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Com apenas 15 anos, potiguar é aprovado no vestibular do ITA

O potiguar Victor Ranyere, de 15 anos - Arquivo Pessoal
O potiguar Victor Ranyere, de 15 anos Imagem: Arquivo Pessoal

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

31/12/2015 11h55Atualizada em 04/01/2016 10h53

Aos 15 anos, o jovem potiguar Victor Ranyere será, a partir do primeiro semestre de 2016, o novo aluno do curso de engenharia mecânica aeronáutica do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). A lista de aprovados foi divulgada nesta quarta-feira (30).

Esse sempre foi o sonho de Ranyere desde criança. O jovem era um aluno diferenciado na escola. “Ele fazia perguntas tão atípicas que um dia chamei ele e disse: 'se quiser perguntar, pode, mas vamos evitar durante a aula porque complica para os outros alunos. Chame depois da aula, que a gente fica e tira a dúvida'”, contou o professor de física e diretor do Over Curso e Colégio (onde Ranyer se formou no ensino médio), Carlos André Cavalcante.

“É, tinha isso [risos]. Eu procurava então estudar e buscar a resposta só e procurava confirmar com o professor, mas só depois da aula”, brincou o estudante, ao lembrar a “reclamação” que levou do professor.

Formado no ensino médio este ano, a história de intimidade de Ranyere com o aprendizado já vem de longe. “Aos três ele já lia algumas coisas, era muito bom em cálculo. Ele sempre foi aluno destaque por onde passou”, conta o orgulhoso pai, o assessor jurídico Volney Teixeira de Holanda, 52.

Quando estava no 8º ano do ensino fundamental, Ranyere foi aprovado no IFRN (Instituto Federal do Rio Grande do Norte). O pai decidiu entrar então na justiça, e o menor de 12 anos fez uma prova equivalência e foi aprovado, ganhando o direito de pular o 9º ano e entrar no ensino médio.

Foi quando Ranyere foi matriculado na escola onde se formou. A partir dali, a rotina de estudos sempre foi puxada.

“Quando a gente recebeu ele, o pai chegou falando que era um aluno muito bom. Só que a gente recebe alunos que muitos pais chegam contando histórias parecidas. Temos então um filtro para evitar criar expectativa. Mas desde pequeno ele já sabia o que queria, e como ele estava muito focado, colocamos ele numa turma de curso preparatório de medicina. Era um teste para ver se ele podia entrar no curso que temos para área militar”, lembra Carlos André.

Em pouco tempo, Ranyere mostrou que era diferenciado e chamou a atenção em sala. “Ele estava abaixo da faixa etária, e quando entrou na sala virou até motivo de brincadeiras pelo tamanho. Só que depois de duas semanas ele já tirava dúvidas de pessoas mais velhas. Depois de seis meses colocamos ele no curso de preparação para [concursos] militares”, disse.

Viagem marcada

Ranyere já está arrumando as malas para ir morar em São Paulo. No dia 17 de janeiro, terá de se apresentar para cursar e realizar o sonho que sempre teve. Apesar de sempre tirar boas notas e ir bem em todas as provas, o jovem não esconde que temia uma não aprovação. “Sempre tem uma dúvida enquanto não sai o resultado”, contou.

Para passar no ITA, o aluno estudou sempre os três horários –pela manhã tinha aulas do ensino médio e à tarde e início da noite fazia curso preparatório ou estudava em casa.

Nos dois últimos meses antes da prova, diz que parava os estudos apenas para comer e dormir. “Para passar no ITA tem que estudar pra caramba. Nos dois meses finais dei um gás e estudava até às 21h20”, contou.

Para ele o segredo da aprovação responde por uma palavra: dedicação. “Tem se dedicar muito. O que já ouvi muito no pessoal que passou é que, faltando um, dois meses mês para o teste, começar a fazer provas anteriores para pegar prática com as questões que costumam cair. Pode ser que defina a aprovação, também é importante”, disse.

Além disso, o pai de Raynere lembra que, por diversas vezes, teve que esperar o filho um pouco mais na escola “Ele sempre era o último aluno a sair, tirando dúvida com o professor. E como professor gosta de aluno estudioso, sempre davam atenção a ele”, afirmou.

O professor Carlos André lembra também que Ranyere sempre tirava notas altas na escola. “Nesse período aqui ele foi campeão de olimpíadas. Foram três anos de preparação, e ao longo do tempo ele sempre se destacou, muito focado e estudioso”, pontuou.