Papa Francisco: Os desafios do novo pontificado

José Renato Salatiel, especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
(Material atualizado em 30/07/2013, às 11h01)

  • Roberto Stuckert Filho/Presidência da República

    A presidente Dilma Rousseff foi recebida em audiência pelo papa Francisco no Vaticano

    A presidente Dilma Rousseff foi recebida em audiência pelo papa Francisco no Vaticano

O resultado do conclave que apontou o sucessor do papa emérito Bento XVI, no dia 13 de março, foi uma surpresa para o mundo cristão. Pela primeira vez em quase 1.300 anos, o cargo será ocupado por um clérigo nascido fora da Europa.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

O jesuíta argentino Jorge Mario Bergoglio, 76 anos, que adotou o nome de Francisco, terá agora uma série de desafios para reestabelecer a credibilidade da fé cristã em meio a uma das maiores crises da Igreja Católica.

Neste sentido, a opção por um papa latino-americano, o primeiro da história, pode ser analisada como uma estratégia política do Vaticano. A América Latina concentra 45% dos 1,1 bilhão de católicos do mundo, além de ser uma região de expansão do Catolicismo, ao contrário da Europa, que há anos vive um processo de descristianização.

Contribuíram, para esse declínio, os escândalos de corrupção no Vaticano, os casos de pedofilia envolvendo religiosos e a dificuldade da Igreja em lidar com questões como o aborto, o homossexualismo, o divórcio e as conquistas do feminismo nas últimas décadas.

Entretanto, uma das primeiras tarefas do novo papa será tratar de questões administrativas. A Cúria Romana, órgão administrativo da Santa Sé, é alvo de denúncias de corrupção, nepotismo e abusos de poder. As supostas irregularidades tornaram-se públicas com a divulgação de documentos secretos do Vaticano, no ano passado, no escândalo que ficou conhecido como Vatileaks (em referência ao Wikileaks).

Outro assunto interno sobre o qual o papa Francisco deverá se posicionar são as acusações de crimes sexuais cometidos por clérigos. Uma sucessão de acusações de pedofilia envolvendo padres, ao final do papado de João Paulo 2o, gerou severas críticas à Igreja Católica, acusada de tentar encobrir os casos.

Celibato

Mas dificilmente o Papa Francisco, tido como irredutível em questões doutrinárias, aceitará reformas mais radicais, como a ordenação de mulheres e o fim do celibato entre padres, consideradas por alguns especialistas como formas de reverter a redução da procura pelo sacerdócio. Somente na Europa, entre 1985 e 2005, houve uma queda de 11% no número de padres, segundo dados do Vaticano.

O celibato e a abstinência sexual são práticas obrigatórias entre os sacerdotes da Igreja Católica ocidental. Porém, nos últimos anos, a discussão do fim dessa imposição tem ganhado cada vez mais adeptos entre os cristãos.

Menos provável mas igualmente polêmica é o fim da proibição da ordenação de mulheres, determinada pelo documento “Ordinatio Sacerdotalis”, assinado por João Paulo 2o em 1994.

Religiosos contrários a essas mudanças argumentam que igrejas protestantes derrubaram ambas as imposições – o casamento de sacerdotes e a inclusão de mulheres no clero – há séculos, sem que isso tivesse algum efeito prático na conquista de mais fiéis.

Polêmicas

A modernização da igreja passa ainda pelo debate em relação a mudanças culturais e sociais no mundo contemporâneo. Há, por exemplo, uma pressão para que o Vaticano aceite os casais divorciados e o uso de preservativos, de modo a adaptar-se aos novos modelos familiares e padrões de sexualidade.

Mas, para a igreja, esses assuntos fazem parte do dogma cristão. A família é considerada sagrada, e o matrimônio, indissolúvel. O uso de preservativos é entendido como um incentivo à prática do sexo irresponsável e promíscuo, e a melhor forma de evitar o contágio de doenças sexualmente transmissíveis, segundo a igreja, é a manutenção da fidelidade no casamento.

Tampouco se espera que o Papa Francisco reveja opiniões sobre o casamento gay e o aborto, contrariando uma tendência de países como a própria Argentina, de aprovar ambas as práticas, recentemente, em legislações votadas em Parlamentos. Para a Santa Sé, mais do que querelas políticas e sociais, são marcos morais do Catolicismo.

Declarações do Papa Francisco sobre o casamento gay – “uma pretensão destrutiva contra o plano de Deus” e “uma maquinação do pai da mentira” – e sobre o aborto (“Quando falamos de uma mãe grávida, falamos de duas vidas, ambas devem ser preservadas e respeitadas, porque a vida tem valor absoluto.") mostram que ele não deve alterar o discurso sobre esses temas. A expectativa é que, com as promessas de renovação, ao menos amenize as críticas.

 

Fique Ligado

A eleição e a sagração de um novo papa põe em foco as questões históricas relaciondas ao cristianismo e à igreja católica. É uma oportunidade para estudar esses temas pela perspectiva da história geral, considerando o papel exercido pela Igreja através dos tempos. Como complemento, vale conhecer o que dizem os estudos históricos sobre Jesus Cristo, por uma perspectiva laica.

Direto ao ponto

O jesuíta argentino Jorge Mario Bergoglio, 76 anos, que adotou o nome de Francisco, foi escolhido em 13 de março o sucessor do papa emérito Bento XVI, que renunciou ao cargo em meio aos desafios que, agora, exigem um posicionamento do novo papa, o primeiro não europeu em mais de mil anos.

 

Entre os primeiros problemas que o Papa Francisco terá que lidar estão assuntos internos da Igreja. Ele terá que reformar e dar mais transparência à Cúria Romana, órgão administrativo da Santa Sé, alvo de denúncias de corrupção, nepotismo e abusos de poder. Ele terá ainda que manter-se firme na resposta às denúncias de casos de pedofilia envolvendo sacerdotes.

 

O Vaticano também tem sido pressionado por religiosos para rever questões como o celibato e a proibição da ordenação de mulheres, entendido por reformistas como uma forma de reverter a diminuição da procura pelo sacerdócio.

 

Mas o Papa Francisco, tido como conservador, não deve promover grandes mudanças, nem mesmo em temas sociais e polêmicos, como o casamento gay e o aborto.

 

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José Renato Salatiel, especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

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