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Após passar no vestibular, aluna do ensino médio ganha na Justiça direito de fazer Unesp

Bianca ganhou na Justiça direito de cursar Unesp - Divulgação
Bianca ganhou na Justiça direito de cursar Unesp Imagem: Divulgação

José Bonato<br>Especial para o UOL Vestibular

Em Ribeirão Preto

11/08/2011 13h40

Uma estudante que ainda não terminou o terceiro colegial ganhou o direito na Justiça de fazer o curso de engenharia elétrica na Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Ilha Solteira (660 km de São Paulo). 

Bianca Barroso Torquato Cunha, 17, passou no vestibular de inverno, realizado nos meses de junho e julho, deste ano, enquanto cursava uma escola particular de Rancharia (508 km de São Paulo). Agora ela vai fazer a faculdade e o colegial ao mesmo tempo, em Ilha Solteira, a partir da próxima segunda-feira (15).

Bianca diz que não terá dificuldades para fazer os dois cursos porque o colégio no qual ela vai estudar, que é particular, tem aulas de ensino médio nos períodos da manhã e da tarde. Quando não tiver aula na faculdade em um desses períodos, ela vai frequentar o colégio. “Essa flexibilidade ajudou”, afirma.

A Unesp informou, em nota, que a matrícula de Bianca foi realizada “de forma provisória em decorrência de cumprimento de ordem judicial liminar deferida em mandado de segurança”. Segundo a universidade, em dez dias serão apresentadas informações à Justiça sobre o caso. “Com a resposta da Unesp, o juiz irá decidir o mérito da ação, podendo confirmar a decisão liminar ou denegar a segurança pleiteada pela interessada”, informa a nota.

A Unesp comunicou também que é o primeiro caso registrado na faculdade de engenharia do campus de Ilha Solteira de ingresso de aluno que ainda não concluiu o ensino médio. 

Decisão "abre precedente", diz advogado

Diego Peixoto de Oliveira Lopes, 23, advogado da família da estudante, argumentou no mandado de segurança que sua cliente tem condições de cursar o ensino médio e a faculdade ao mesmo tempo e que a exigência da Unesp de conclusão do colegial “é vazia de sentido”. De acordo com ele, sua decisão abre um precedente e é inédita no Estado de São Paulo. “Eu tenho conhecimento de casos como esse somente em Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal.”

Bianca estudou em média quatro horas por dia para o vestibular. Ela afirma que sempre quis fazer engenharia elétrica e sonha trabalhar na área depois de se formar. Na escola em Rancharia, Bianca é considerada  aluna assídua e muito esforçada. "Ela fez o vestibular sem pressão e usou sua inteligência emocional", afirma a diretora e proprietária do Colégio Objetivo, a pedagoga Viviane Reginato, 43.

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