Prova de física da segunda fase da Unicamp foi difícil, afirmam professores

Rafael Targino e Bruna Souza Cruz
Do UOL, em São Paulo

Professores ouvidos pelo UOL afirmaram que as provas desta segunda fase do vestibular da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) estavam difíceis –em especial, física.

Alexandre Lopes Moreno, professor do Etapa, ela foi a "mais difícil das provas de física da ultima leva" – contando Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular). "Erraram um pouco a mão na complexidade.  Mas foi muito bem feita, com preocupação muito grande com a contextualização", disse.

Para Ronaldo Fogo, do Objetivo, foi uma prova trabalhosa. "Os alunos devem ter sofrido um pouco nessa prova de física. As questões foram clássicas, mas com excesso de cálculos. Algumas questões tinham cálculos, e uns não muito triviais. Talvez não tenha dado tempo."


Segundo Vera Lúcia, do Objetivo, a grande dificuldade encontrada na prova de hoje foi a extensão dos textos das questões, que exigiam maior atenção dos candidatos em relação à interpretação dos textos. "Apesar disso, a prova teve um excelente nível, foi bem elaborada e bem feita", acrescenta.

A coordenadora explica que, para os professores do Objetivo, as disciplinas com maior nível de dificuldade foram as de biologia, matemática e química. Geografia, por sua vez, teve um nível mediano. Já história e física apresentaram conteúdos mais clássicos e comuns aos candidatos de ensino médio.

Para Luís Ricardo Arruda, coordenador do Anglo, a Unicamp acertou em relação ao nível de dificuldade da prova.  "É uma prova de primeira fase então tem que ter um nível médio suficiente para peneirar os candidatos para a próxima fase. E nesse aspecto, ela cumpriu o objetivo."

Mesmo elogiando o grau de dificuldade do exame, os coordenadores do Anglo e do Etapa identificaram problemas em duas questões. De acordo com Arruda, a questão 43 da prova Q e Z registrou incoerência em suas alternativas. "O enunciado está ok, mas nenhuma alternativa responde ao que o enunciado pede. Por isso, a classificamos como sem resposta", explica.

Já Marcelo Dias Carvalho, coordenador do Etapa, afirma que houve uma imprecisão do conceito na questão 47 de geografia da prova Q e Z.  "O que está exposto em cada alternativa, não remete ao conceito correto", destaca.

Em relação a redação, os profissionais ouvidos pelo UOL Vestibular acreditam que ela também tenha apresentado um nível de dificuldade médio.

A coordenadora Vera Lúcia destaca que apesar da exigência, a Unicamp deu aos candidatos todos os elementos necessários para que eles pudessem desenvolver os três temas propostos.

Aurélio de Lima, professor de redação do Etapa, acrescenta que os temas estavam relacionados ao cotidiano dos candidatos, porém as respostas não deveriam ser triviais. "Houve uma objetividade nos comandos dos enunciados, no entanto talvez no primeiro texto o candidato poderia pensar que por ser um comentário escrito, ele poderia levar o texto para a informalidade. Talvez esse tenha sido o único ponto de atenção", diz.