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O último T vem de tolueno. Essa substância tem esse nome porque foi originalmente obtida do bálsamo-de-tolu, líquido amarelado usado em xaropes para tosse e em perfumes. Tem cheiro gostoso e vem da árvore Toluífera balsamum. O tolueno também é chamado de metil-benzeno. Hoje em dia, é mais comum obtê-lo do petróleo (no processo chamado reforma catalítica) ou da destilação do carvão mineral.

O primeiro T é de tri, e o N, de nitro. Assim, TNT é trinitrotolueno. Ao reagirmos o tolueno com o ácido nítrico (HNO3), em proporções adequadas e na presença de ácido sulfúrico como catalisador, três grupos nitro (NO2) entram na molécula do tolueno. Mas não entram em qualquer lugar. O metil (CH3) --grupo que já existia na molécula-- é o que os químicos chamam de radical orto-para dirigente. Ele orienta essas entradas para as posições orto (vizinhas do CH3) e para (oposta ao CH3). Está pronto o explosivo.

O TNT (C7H5O6N3) explode porque é uma molécula muito instável. Uma empurradinha de leve nos oxigênios fará com que eles "caiam" em cima dos carbonos e dos hidrogênios, formando CO2 e água. Os nitrogênios então se unem e produzem o gás N2. Olhe só a reação: 4 C7H5O6N3(s) 7 CO2(g) + 10 H2O(g) + 6 N2(g) + 21 C(s). Num piscar de olhos, a molécula de TNT pode ser convertida numa enorme nuvem de gases quentes. A rápida expansão desses gases aquecidos provoca uma onda de choque que destrói tudo o que estiver por perto. Não há oxigênio suficiente na molécula de TNT, por isso sua explosão forma uma grande nuvem negra de fuligem (C(s)).

É assim também que explode a nitroglicerina (NG): formando um grande volume de gás a partir de um pequeno volume de explosivo. O curioso é que a NG (C3H5O9N3) pode salvar nossa vida! A angina - uma forte dor no peito - é resultado da contração das artérias coronarianas. Essa dor é aliviada em poucos minutos pela administração de um comprimido à base de NG. Isso acontece porque, nos tecidos, ela libera monóxido de nitrogênio (NO), um vasodilatador que relaxa as artérias, podendo até evitar um infarto.

Um explosivo que salva vidas! Essa química é mesmo curiosa... *Luís Fernando Pereira é professor do curso Intergraus e coordenador de química do sistema Uno/Moderna.

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