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Emojis - Imagens que 'substituem' as palavras na comunicação

Os emojis são símbolos que são interpretados conforme a plataforma onde são visualizados. Na imagem, as variações do emoji "rosto mostrando a língua" no iOS, Android, Twitter e no Windows Phone - Montagem UOL com imagens do emojipedia.org
Os emojis são símbolos que são interpretados conforme a plataforma onde são visualizados. Na imagem, as variações do emoji "rosto mostrando a língua" no iOS, Android, Twitter e no Windows Phone Imagem: Montagem UOL com imagens do emojipedia.org

Carolina Cunha

Da Novelo Comunicação

Se você quer transmitir uma emoção em mensagem via smartphone ou em conversas virtuais nas redes sociais, provavelmente já deve ter usado o coração, a mão de “joinha”, as palmas ou a cara feliz amarela. 

Uma recente pesquisa do Google descobriu que a palavra mais escrita via SMS ou chat em 2014 não era uma palavra, mas um desenho de coração vermelho. De acordo com a empresa, a imagem e suas variações aparecem bilhões de vezes por dia pelo mundo. 

Comidas, animais, transportes, pessoas, sentimentos. Todos esses desenhos coloridos que aparecem como opção no seu teclado são chamadas de emojis, imagens que representam graficamente qualquer objeto, expressão, ideia ou conceito. Elas são um fenômeno cultural, se tornaram fundamentais na comunicação e estão mudando a forma de nos expressarmos. 

Emoticon versus Emojis 

O emoji é uma forma de linguagem pictográfica em mensagens de texto. Surgido no Japão na década de 1990 foi criado por uma companhia telefônica como uma opção para deixar as mensagens de texto mais divertidas e emocionais. O termo é resultado da união das palavras nipônicas para imagem, escrita e caractere e em 2015, foi incluído no vocabulário oficial do dicionário Webster. 

De acordo com o dicionário britânico, emojis são “pequenas imagens, símbolos ou ícones usados em campos de texto em comunicações eletrônicas (como em SMS, e-mails e redes sociais) para expressar uma atitude emocional do escritor, transmitir informações sucintas, comunicar uma mensagem brincalhona sem usar palavras”. 

O emoji pode ser considerado como uma evolução do emoticon, termo criado a partir das palavras inglesas emotion (emoção) e icon (ícone). Os emoticons surgiram nos EUA em 1982 a partir de sequências de caracteres do teclado padrão, tais como :-) ou :-(. Foram muito usados em programas de chat como o MSN Messenger e ICQ. 

A primeira biblioteca de emojis reuniu 176 imagens com 12 x 12 pixels de resolução, tendo em comum a capacidade de expressar as emoções humanas em “carinhas”.  São caracterizados por pertencerem a uma biblioteca de figuras prontas, que podem ser traduzidas como “pictogramas”. Os emojis também agrupam símbolos originalmente considerados emoticons, porém apenas em suas versões em desenho.

Os pictogramas são usados há muito tempo no design para sinalização de lugares ou em peças gráficas e fazem uma reprodução exata do que querem indicar. Também existem em fontes (letras) criadas por designers  e que são chamadas de dingbats. Por exemplo, para representar uma árvore, usa-se o desenho de uma árvore tradicional, com tronco e folhas. 

Emojis vieram para ficar e seu uso está crescendo em rápida velocidade. Segundo a Unicode Consortium, organização que regula a codificação na internet, o mundo tem mais 1.000 ícones catalogados. A entidade é responsável pela análise, aprovação e a interpretação correta dos emojis criados em todo o mundo por empresas de tecnologia.

Os emojis são catalogados, recebem um nome e podem ser consultados na Emojipedia (http://emojipedia.org/). A cada segundo um emoji está sendo digitado. Para os mais curiosos, o site Emojitracker mostra em tempo real quais são os emojis utilizados na plataforma Twitter (http://emojitracker.com/). 

Nessa onda ninguém quer ficar de fora. Cada vez mais empresas de tecnologia estão adotando os emojis para os teclados de seus usuários. Não apenas os celulares, mas sites e aplicativos. Em sua última atualização, a plataforma de conteúdo Wordpress agora suporta a utilização de emojis em textos e até em URLs. Existe ainda uma rede social apenas de emojis, a Emojili. 

