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Geografia: geólogos afirmam que a Terra tem um novo continente

Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

  • Nasa

No dicionário, o continente se refere a uma grande massa de terra cercada por águas oceânicas. Em mapas tradicionais de muitas escolas é comum a representação da Terra em cinco continentes: América, África, Europa, Ásia e Oceania. Porém, os geólogos consideram essa classificação deficiente, por não levar em conta critérios geológicos.

As concepções de mundo expressas através da cartografia também são aproximações passíveis de ajustes e revisões. Não existe ainda uma definição padrão para o número de continentes no mundo. Uma divisão mais aceita no modelo geológico os classifica como seis: África, América do Norte, América do Sul, Antártida, Austrália e Eurásia (combinando Europa e Ásia). 

Um grande bloco da crosta terrestre (camada externa da Terra), situado no sudoeste do Oceano Pacífico, está sendo considerado por alguns cientistas como um novo continente.

Comandada pelo geólogo o geólogo neozelandês Nick Mortimer, a pesquisa foi publicada em fevereiro de 2017 pelo GNS Science, instituto de pesquisa da Nova Zelândia. 

Segundo os pesquisadores, a Nova Zelândia e a Nova Caledônia não são apenas cadeias de ilhas. Elas fazem parte de uma placa de crosta continental distinta da Austrália. O novo continente foi batizado de Zelândia e teria um território de 4, 9 milhões de quilômetros quadrados, aproximadamente metade da Austrália.

Se a Zelândia fosse elevada oficialmente ao posto de continente, seria o menor do mundo. Além disso, 94% do seu território se encontra submerso no Pacífico. Entre os 6% que estão visíveis na sua superfície, destacam-se as duas ilhas do norte e do sul da Nova Zelândia (inspiração para o nome do continente) e o arquipélago da Nova Caledônia.

Arte/Geological Society of America's Journal
O mapa publicado no 'Geological Society of America's Journal' traz os continentes conhecidos mais os limites da Zelândia

O novo continente já havia sido proposto em 1995 pelo norte-americano Bruce Luyendyk. Mas naquela época, não havia dados suficientes para comprovar sua existência. “Isso não é uma descoberta repentina, mas gradual. Há dez anos, não teríamos a quantidade de informação ou confiança de interpretação para escrever isso no papel”, escreveram os pesquisadores do GNS Science. Agora os cientistas buscam o reconhecimento científico da Zelândia.

Para uma massa de terra ser considerada um continente, os especialistas levam em conta os seguintes critérios:

1. Terra que sobe relativamente alto do fundo do oceano.

2. Uma diversidade de três tipos de rochas: ígneo, metamórfica e sedimentar.

3. Uma camada mais densa de crosta se comparada com a parte cercada pelo chão do oceano.

4. Limites bem definidos ao redor da área para ela ser considerada um continente em vez de um microcontinente ou fragmento continental.

Segundo os pesquisadores, apesar de ser uma massa “escondida” e submersa, a Zelândia apresenta as principais características geológicas e geofísicas que definem as áreas da crosta continental em oposição às da crosta oceânica. A região é composta por rochas continentais, como o granito, e ainda está separada da vizinha Austrália por uma fenda.

“Se não fosse pelo nível do mar, a gente já teria reconhecido a Zelândia como um continente”, declarou o cientista Nick Mortimer. A teoria mais aceita é que há 100 milhões de anos, a Antártida, a Austrália e a Zelândia formavam um único continente, o Gondwana. Uma separação teria ocorrido há cerca de 85 milhões de anos.

Em julho, um grupo de cientistas iniciou uma expedição oceânica na região para analisar as características geológicas da Zelândia. A “Expedição 371” conta com um navio de perfuração que visitará seis pontos do Mar de Tasman (entre a Austrália e a Nova Zelândia). O navio realizará a perfuração de núcleos de sedimentos e rochas da crosta terrestre para estudar suas características.

O continente Pangeia

Como se formaram os continentes da Terra? No início do século 20, o cientista alemão Alfred Wegener (1880-1930) desenvolveu uma teoria chamada Deriva Continental. Segundo ele, os continentes atuais são originários de um único e gigantesco continente que existiu há milhões de anos, denominado Pangeia (do grego, terra total).

Wegener reparou que a forma do relevo litorâneo da América do Sul se encaixa com a forma do relevo da África. Ele ainda estudou determinados vestígios de animais e plantas fossilizados. A existência das mesmas espécies em locais diferentes seriam evidências da ruptura. 

Há 200 milhões de anos, o continente Pangeia teria começado a se dividir em dois grandes blocos: a Laurásia e a Gondwana. Esses blocos teriam se afastado lentamente um do outro e se fragmentado. Esse processo teria dado origem à atual configuração dos continentes.

A teoria da deriva dos continentes levou ao desenvolvimento da teoria das placas tectônicas. Segundo essa teoria, a litosfera compõe-se de placas rochosas, denominadas placas tectônicas. Elas flutuam sobre o material do manto, a camada situada entre a crosta e o núcleo da Terra. Ao serem impulsionadas pelas correntes de calor que vem do interior do planeta, as placas movem-se lentamente em diferentes direções, cerca de alguns milímetros por ano.

Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

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