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Direitos humanos: igualdade salarial entre homens e mulheres só será alcançada em 217 anos

Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

  • iStock/Getty Images

A desigualdade entre homens e mulheres é um problema mundial e voltou a crescer após uma década de avanços. Um estudo do Fórum Econômico Mundial (FEM) de 2017 concluiu que se as mudanças não acelerarem, não será possível eliminar a diferença econômica global entre mulheres e homens nos próximos dois séculos.

O relatório “Global Gender Gap Report 2017” analisou dados de 144 países em quatro temas fundamentais: trabalho, educação, saúde e política dos gêneros. Foram calculados quantos homens e mulheres participam da força de trabalho, a remuneração recebida e o crescimento no emprego. Também foram analisados dados de escolaridade e de representatividade política (mulheres em cargos políticos).

O estudo avaliou que os homens ainda ganham mais do que as mulheres e sua renda está aumentando de forma mais rápida. A renda média anual de uma mulher em 2017 foi de 12 mil dólares, enquanto a média do homem foi de 21 mil dólares. A conclusão é que será preciso mais 217 anos para que ambos os sexos tenham salários e representatividade iguais no mundo trabalho.

Esse foi o segundo ano seguido que a pesquisa registrou piora na desigualdade econômica. Em 2015, a organização havia apontado que seriam necessários 118 anos para atingir a igualdade de gêneros. “Em 2017 nós não deveríamos estar vendo o progresso para a paridade de gênero ter um retrocesso”, afirmou Saadia Zahidi, chefe de educação, gênero e trabalho do Fórum.

Segundo o relatório, nenhum país do mundo conseguiu superar completamente a diferença na renda recebida. A Islândia se manteve na liderança do ranking, seguida por Noruega, Finlândia e Suécia. Já Iêmen, Paquistão, Síria, Chade e Irã aparecem nas piores. Na América Latina, a Nicarágua é o país com o melhor desempenho, ocupando a sexta posição geral.

O Brasil no ranking

O Brasil ocupa 90° posição em ranking de 144 países. Nosso país caiu 11 posições em relação ao ano passado. Os dados mostram o Brasil bem posicionado nas categorias de igualdade na educação e saúde. Na educação, o Brasil conseguiria atingir a igualdade de acesso em apenas 13 anos.

Mas sua média é puxada para baixo por causa da desigualdade política. No quesito representatividade política, pelo ritmo atual, seriam necessários 99 anos para atingir o equilíbrio de gênero. O Brasil aparece na 110º posição, atrás de países como Marrocos, Mali, Argélia, Argentina, Colômbia, Peru, Chile e México.

O Brasil tem poucas mulheres em cargos políticos e no Legislativo. Na Câmara Federal, por exemplo, as mulheres conquistaram apenas 9,9% das cadeiras nas eleições de 2014. No Senado, elas representam 13 das 81 cadeiras (16%). E no governo do presidente Michel Temer, somente 2 dos 28 ministérios são ocupados por mulheres.

Motivos para a desigualdade

Qual seriam os motivos para tanta disparidade econômica? Segundo a pesquisa, em muitos lugares, o que existe é a pura discriminação - mulheres ocupam a mesma função de seus colegas homens e ganham menos para realizar a mesma tarefa.

Mas o principal motivo seria outro: as mulheres ainda são as principais responsáveis pelo cuidado da casa, dos filhos e dos idosos. Com a pausa do trabalho ou a jornada reduzida, diminuem-se também as suas oportunidades de carreira ou até mesmo a possibilidade de voltar a ocupar um emprego bem remunerado. Pesa ainda que mulheres com filhos são preteridas por empresas que não querem pagar benefícios como a licença-maternidade.

Além disso, as mulheres estão associadas a profissões consideradas “típicas de mulher”, onde são geralmente mal pagas. Elas ainda são minoria em áreas que pagam melhor, como o setor financeiro e a indústria de tecnologia. Elas também estão longe dos cargos mais altos - apenas 22% das pessoas que estão em posições de gerência no mundo são mulheres.

Políticas de incentivo à igualdade

As maiores economias do mundo estão estimulando políticas para combater a desigualdade de gênero. “A igualdade de gênero é um imperativo moral e econômico. Alguns países entenderam isso e agora estão colhendo os dividendos das medidas tomadas para tratar o tema”, afirmou Saandia Zahidi, do Fórum Econômico Mundial.  

No Reino Unido, empresas com mais de 150 funcionários são obrigadas a divulgar as diferenças salariais. Dessa forma, uma funcionária poderá constatar se ganha menos que seus colegas na mesma posição. Os governos da Alemanha, Estados Unidos, Suíça e Bélgica também possuem regras semelhantes.

A Islândia é considerada o melhor lugar para ser mulher. Em 2018, o país se tornou o primeiro do mundo a impor igualdade salarial entre homens e mulheres. Agora empregadores que não pagarem o mesmo para ambos os gêneros terão que pagar multa. No país, também existem cotas de gênero e mulheres ocupam 41% dos cargos no parlamento.

“Direitos iguais são direitos humanos. Precisamos garantir que homens e mulheres tenham oportunidades iguais no local de trabalho. É nossa responsabilidade tomar as medidas necessárias para garantir isso”, disse o ministro da Igualdade e Assuntos Sociais da Islândia, Thorsteinn Viglundsson.

Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

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