Emojis e a linguagem

As primeiras formas de representação do homem foram as pinturas rupestres em cavernas. Imagens gráficas ou sinais são usadas como linguagem desde a Antiguidade, como a escrita cuneiforme dos sumérios, os desenhos dos maias e os hieróglifos egípcios. Hoje existem línguas que usam ideogramas (imagens que representam ideias), como os kanjis, símbolos não fonéticos usados na China, Taiwan e no Japão. 

Para Thomas Dimson, engenheiro de software do app Hyperlapse, a popularidade do emoji representa a ascensão de uma nova linguagem. Ele realizou um estudo que aponta que em 2014 os emojis representaram quase metade das palavras utilizadas em comentários, legendas e hashtags no Instagram. 

Para algumas pessoas, os caracteres com imagens podem ser considerados como um “alfabeto” digital, um novo sistema linguístico de comunicação que tem o uso do computador como mediador da interação verbal. 

Mas o fenômeno do uso dessas imagens já ultrapassou os meios digitais. Em fevereiro de 2014, uma versão do livro Moby Dick escrita com emojis em vez de palavras foi aceito no acervo do Library of Congress. Chamado Emoji Dick. O projeto representou um marco na aceitação dessa forma de comunicação. 

Será que chegaremos ao tempo que voltaremos a nos comunicar apenas por imagens em vez de textos como no Egito antigo? Críticos acreditam que os caracteres empobrecem a linguagem e não conseguem transmitir a complexidade e riqueza de um assunto. Seria muito difícil surgir uma obra literária em emoji que não soasse como um grande resumo de ideias. 

Ainda é cedo para saber o futuro dos emojis e principalmente se eles têm potencial para se tornarem um idioma ou uma forma de comunicação complexa. O mais provável é que continuem a ser usados de forma complementar, em mensagens coloquiais que combinem texto escrito e imagens. 

Mas os jovens da geração Z já estão crescendo com esse fenômeno. De acordo com uma pesquisa da empresa Talk Talk, 72% dos jovens entre 18 e 25 anos consideram mais fácil usar o emojis para expressar sentimentos. 

Segundo um estudo da Universidade da Califórnia, nos EUA, o emoji traz uma sensação psicológica de intimidade e proximidade na esfera virtual, uma maior conexão com o outro. Muitas vezes o emoji também é usado para reforçar um tom de voz ou sentido de uma ideia e até para quando não se tem mais nada a dizer, mas é necessária uma comunicação. 

Na linguagem não verbal, o sujeito que comunica está comunicando algo a alguém, só que sem o uso de palavras. É por isso que o símbolo deve ser de fácil reconhecimento. Toda imagem corre o risco de ser ambígua e interpretada erroneamente pelo receptor, já que sua interpretação depende do repertório cultural e pessoal de quem a recebe. É por isso que um bom emoji representa uma ideia facilmente identificada e compreendida por uma cultura, ultrapassando os limites linguísticos e verbais. 

O problema da necessidade de ser um ícone de compreensão universal é que muitos críticos avaliam que os emojis estão repletos de estereótipos, principalmente quando se refere a diferentes povos e culturas. Por exemplo, se referir a um indiano com um desenho de turbante na cabeça. 

Este ano, a Apple anunciou que seus dispositivos contarão com 300 novos emojis que buscam refletir a diversidade de pessoas no mundo, com tons de pele diferentes, variações familiares e moedas de vários países e bandeiras. No futuro próximo, o emoji poderá ser personalizado pelo usuário de acordo com as características que ele deseja, com opções que o ajudem a desenvolver sua própria versão da linguagem visual. 

BIBLIOGRAFIA 

CASTELLS, Manuel. A sociedade em Rede – a era da informação: economia, sociedade e cultura – Volume 1. São Paulo: Paz & Terra, 2002.

JOHNSON, Steven. Cultura da Interface: como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

MANOVICH, Lev. The Language of New Media. Cambridge: MIT Press, 2002.

 

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