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Aluno de informática é o primeiro com Síndrome de Down do IFMA

Arquivo pessoal
Genilson Protásio Filho, 17, é o primeiro aluno com Síndrome de Down a ingressar no IFMA Imagem: Arquivo pessoal

Carlos Madeiro

Do UOL, em Maceió

2014-02-18T06:00:00

18/02/2014 06h00

Entre os novos calouros, o IFMA (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão) recebe neste ano o seu primeiro aluno com Síndrome de Down: Genilson Protásio Filho, de 17 anos.

Ele ficou em primeiro lugar na lista de excedentes das cotas para deficientes no curso técnico de informática e foi chamado pela falta de um dos candidatos aprovados.

Segundo o pai do novo aluno, Genilson Protásio, a adaptação está ocorrendo de forma satisfatória. “A equipe propôs uma perspectiva tranquila, que não o impactasse, respeitando o ritmo. É isso que a gente defende da inclusão: o aluno não deve se adaptar à escola, é a escola que deve se adaptar ao aluno”, disse.

O pai do adolescente não esconde que é “coruja” e acompanha todos os passos do filho. Ele conta que chegou a se preocupar com a escolha do curso ideal para o adolescente, mas acha que --pelo perfil de interesse--, a área de informática “caiu como uma luva”.

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“Tivemos toda uma preocupação, conversamos na escola, com a direção pedagógica do instituto, para perceber o que ele queria, para observarmos os parâmetros e as pistas que eles nos davam”, explicou.

Genilson ainda conta que o aluno sempre teve um desempenho satisfatório na escola. “Ele era um aluno que tentava se resolver. Nós nunca exigimos que ele fosse um 'CDF', mas não aceitávamos que fosse relapso. Ele se saiu bem. Esse foi o primeiro processo seletivo dele, e a aprovação foi uma surpresa agradável”, afirmou.

Desafios institucionais

Segundo a pró-reitora de Ensino do IFMA, Ximena Paula Bandeira Maia, a adaptação do novo aluno está sendo “muito boa”.

“O campus Monte Castelo, onde ele estuda, tem equipe multidisciplinar, com psicólogo e pedagogo. Temos um sentimento de muita responsabilidade, de superar os desafios institucionais nessa formação. É nossa primeira experiência. Os pais dele são 100% parceiros do IFMA”, diz.

Para Maia, a chegada de Protásio Filho já mudou muita coisa na instituição, e que a transformação vai além de estrutura física.

“Temos buscado uma estruturação, em todos nossos pontos de presença, para não só permitir a entrada, mas principalmente para a permanência desses alunos especiais. Estamos investindo muito em formação”, disse.

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