Unicamp

Unicamp 2017: interdisciplinaridade e menção a Mariana (MG) foram destaque

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

  • Luciano Claudino/Código19/Estadão Conteúdo

    Movimentação de candidatos no Campus I da PUC-Campinas, neste domingo (20), durante a primeira fase do vestibular 2017 da Unicamp.

    Movimentação de candidatos no Campus I da PUC-Campinas, neste domingo (20), durante a primeira fase do vestibular 2017 da Unicamp.

Uma prova bem elaborada, com grau de dificuldade de médio a difícil, e a mais interdisciplinar desde que a instituição adotou o modelo com 90 questões de múltipla escolha, há dois anos. É essa a avaliação de representantes de cursinhos pré-vestibulares ouvidos pelo UOL, neste domingo (20), sobre a primeira fase do vestibular 2017 da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), realizada durante a tarde.

Representantes dos principais cursinhos do país elogiaram a prova, que, de acordo com eles, trouxe 12 questões essencialmente interdisciplinares na edição deste ano --mais que na edição do ano passado --, além daquelas sobre língua portuguesa (13), matemática (13), história (9), geografia (9), física (9), química (9), biologia (9) e inglês (7).

"A Unicamp vem tentando chegar a um nível muito bom de prova –houve críticas ano passado sobre a elaboração de algumas questões, mas, este ano, a universidade conseguiu apresentar uma prova de altíssimo nível, muito bem feita – sobretudo a prova de português", avaliou a coordenadora-geral do curso Objetivo, Vera Lúcia  da Costa Antunes.

Para ela, a prova inovou não apenas ao apresentar mais questões interdisciplinares que nas edições passadas, mas no tipo mais diverso de fontes de informação apresentadas aos alunos.

"Teve tiras, textos de internet, até páginas de Facebook apresentadas, e vários gêneros textuais, mas, acima de tudo, foi uma prova em que se exigiu bastante a interpretação de texto. Além disso, os livros exigidos exigiram uma leitura crítica", observou.

Oficina do Estudante: tragédias de Mariana e Hiroshima foram cobradas 

Na avaliação do diretor do cursinho Oficina do Estudante, Célio Tasinafo, de Campinas, a terceira edição em que a primeira fase é realizada com 90 questões objetivas foi "a mais bem feita" até agora. A avaliação se justifica, segundo o professor, em função da interdisciplinaridade das questões.

"Foi uma prova muito melhor que as duas edições anteriores, porque inovou ao trazer questões interdisciplinares muito bem elaboradas –algumas, inclusive, cobrando conteúdos de duas disciplinas bem diferentes, como história e química, por exemplo, em uma questão sobre a bomba em Hiroshima, no Japão, em 1945", citou.

De acordo com Tasinafo, essa característica foi observada também em uma questão que abordou a tragédia de Mariana (MG), de 2015, e que exigiu conhecimentos de geografia e química. De resto, afirmou, "cobraram todas as leituras obrigatórias só da Unicamp". "Nesse sentido, quem apostou que a lista comum para a Fuvest e Unicamp seria suficiente se deu mal. Mas, de maneira geral, acredito que [os organizadores das provas] finalmente acertaram a mão com a edição deste ano", considerou.

Etapa: questões de geografia se destacaram

Coordenador-geral do cursinho Etapa, Marcelo Dias Carvalho ressaltou o aumento das questões interdisciplinares, este ano, em comparação ao ano passado. "Nas provas de 2015, foram apenas quatro questões; este ano foram 12. O aluno tinha de saber, em uma única pergunta, de história e biologia, de geografia com biologia, mesmo conhecendo outras matérias", exemplificou.

Carvalho ainda apontou alto grau de dificuldade em questões que mesclavam conhecimentos de inglês e história e observou que não faltaram as que abordaram temas de atualidade. "Em geografia, sobretudo, procuraram temas bastante atuais, como o acidente em Mariana, que trouxe uma dificuldade sobre as rochas envolvidas no acidente, bem como uma sobre as ressacas em Santos (litoral sul de SP) –exigiram conhecimento bastante aprofundado para acertar", definiu. "Ainda em geografia, inovaram também com a presença de gráfico triangular", completou.

Anglo: prova de química foi "excelente"

A interdisciplinaridade também foi apontada pelo diretor de ensino do Anglo, Paulo Moraes, como "ponto alto" da prova de hoje.

"Foi uma prova, em geral, bem equilibrada – de média para difícil. História, eu destacaria, exigiu uma bagagem conceitual boa; a de física foi mais difícil que a do ano passado, e a de química foi uma prova, ao meu ver, excelente: conceitual e de poucos cálculos", destacou Moraes.

Poliedro: prova conteudista, mas que exigiu interpretação

Coordenador e professor do curso Poliedro, Luís Gustavo Megiolaro destacou que a interdisciplinaridade da prova foi além de 12 questões. "Avaliamos que foi uma das provas mais interdisciplinares que a Unicamp já fez, e não só nas 12 questões: muitas vezes o conceito de uma outra disciplina acabou anulando uma alternativa", apontou.

"E foi uma prova que exigiu boa leitura e interpretação para entender o que a questão exigia. Esse tipo geral de prova parece ser uma tendência na Unicamp, veio para ficar, é conteudista, mas exige uma boa leitura e interpretação –principal ligação dela, por exemplo, com a prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio)", concluiu.

Abstenção

Encerrada a prova hoje à tarde, a Comvest (Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp), que realiza a prova de ingresso na universidade, informou que a primeira fase do vestibular 2017 registrou 8,6% de abstenção, ou 6.346 candidatos ausentes em um universo de 73.487 inscritos para as 3.320 vagas distribuídas em 70 cursos de graduação.

A partir desta terça (22), será liberado para consulta o gabarito oficial com as respostas da prova. No mesmo dia, a Comvest divulgará ainda a nota de corte específica de cada de um dos cursos em que os candidatos concorrem.

 

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