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Biologia: cientistas descobrem 1.445 novos vírus em seres invertebrados

Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

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    Ilustração do vírus da zika, responsável por epidemia recente

    Ilustração do vírus da zika, responsável por epidemia recente

Pontos-chave

  • Em novo estudo publicado na Nature, cientistas revelam ter descoberto 1.445 novos vírus em seres invertebrados –aqueles sem espinhas dorsais, como insetos, aranhas e vermes.
     
  • Os invertebrados são hospedeiros de uma grande diversidade de vírus.

Eles são organismos microscópicos e apresentam diferentes formas e tamanhos. Estão por toda parte: no ar, no fundo dos oceanos, no subsolo e dentro do corpo humano. Sua estrutura é formada por material genético (moléculas de RNA ou DNA) com uma cobertura de proteína. Alguns cientistas nem os consideram seres vivos, porque não têm metabolismo próprio: para se multiplicar, invadem as células de animais e plantas.

A palavra “vírus” tem origem no latim e significa veneno. Os vírus são considerados como o maior inimigo da vida porque causam doenças como a gripe, dengue, ebola, catapora, zika, sarampo, paralisia infantil, varíola, AIDS, febre amarela, entre muitas outras.

Apesar dos perigos que esse punhado de viroses representam para a saúde, elas são apenas uma pequena fatia da virosfera.

Em novo estudo publicado na revista científica Nature, cientistas revelam ter descoberto 1.445 novos vírus. O trabalho é resultado de uma colaboração entre a Universidade de Sydney e o Centro Chinês para Controle e Prevenção de Doenças em Pequim.

O “mapeamento” desses vírus foi feito com novas tecnologias em metagenômica, método de pesquisa que utiliza o material genético recuperado diretamente a partir de amostras ambientais.

Os cientistas escolheram estudar o material genético de mais de 200 espécies de invertebrados (aqueles que não possuem espinha dorsal), como insetos, aranhas, vermes e moluscos. Muitos deles que vivem próximos a nós. Os invertebrados são o grupo mais populoso do planeta e representam 97% de toda a espécie animal.

“Este estudo inovador reescreve o livro de virologia, mostrando que os invertebrados transportam um número extraordinário de vírus, muito mais do que pensávamos”, disse o professor Edward Holmes, do Instituto Marie Bashir de Doenças Infecciosas e Biossegurança, que liderou as pesquisas em Sydney.

Segundo o professor Holmes, a maioria dos grupos de vírus que infectam vertebrados, incluindo seres humanos, são de fato derivados daqueles presentes em invertebrados, ou seja, eles são os hospedeiros “originais” para muitos tipos de vírus.

O estudo também descobriu que esses vírus estão associados aos invertebrados por bilhões de anos, ao invés de milhões de anos como se acreditava.
Diante das recentes epidemias, a descoberta de 1.445 vírus pode ser considerada assustadora. Mas calma --segundo os cientistas do estudo, é provável que apenas alguns deles sejam patogênicos (causadores de doenças) e que a maioria não seja transmitida facilmente aos humanos.

Apesar de os insetos serem hospedeiros de inúmeros vírus, Holmes avalia ainda que as pessoas não precisam ter medo deles, porque apenas uma minoria provoca doenças contagiosas, como a zika e a dengue. Ele também lembra que os insetos são fundamentais para o equilíbrio do ecossistema.

As conclusões desse estudo podem explicar melhor a origem, a evolução, as formas de transmissão e propagação e as melhores técnicas de tratamento de diferentes doenças causadas por vírus.

Vírus e doenças emergentes

Em 1899, o botânico holandês Martinus Beijerinck (1851-1931) demonstrou que o agente da doença do mosaico do tabaco era menor do que uma bactéria e que de alguma forma ele incorporava-se às células de uma planta hospedeira viva. Ele foi o primeiro a identificar o que seria um vírus e por isso é considerado o "pai da virologia".

Existem vírus em todas as espécies que tem células. Os vírus foram isolados e fotografados pela primeira vez na década de 1950. Desde então, a pesquisa na área da virologia evoluiu em ritmo acelerado, com novas ferramentas de laboratório disponíveis.

É impossível calcular o número total de vírus que existem no planeta e quais serão as doenças do futuro. A certeza é que cada vez mais teremos contato com vírus desconhecidos. Isso porque a população mundial está expandindo e circulando por novas áreas.

Ao entrar em locais nunca antes habitados, o homem pode ter contato com novas espécies e microorganismos estranhos. Nessa situação, o vírus já habitava o local, estando inerte e inofensivo, muitas vezes por milhares de anos. Ao entrar em contato com seres vivos e encontrar condições adequadas, pode se hospedar neles e espalhar infecções até então desconhecidas. São considerados emergentes vírus como o zika vírus e o ebola, responsáveis por recentes epidemias.

Além disso, o vírus pode sofrer mutação em contato com estimulantes externos e novas estirpes virais podem ser formadas pela troca de genes entre diferentes cepas. Por exemplo, quando um animal é infectado por mais de uma cepa viral, seus genes podem se misturar e formar partículas virais com novas propriedades. Cada mutação pode trazer mudanças no comportamento do vírus.

O mundo globalizado representa um desafio à saúde pública. Numa sociedade conectada e que viaja com frequência, vírus letais têm o potencial de se espalhar rapidamente por diversos pontos do planeta, num fenômeno conhecido como pandemia (epidemia globalizada).

Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

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