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CPI dos Correios - Entenda as denúncias que levaram à investigação do caso

Da Redação, Em São Paulo

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) aberta no início do mês de junho, em Brasília, teve origem em denúncias de corrupção envolvendo os Correios e o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ).

A crise começou com a divulgação de uma fita de vídeo em que o ex-diretor do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios Maurício Marinho detalha a dois empresários um esquema de pagamento de propina, supostamente gerido pelo presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ), e outro diretor da empresa, Antônio Osório Batista.

O dinheiro arrecadado com o esquema de corrupção seria usado pelo dirigente do PTB para engordar o caixa do partido, de acordo com as denúncias.

Na gravação, Marinho afirma também que as outras estatais federais, como o Instituto de Resseguros do Brasil, teriam esquemas semelhantes. Diante dessas informações, as lideranças do PFL e do PSDB propuseram a criação de uma CPI mista para investigar as denúncias de corrupção. Inicialmente, a comissão teria os Correios como foco, mas alguns parlamentares oposicionistas admitiam que as investigações chegariam a outras estatais.

PFL e PSDB lideraram articulação em busca de assinaturas para criação da comissão -171 nomes da Câmara e 27 do Senado. Desde o início, os partidos da base contribuíram com a oposição. Começando pelo PTB do próprio Jefferson, PL, PMDB, PSB, PP e PT deram assinaturas para o pedido de CPI.

Investigações
O governo acelerou as investigações da Polícia Federal na tentativa de esvaziar o trabalho da comissão. No dia 24 de maio, a PF indiciou Marinho por fraude e corrupção passiva. Na mesma semana, a polícia ouviu Osório e Fernando Leite de Godoy, que também é citado na gravação.

Coube ao então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e ao ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, reverterem o apoio da base à CPI.

O trabalho começou tarde demais. O requerimento para a criação da CPI foi lido em sessão do Congresso Nacional no dia 25 de maio. O governo teria, portanto, até a meia-noite desse dia para garantir a retirada de aproximadamente 85 assinaturas de deputados. Se a estratégia fosse bem sucedida, a CPI seria engavetada.

Durante as negociações, o PTB, que ameaçava deixar os cargos do governo, retirou o apoio à comissão. O PL, PP e PSB também garantiram a retirada das assinaturas até meia-noite. No entanto, o PT manteve as assinaturas e complicou o trabalho do governo. Pouco antes da meia-noite, num esforço inédito da base de apoio, os líderes governistas foram à Secretaria-Geral da Mesa com o número insuficiente de desistências. A oposição comemorou.

Mensalão
Depois das denúncias, o deputado Roberto Jefferson ameaçou apontar casos de corrupção supostamente praticados pelo PT.

No dia 6 de junho, ele cumpriu a promessa. Em entrevista exclusiva à jornalista Renata Lo Prete, editora do Painel da Folha de S.Paulo, o presidente do PTB disse que congressistas aliados do governo Lula recebiam o que chamou de "mensalão" (mesada) de R$ 30 mil do tesoureiro do PT, Delúbio Soares.

Segundo a reportagem, a prática durou até o começo do ano, quando o presidente Lula, segundo Jefferson, tomou conhecimento do caso, pelo próprio petebista.

Outros ministros, como José Dirceu e Antonio Palocci (Fazenda), teriam sido alertados sobre o esquema -que beneficiaria pelo menos o PP e o PL.

Jefferson contou que o presidente Lula havia chorado ao saber da prática do "mensalão". "Tenho notícia de que a fonte secou. A insatisfação está brutal [na base aliada] porque a mesada acabou", disse Roberto Jefferson à Lo Prete.

Durante depoimento à Comissão de Ética da Câmara, no dia 14 de junho, Jefferson reiteirou que não tinha provas de suas denúncias, mas citou supostos integrantes do "mensalão": Valdemar Costa Neto (presidente do PL), José Janene (PP-PR), Pedro Corrêa (PP-PE), Sandro Mabel (PL-GO), Bispo Rodrigues (PL-RJ) e Pedro Henry (PP-MT).

Todos os parlamentares negam as acusações e dizem que Jefferson tenta desviar a atenção da CPI dos Correios para evitar sua cassação.

Em junho, as denúncias de Roberto Jefferson surtiram seus primeiros efeitos na composição do ministério de Lula. José Dirceu, que era considerado um dos homens mais fortes do governo petista, anunciou seu desligamento do cargo de ministro da Casa Civil.

Com informações da Folha Online

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