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Redação Unicamp 2000
Tema C - redação 1
Nome: CAROLINA BORSOI MORAES Cidade: SÃO PAULO-SP Candidato ao curso (1ª opção) de: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS (D) Tipo Estabelecimento - Ensino Médio: SOMENTE EM ESTABELECIMENTO PARTICULAR São Paulo, 28 de novembro de 1999. Senhor deputado Cézar Campos,
Soube, por meio de jornais e revistas, que o senhor é
contrário à criação da ANA (Agência Nacional
de Água), alegando que seria mais um dos "onerosos e espalhafatosos
órgãos do governo". Como cidadã, concordo com o senhor:
há inúmeros órgãos governamentais ineficientes
e burocráticos. Porém, como Engenheira Sanitária,
vejo a necessidade de intensificar as políticas de proteção
ambiental de todas as maneiras possíveis. Certamente o senhor sabe da importância da água
dentro de uma sociedade, não apenas para a saúde da população,
mas também em termos econômicos. E, certamente, o senhor não
é contrário à punição de quem faz mal
uso desse bem, tais como indústrias pesadas e poluidoras. Há
também grandes usuários que, mesmo sem poluir a água,
fazem largo uso dela - e isso, estando certo ou não, é uma
grave agressão ao meio ambiente, e, portanto, merece também
uma "punição" (taxas e tributos maiores do que os pagos por
cidadãos comuns). Pois bem, a Lei já dá conta desse
tipo de regulamentação, cobrando inclusive pesadas multas
de quem polui e, em alguns casos, determinando a prisão em até
cinco anos. Contudo, senhor Campos, sabemos que a lei é raramente
cumprida, mesmo em se tratando de uma questão de vital importância
e prioridade. Os órgãos governamentais tradicionais, quer
por corrupção, quer por ineficiência, já não
dão conta da fiscalização sequer - que dirá
da punição. É por razões como essas que a criação
da ANA se faz urgente e necessária. A prioridade da ANA seria a fiscalização e punição,
portanto. Funcionaria como uma espécie de "órgão de
defesa da água", estando subordinada diretamente ao Ministério
do Meio Ambiente. A agência teria poder de ação tanto
sobre a esfera pública quanto sobre a privada, podendo multar, inclusive,
programas governamentais que se mostrassem prejudiciais ao Meio Ambiente.
Seus processos jurídicos deveriam ter prioridade em tribunais, ou
então seriam julgados por juízes especiais, designados apenas
para essa função, haja vista a importância da água
como bem econômico, social e geopolítico - o Brasil ainda
não tem problemas com países vizinhos por conta de recursos
hídricos, mas essa situação pode vir a ocorrer um
dia. Por isso, é preciso que haja desde já conscientização.
O governo não pode, tal como representante legítimo da sociedade,
fechar os olhos aos abusos que vêm sendo cometidos em relação
à "água brasileira". Outro ponto importante da criação da ANA, e
aparentemente o que mais causa a sua rechação à criação
da agência, é a ineficiência das empresas estatais.
Para burlar esse fato, a ANA deveria ser um órgão misto,
do qual participariam governo, ONG's e representantes diretos de vários
setores da sociedade. No caso da poluição dos mananciais, por exemplo,
seriam feitas auditorias entre a ANA, ONG's e representantes da população
que habita a região. Além disso, haveria ouvidorias para
a denúncia de órgãos que estivessem utilizando mal
os recursos hídricos. Essa me parece ser a maneira mais democrática
e honesta para que a ANA possa realmente dar certo, sem se tornar "onerosa
e espalhafatosa". Contudo, isso não basta para que a ANA dê certo.
É necessária, antes de qualquer coisa, a conscientização
da população acerca da importância - e da limitação
- dos recursos hídricos. E o governo é o órgão
mais indicado para esse projeto de reeducação ambiental. Nós, cidadãos conscientes, esperamos uma resposta
séria de vocês, governantes e representantes da sociedade. Atenciosamente, Tema A - 1 | 2 | 3 Tema B - 1 | 2 | 3 Tema C - 1 | 2 | 3
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