Geografia

Energia é fator determinante no desenvolvimento da sociedade

Márcio Masatoshi Kondo*
Especial para a Folha de S.Paulo

A idéia de um mundo sem eletricidade é inconcebível. A imagem de ambientes e pessoas iluminadas pela luz da lua, das estrelas e das velas tem, para nós, no ano 2000, um ar de estranha e romântica pobreza.

Com o advento da revolução industrial, passamos a associar o controle da energia com progresso, prosperidade e bem-estar: sem energia, o mundo como o conhecemos não existiria.

Sim, a energia é o fator determinante, e limitante, no desenvolvimento de uma sociedade.

As matrizes energéticas mais usadas são -em ordem decrescente de importância: 1) no mundo: derivados de petróleo (34%), carvão mineral (31%), gás natural de petróleo, hidroelétrica, nuclear; 2) no Brasil: hidroelétrica (95%), derivados do petróleo (6%), carvão mineral, nuclear (Angra 1 e Angra 2).

Não existe melhor fonte energética: você usa aquilo de que dispõe. Por exemplo, o Brasil possui a maior rede fluvial do mundo e, por extensão, a maior oferta de hidroeletricidade. Os países desenvolvidos têm potencial hidroelétrico mais baixo ou totalmente instalado e, por razões históricas, usam combustíveis fósseis.

A preocupação maior está em saber por quanto tempo o mundo vai poder crescer considerando que os recursos energéticos são finitos. Os combustíveis fósseis não são renováveis, os recursos hidroelétricos estão mal distribuídos e não podem ser transportados por longas distâncias, e as demais fontes ou possuem uso restrito, ou ainda estão sendo pesquisadas, ou possuem valor de produção muito elevado.

O Brasil é um caso particular, pois, com apenas uma pequena parcela de seu potencial hidroelétrico instalado, corre o risco de "ficar no escuro". O centro-sul concentrou a maior parte das cidades, do parque industrial e do mercado consumidor do país, fazendo com que grandes usinas hidroelétricas fossem instaladas nas bacias da região, e o limite de oferta de energia foi atingido.

A ameaça de blecaute poderá ser temporariamente afastada se o desperdício for reduzido, se as centrais nucleares estiverem totalmente operantes, se as usinas termoelétricas forem instaladas e se as usinas hidroelétricas tiverem sua capacidade de produção ampliada (aumento das chuvas nos reservatórios).

Mas mais importante do que as medidas "emergenciais" é o uso racional da energia, a diversificação e a democratização da atividade econômica para que cada região possa criar uma política energética local de maneira plena e inteligente (energias solar e eólica no Nordeste, por exemplo).

Márcio Masatoshi Kondo*
Especial para a Folha de S.Paulo

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