Crises mundiais: Colapsos acontecem ciclicamente na história

Eliane Yambanis Obersteiner, Especial para o Fovest

Como uma crise originada no outro lado do globo pode influenciar a economia brasileira?

É a globalização que explica a crise tentacular e que permite aos investidores a aplicação ou o resgate num simples teclar de computador. O alvo principal desses investimentos são os países de economia emergente, com maiores possibilidades de lucro devido aos altos juros pagos para atrair esse capital.

Por outro lado, a instabilidade econômica e/ou política desses países torna o capital volátil: em situações de crise, os investidores, apoiados na tecnologia, deixam de investir em um determinado mercado, desestabilizando-o, gerando o sobe-e-desce nas Bolsas, por exemplo. As crises mundiais não são uma novidade, embora cada uma precise ser entendida a partir do contexto histórico que a gera. Reflitamos sobre a crise de 1929, que teve como principal fator a superprodução. O fim da Primeira Guerra Mundial marca o início da hegemonia econômica norte-americana.

A expansão do capitalismo nos EUA foi possível graças ao posicionamento de neutralidade americano. Isso permitiu ao país vender uma grande produção aos países em guerra, tornando-se seu principal credor ao final do conflito. O excedente de capital e uma certa euforia liberal levaram à expansão da produção de bens de consumo.

Os americanos acreditavam ter encontrado a solução para o problema da pobreza com a criação de um modelo de sociedade baseada no consumo. O excedente de capital não financiava apenas o desenvolvimento interno, já que empréstimos externos eram concedidos para a reconstrução dos países no pós-guerra. Junto com o capital, exportava-se também a ideia de uma sociedade ideal, expressa pelo "american way of life".

Mas, quando certas regras do capitalismo não são consideradas, as crises se instalam. Em 1929, a produção acima da capacidade de absorção do mercado desencadeou a superprodução, que, somada à especulação na Bolsa, levou os EUA à crise, dando início a um processo recessivo que acabou com as linhas de crédito e estendeu a crise aos países que tinham suas economias vinculadas ao capital americano.

Veja se aprendeu

1. A crise de 1929, iniciada nos EUA e propagada mundialmente, justifica-se pelo:
a. intervencionismo estatal;
b. excesso de consumo interno;
c. desequilíbrio entre produção e consumo;
d. crédito concedido aos países no pós-guerra;
e. desequilíbrio na balança comercial.

2. (PUC-Campinas) Em linhas gerais, pode-se dizer que a Grande Depressão (1929) resultou principalmente:
a. da queda da exportação, desemprego e aumento de consumo interno;
b. da desvalorização da moeda, com o objetivo de elevar os preços dos gêneros agrícolas;
c. do fechamento temporário dos bancos e a requisição dos estoques de ouro para sanear as finanças;
d. da superprodução industrial e agrícola, que foi se evidenciando quando o mercado não conseguiu mais absorver a produção que se desenvolvera rapidamente;
e. da emissão de papel-moeda e o abandono do padrão-ouro, que permitiram ao Banco Central financiar o seguro-desemprego.

Gabarito: 1-c; 2-d
Fonte: Eliane Yambanis Obersteiner

Eliane Yambanis Obersteiner, Especial para o Fovest

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