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Redação Unicamp 2000
Tema B - redação 1
Nome: CÁSSIO HENRIQUE DYNA CORRÊA LORATO Cidade: SOROCABA-SP Candidato ao curso (1ª opção) de: MEDICINA UNICAMP Tipo Estabelecimento - Ensino Médio: SOMENTE EM ESTABELECIMENTO PÚBLICO Novos Tempos
Ele sabia que logo teria
que se aposentar. Sua carreira chagava ao fim. O astuto John C. Tess B.
Segundo voltaria a ser o velho Carlos Barbosa, aquele que vivia nos bares
antes da fama. Sempre acreditou que seria eterno. No fundo, ele sabia.
Sabia que um caso bem solucionado não o sustentaria a vida inteira.
Sabia que era preciso se modernizar, parar de insistir em assassinatos.
Sabia que agora o bom era investigar crimes modernos, como sequestros
de cachorros de madames, crimes na Internet ou crimes ambientais. Mas era
antiquado e adorava lembrar os velhos tempos, em que desvendava crimes
de verdade. Lembrava-se toda noite do maníaco estuprador que prendera.
Ou então, do assassinato do advogado influente. Ou, e quase sempre
era esse, lembrava do crime envolvendo aquele senador. Lembrava-se das
câmeras, microfones, apareceu até no Jornal Nacional! Hoje,
era apenas um arquivo de história jornalística e um retrato
com o presidente Médici, empoeirado sobre a mesa, insistindo em
cair e derrubar o copo de champanhe. Sidra, na verdade, mas ajudava a lembrar
o passado. Na estante de livros e mais livros, a maioria Allan Poe. Também
Agatha, sua musa inspiradora. Uma poltrona. Um gato. Seu último
amigo. Mas o gato não pensava o mesmo e ocupava-se na amizade com
o peixinho dourado, tranquilo no aquário. Se continuasse ali ela
saberia que o suicídio viria visitá-lo. Resolveu sair antes
que ele entrasse. Pegou o jornal e foi para a casa. Chegou rápido, morava
em frente. Tirou as botas e deitou. Ligou a TV. Nada de Vigilante Rodoviário.
Coemu um pedaço de pão, após entrar em guerra com
duas baratas. Foi ao banheiro. No jornal a manchete: "Cem mil sem água
em Sumaré". Leu a notícia e pensou rápido (espantando
sua rapidez): "é um crime ambiental". Algo não cheirava bem.
Esse era seu caso. Renasceria das cinzas. Gritou para o homem que o olhava
do espelho: "É agora C. Tess! O mundo virá seu retorno!"
O espelho concordou. Sem demorar, partiu com
seu Corcel em disparada. Tudo levava a crer que era um esgoto doméstico.
Quem seria o louco que faria isso. Um nazista querendo acabar com a cidade?
Ou um cientista maluco, que queria fazer da água um combustível.
Talvez uma seita japonesa que pregava que a salvação viria
pelo óleo diesel? Quem sabe um extraterrestre excretando gasolina
se mudou para cá? Tomou mais um gole de uísque e parou de
criar hipóteses. Chegou na estação de tratamento.
Com a ajuda de 50 Reais e um funcionário chegou até as tubulações
de esgoto. Queria entrar e tinha vigor físico para isso. Mas os
canos brasileiros não fazem parte de filmes americanos. Saiu. Sentou.
Quando ia chorar viu um caminhão passar. Cheio de barris. "Pra quê
isso?" pensou. No volante uma loira fenomenal. Seguiria. Era um velho charmoso. Pararam numa casa da periferia
de Paulínia. A loira desceu. Alguns homens vieram. Um a beijou.
Entraram. O velho junto. Se escondeu e ouviu conversas. Quinta-feira atacariam.
Quem? Entrou no banheiro. Um sistema de canos complexos o assustaram. Todos
ligados em barris. Um gato o assustou. Um barril caiu. "Odeio os gatos",
pensou. E sentiu o frescor de um cano de revólver na nuca.
Aí juntou os fatos. Era tarde sabia demais iria morrer. Deduziu,
olhando seus uniformes: Água Mineral New Age. Eram os novos tempos.
Em troca de mercado envenena-se uma cidade. Globalização,
Crime Ambiental. Pediu água, "mas
sem gasolina". Iria morrer. A loira bebeu a água. Uma gota deixou
escorrer na testa de C. Tess. Ele se assustou. O gato com o peixe na boca.
A foto de Médice molhada. No chão o aquário quebrado.
"Gato maldito, me deixe dormir"! "É, novos tempos...
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