúbico. O nível máximo recomendado é 25 por dia.

Na Índia, as termoelétricas são as principais responsáveis por grande parte dos poluentes atmosféricos. A cidade de Nova Déli já apresenta 900 microgramas de partículas poluentes por metro cúbico. Nas zonas rurais do país, o que preocupa é a poluição interna, aquela produzida dentro das casas. Ela é provocada pela queima de combustíveis ao cozinhar – 81% das casas rurais do país usam biomassa para aquecer os alimentos.

A poluição atmosférica causa danos ao meio ambiente e provoca chuva ácida (contaminando rios e lagos) e o efeito estufa. A deposição dos poluentes atmosféricos nas plantas pode levar à redução da sua capacidade de fotossíntese, provocando, por exemplo, queda da produtividade agrícola (e da produção de alimentos) e o desequilíbrio de ecossistemas.

Nas cidades europeias, a principal causa de poluentes é o gás que sai dos escapamentos dos carros. Na Europa, a OMS calcula que as emissões geradas pelos automóveis são responsáveis por 75 mil mortes prematuras todos os anos.

O Brasil também possui zonas de alta concentração de poluentes. Na cidade de São Paulo (SP), 5 mil mortes seriam evitadas anualmente se a recomendação da OMS fosse atingida. E mais: um paulistano que tem hoje 30 anos poderia ter a sua expectativa de vida ampliada em quase 16 meses se a poluição do ar da cidade estivesse em um limite seguro.

Como solucionar?

Diminuir a poluição atmosférica de uma cidade envolve uma série complexa de iniciativas: um bom planejamento urbano, um sistema eficiente de mobilidade (o que reduz o número de veículos em circulação), o uso adequado do solo e a redução da utilização de carvão e madeira para energia.

Na Índia, já existem fogões movidos a energia solar. Na Espanha, diversas cidades estão limitando a circulação de carros e investindo em transporte público. Na China, o governo anunciou uma série de medidas para tentar recuperar a qualidade do ar das principais cidades. O investimento em tecnologias limpas, como a energia solar, está ficando cada vez mais comum.

Em 2015, o Acordo de Paris sobre o clima conseguiu a adesão de 195 países para o compromisso de adotar medidas que reduzam as emissões de gases de efeito estufa, causadores do aumento da temperatura global. O pacto faz com que novas medidas sustentáveis sejam implementadas.

Uma das soluções mais simples e eficientes para combater a poluição urbana é o plantio de árvores. Elas filtram o ar sujo e podem remover até um quarto do material particulado no raio de algumas centenas de metros.

Além disso, elas também esfriam o clima. Uma árvore pode diminuir a temperatura à sua volta em até 2º C, o que reduz as ilhas e ondas de calor e os efeitos do aquecimento global. A Organização das Nações Unidas (ONU) recomenda que uma cidade tenha pelo menos 12 metros quadrados de área verde por habitante.

Um recente estudo da organização The Nature Conservancy (TNC) revela que um investimento global de US$ 100 milhões ao ano em plantio de árvores pode oferecer cidades mais frescas a 77 milhões de pessoas, além de decréscimos mensuráveis da poluição a 68 milhões de habitantes.

Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

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