Unicamp

Calouro de 16 anos de medicina tira 9,3 na primeira prova na Unicamp

Thiago Varella

Colaboração para o UOL, em Campinas (SP)

  • Ricardo Lima/UOL

    Vítor Costa fez ensino médio em escola pública e é calouro de medicina na Unicamp

    Vítor Costa fez ensino médio em escola pública e é calouro de medicina na Unicamp

Há pouco mais de um mês, o UOL contou a história de Vitor Costa, um adolescente de 16 anos, que sempre estudou em escola pública e que havia passado no vestibular da Unicamp para cursar medicina. Pois, o jovem já começou as aulas e já fez até prova. Na nota, mostrou que continua estudando bastante: tirou 9,3.

Costa agora passa o dia inteiro na Unicamp. Ele continua morando na casa dos tios, a cerca de 6 km da universidade. O estudante levanta cedo, toma café, pega um ônibus - ou dois, dependendo de onde vai ser a aula - e chega na sala de aula pouco antes das 8h. De segunda à sexta, ele fica por lá até as 18h. Quer dizer, isso quando não faz atividades extras.

Sua rotina tem sido assim desde o último dia 29 de fevereiro, quando as aulas tiveram início. E Costa está adorando a nova vida.

"Eu estou gostando muito. Medicina é realmente o que eu queria. Minha sala é muito legal. São 120 pessoas do Brasil inteiro. Todo mundo é muito gente boa", contou.

Como ainda está no começo do curso, ele assiste a maioria das aulas no Instituto de Biologia da Unicamp, já que ainda tem poucas disciplinas médicas propriamente ditas.

"Por enquanto, tenho aulas mais de biologia. Não tenho ainda muito contato com pessoas e casos clínicos. Mas, às vezes, durante a noite, tem as ligas, que são aulas extracurriculares. A gente aprende bastante coisa de uma área específica. Já aprendi sobre o zika e a má formação congênita. São temas bem atuais", contou.

O ambiente universitário da Unicamp surpreendeu Costa positivamente. O jovem ouvia algumas histórias sobre como a universidade pública é desorganizada e estava preocupado. Mas, até agora, não notou nenhum problema.

"O que me surpreendeu foi a organização da Unicamp. Achei que seria mais bagunçado. A Unicamp em si. Até agora nenhum professor faltou. Eles são muito solícitos. Respondem as dúvidas e querem realmente transmitir o conhecimento", disse.

Ricardo Lima/UOL
'Eu estou gostando muito. Medicina é realmente o que eu queria', diz Vitor

Estudante de colégio público

Costa, que pulou a 1ª série do ensino fundamental, é um dos 97 estudantes oriundos de escolas públicas aprovados no curso de medicina da Unicamp neste ano. O jovem cursou todo o ensino médio na Escola Estadual Professor Adalberto Prado e Silva, na vila Costa e Silva, em Campinas, e agora é um calouro em um dos melhores cursos de medicina do país.

Neste ano, mais da metade (51,9%) dos estudantes aprovados no vestibular da Unicamp cursaram o ensino médio em escolas públicas. A universidade criou uma bonificação, até então inédita, para as provas da primeira fase: concedeu 60 pontos para estudantes do sistema público e mais 20 pontos para estudantes do sistema público autodeclarados pretos, pardos ou indígenas (PPI). Já na segunda fase, as bonificações passaram a ser de 90 pontos para egressos do ensino médio público e de 30 pontos para egressos de escolas públicas e autodeclarados PPIs.

Por influência de um professor, entre o 2º e o 3º ano do ensino médio, o estudante foi fazer um curso de férias na Unicamp e conheceu o cotidiano do curso de engenharia civil. Ali, andando pelo campus da Unicamp, decidiu que, por mais que tivesse facilidade em matemática, que iria cursar algo na área de saúde.

Por isso, em 2015, todo o foco de Vitor estava voltado para a Unicamp. A universidade era perfeita. Além de ter um excelente curso de medicina, era gratuita e ficava a pouco mais de 5 minutos de distância de ônibus da sua casa.

Depois das férias de julho, Vitor conseguiu bolsa integral em um cursinho da cidade (Objetivo). Ele frequentou três meses de aula regular e mais dois de revisão.

Criado pelos tios

Não faz muito tempo que Vitor se mudou para Campinas. Ele, seus tios e três primos vieram da Bahia em 2013, em busca de mais oportunidades. Desde pequeno, o estudante mora com a tia e o tio, já que a mãe sofre de depressão e não pode criá-lo.

Nascido na pequena Ribeira do Pombal, Vitor também morou em Camaçari antes de se mudar para Campinas. E foi na casa dos tios que começou a tomar gosto por estudar. Sua tia é professora por formação e o alfabetizou ainda criança. Por causa disso, acabou fazendo uma prova quando tinha seis anos e pulou a 1ª série do ensino fundamental.

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