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Para conhecer a obra-prima de Euclydes da Cunha, nada melhor do que começar pelo próprio livro. Euclydes da Cunha (1866-1909) acusa, em "Os Sertões", o Exército, a igreja e o governo pela destruição de Canudos, na Bahia, e denuncia a chacina dos prisioneiros, que haviam se rendido com garantias de vida.

Sua narrativa da guerra, que cobriu de agosto a outubro de 1897 como repórter do jornal "O Estado de S. Paulo", é precedida por um estudo da natureza e do homem do sertão e pela biografia de Antônio Conselheiro, o líder da comunidade. Traz ainda desenhos de paisagens, mapas geológicos, botânicos e geográficos, inspirados nas viagens de exploração científica, além de fotografias do conflito, tiradas por Flávio de Barros.

Quem se sentir desanimado pela extensão e pela densidade das duas primeiras partes, "A Terra" e "O Homem", pode começar pela terceira, "A Luta", na qual é abordada a campanha militar, e depois voltar aos capítulos iniciais, que esclarecem as razões do conflito e trazem uma linguagem rítmica e poética, que tem sido admirada e comentada. É particularmente dramática a parte final, "Últimos Dias", em que o autor relata a rendição de mulheres, velhos e crianças e os combates que culminaram, em 5 de outubro de 1897, com a tomada do povoado, que foi reduzido a cinzas.

Há duas edições de "Os Sertões" que recomendo: 1ª) a crítica de Walnice Nogueira Galvão (Ática), que compara o texto definitivo às três primeiras edições e traz cronologia da vida e da obra do escritor; 2ª) a anotada de Leopoldo Bernucci (Ateliê), que traz ensaio sobre o livro, dados biográficos e ótimas notas sobre vocabulário, história e geografia.

Existem também as edições da Record, da Martin Claret, da Itatiaia e da Francisco Alves (esgotada), que têm preços mais acessíveis. É possível fazer download do livro e de outras obras do autor nos sites Berrante Online, Casa Euclidiana, Euclides da Cunha e EUCLIDESite. Mas é preciso coragem para atravessar suas centenas de páginas grudado na tela do micro. Depois de percorrer "Os Sertões", o leitor poderá seguir os passos de iniciação no universo euclidiano.

*Roberto Ventura, 45, é professor de teoria literária na USP e autor de "Folha Explica Casa-Grande & Senzala" (Publifolha) e "Folha Explica Os Sertões" (Publifolha, no prelo).

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