Geografia

Água é sinal de vida

Márcio Masatoshi Kondo*

Especial para a Folha de S.Paulo

Vista da vastidão do espaço, a Terra é um planeta admirável: sob a luz do Sol, ela é azul e recoberta por água (nos oceanos, geleiras, rios, cumes das montanhas e atmosfera) e, à noite, mostra pontos de luz não-natural.

Alguns sensores indicariam fontes de energia, emanações gasosas e emissões de sinais eletromagnéticos. Em outras palavras, a Terra não só possui condições favoráveis para sustentar vida; possui vários indícios de vida inteligente.

Quando olhamos para o espaço e pensamos na possibilidade de vida em outros planetas, nós nos lembramos da água: "Sinais de água em Marte!"; "Satélites são cobertos de gelo!".

Quando olhamos para o passado da humanidade, recordamos as grandes civilizações que floresceram às margens dos rios. Quando olhamos para o microscópio, constatamos que somos essencialmente formados de água. Então, como o homem se relaciona com a água?

Sabemos que, do total de água disponível no planeta, 97,5% são de água salgada que se distribuem pelos oceanos e 2,5% de água doce, sendo 68,9% composta por geleiras, 29% por aqüíferos, 0,9% por águas atmosféricas (nuvens e vapor d?água) e 0,3% por águas superficiais (rios e lagos).

A água é um recurso finito. A oferta de água utilizável não tem aumentado, mas a população cresce em ritmo acelerado (mais 2 bilhões em 25 anos); em 2.025, 70% da humanidade sofrerá com a falta de água, contra os 50% de hoje; milhões de pessoas adoecem diariamente, vítimas de diarréia e esquistossomose, devido ao consumo de água não-tratada. Quanto isso custa em remédios, leitos hospitalares e pessoal?

Por outro lado, não sabemos usar a água:

1) Metade da água que se usa na irrigação agrícola é perdida;

2) Desmatamentos, urbanização indiscriminada e uso intensivo das águas superficiais secam mananciais, rebaixam os aquíferos e encarecem a extração da água subterrânea;

3) Esgoto doméstico, lixo e resíduos industriais, agrícolas e da mineração poluem fontes superficiais e subterrâneas;

4) A água tratada é muito cara, e as redes de distribuição perdem água por causa da manutenção precária;

5) O aumento do consumo faz que a água destinada à irrigação seja desviada para as cidades, o que diminui a produção agrícola e obriga alguns países, como a China e a Índia, a importar alimentos;

6) Como ela é mal distribuída, os riscos de conflitos pela sua posse são grandes e aumentam a cada dia. O Oriente Médio é exemplo.

Em suma, temos água, temos vida e, quanto à inteligência

Márcio Masatoshi Kondo*

Especial para a Folha de S.Paulo

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