Língua portuguesa

Figuras de palavras

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação



 


Também chamadas de figuras de semântica, são formas de expressar o pensamento ou os sentimentos de modo vivo, enérgico, vibrante, capaz de impressionar o ouvinte ou leitor, escapando ao uso corriqueiro que se faz das palavras e da língua.



1. Antonomásia: substituição de um nome próprio por um atributo ou qualidade que lhe diz respeito - e vice-versa:

Já quiseram os Deuses que tivesse

O filho de Filipe, nesta parte,

Tanto poder que tudo submetesse

Debaixo do seu jugo o fero Marte.

(Camões)

[No caso, "filho de Filipe" refere-se a Alexandre Magno.]


 



Observação: é também por antonomásia que a tradição literária e histórica concede títulos específicos a alguns homens célebres: Águia de Haia (Rui Barbosa); Boca do Inferno (Gregório de Matos); Poeta das Estrelas (Olavo Bilac) etc.



2. Metonímia: emprego de um termo por outro, através de uma relação de dependência, que pode ser da causa pelo efeito, da parte pelo todo, do conteúdo pelo continente, da obra pelo autor, da causa pela consequência etc., e vice-versa:

a) o efeito pela causa:

As cãs inspiram respeito (em vez de a velhice).

b) o autor pela obra:

Ler Machado de Assis.

c) o continente pelo conteúdo:

Tomar uma garrafa (de vinho).

d) a parte pelo todo:

Completou quinze primaveras (por anos).

e) o singular pelo plural:

A mulher tem sempre rara intuição (por as mulheres).

f) a característica pelo produto:

"(Um homem) trazia um ferro na mão gotejando vermelho, uma faca de lâmina estreita ou um punhal" (Raul Pompeia). [No caso, vermelho = sangue.]



3. Sinédoque: na prática, confunde-se com a metonímia. Tal semelhança, inclusive, é objeto de discussão entre os gramáticos. Seria uma metonímia baseada na relação quantitativa entre o significado original da palavra usada e o conteúdo ou referente imaginado:

Braços para a lavoura (Onde "braços" substitui "homens" ou "trabalhadores").

 



4. Metáfora: é o mais expressivo elemento em que se apoia a linguagem figurada. Trata-se da principal figura semântica, da qual as outras figuras podem aproximar-se, ou confundir-se com ela. Consiste na transferência de um termo para uma esfera de significação que não é a sua, em virtude de uma comparação implícita. Em outras palavras, é o deslocamento de um termo, ou de uma expressão, de sua área de significado normal para outra, processo de que resulta a produção de um efeito estético em que se faz presente o binômio denotação/conotação:

Perdi a chave do apartamento. [sentido denotativo]

Percebemos, enfim, a chave do problema. [sentido conotativo ou metafórico]

"No dia seguinte, acordamos debaixo de um temporal [...]. Enfim a tempestade amainou. Confesso que foi uma diversão excelente à tempestade do meu coração." (Machado de Assis)



A metáfora pode ser caracterizada ainda pelas seguintes figuras:


4.1. Catacrese: é a metáfora mais comum, estereotipada, que resulta da ausência de um termo próprio para designar determinada coisa: pernas da mesa, cabeça de alfinete etc.



4.2. Personificação (ou animismo): atribuição a seres inanimados de ações, qualidades ou sentimentos próprios do homem:

"[...] o sol, no poente, abre tapeçarias..." (Cruz e Souza)



4.3. Hipérbole: figura do exagero; tem por fundamento a paixão, que leva o escritor ou o falante a deformar a realidade, glorificando-a ou amesquinhando-a segundo seu modo particular de sentir:

"Eu, somente eu, com a minha dor enorme,

Os olhos ensanguento na vigília!"

(Augusto dos Anjos)



4.4. Símbolo: é a metáfora que ocorre quando o nome de um ser ou coisa concreta assume valor convencional, abstrato:

Ele hesita entre a cruz [o cristianismo ou as virtudes cristãs] e os prazeres da vida.



4.5. Sinestesia: interpenetração de planos sensoriais. Fundem-se sensações visuais com auditivas, gustativas, olfativas, tácteis, num amálgama de efeitos expressivos:

"Por uma única janela envidraçada, [...] entravam claridades cinzentas e surdas, sem sombras." (Clarice Lispector)



Fontes

Figuras de estilo, José Geraldo Pires-de-Mello, Editora Rideel/Centro Universitário de Brasília - UniCEUB, 2ª edição, São Paulo, 2001.

Gramática normativa da língua portuguesa, Rocha Lima, José Olympio Editora, 34ª edição, 1997.


 

 

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