Pan-africanismo - Após a Segunda Guerra, tensões étnicas se intensificam na África
O pan-africanismo, proposto após a Segunda Guerra, esbarrou na existência de várias "Áfricas", resultantes de sua própria história e de séculos de dominação.
As guerras em Moçambique, Angola e na África Central confirmam essa afirmação.
A partir da expansão marítima europeia, interesses econômicos nortearam a exploração do continente: metais preciosos, matérias-primas e escravos, tendo o tráfico negreiro estimulado disputas intertribais preexistentes.
Com a Segunda Revolução Industrial, desenvolveu-se um novo colonialismo, legitimado pela "missão civilizadora" do homem branco. Na Conferência de Berlim (1884-85), as potências imperialistas fragmentaram a África, ignorando a diversidade étnico-cultural do continente. Fronteiras retilíneas separaram grupos e aglutinaram rivais, acentuando os problemas.
Apesar da diversidade, forjou-se uma certa unidade desses povos, que organizaram movimentos culturais, partidos políticos e ações armadas para alcançar a independência, em plena Guerra Fria.
Os Estados Unidos apoiaram a descolonização, temendo que o radicalismo das lutas favorecesse a ampliação do bloco socialista. As elites coloniais comandaram o processo, formando dezenas de países após 1950, nos quais as rivalidades persistiram.
Portugal foi a última resistência à dissolução do colonialismo formal. Nos anos 60, em Guiné Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Angola começavam as lutas de libertação, influenciadas pelo modelo soviético.
A queda do salazarismo e a redemocratização levaram ao reconhecimento da independência das colônias africanas em 75, onde se desencadearam guerras civis. O fracasso de sucessivos acordos de paz só fez aumentar o atraso e a desorganização.
Em Moçambique, a socialista Frelimo assumiu o poder, enfrentando a oposição da anticomunista Renamo. Nos anos 90, os conflitos continuaram, embora a Frelimo tivesse abandonado o marxismo.
Em Angola, confrontaram-se três grupos guerrilheiros de ideologias e etnias diferentes: MPLA, socialista, apoiado por Cuba e União Soviética; FNLA (dissolvida no fim dos anos 70) e Unita, de alinhamento pró-ocidental, auxiliadas pelos Estados Unidos e pela África do Sul.
A vitória do MPLA nas eleições de 92 não foi aceita pela Unita, apesar de reconhecida por vários países. Forças do governo e rebeldes ainda combatem pelo controle de áreas do território, rico em petróleo, diamantes, minérios e produtos agrícolas.
Com o fim da Guerra Fria, outras tensões étnico-tribais explodiram, reforçadas pela marginalização social e pela estagnação econômica.
Os embates entre hutus e tutsis, na África Central, criaram um quadro de massacres e instabilidade política em Ruanda, Burundi e República Democrática do Congo (ex-Zaire, antigo Congo Belga).
Não despertando os mesmos interesses do passado, a África é cenário de violações dos direitos humanos, denunciadas pela Anistia Internacional, mas pouco ouvidas.
No passado, milhões foram arrancados de suas terras e trazidos para a América como escravos; atualmente, milhões de refugiados e vítimas das minas terrestres e das guerras civis anseiam por uma paz permanente.
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