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"Candidatos fecham acordo anti-Justiça"

Atualizada em 16 de junho de 2009

Candidatos fecham acordo anti-Justiça.

Eis aí uma manchete jornalística que apresenta um acordo completamente inadequado, segundo as normas padrões da língua portuguesa. A imprensa atual tem utilizado o prefixo "anti-" de maneira equivocada, pois hifeniza as palavras iniciadas por ele a bel-prazer, ou seja, de acordo com a sua vontade, sem se preocupar com as prescrições gramaticais.

O prefixo anti- só poderá ser grafado com hífen quando anteceder palavras iniciadas por h ou pela mesma vogal que o termina: i. Se a palavra seguinte se iniciar por r ou por s, essas letras se duplicam. Se a palavra posterior começar por qualquer outra letra, não há hífen nem duplicação de letra. Por exemplo: anti-hemorrágico, anti-inflamatório, antirreumático, antissocial, anticaspa, antiaéreo.


Outra ocorrência inconveniente é a palavra "Justiça" com letra maiúscula, formando um adjetivo com o prefixo "anti-". Os adjetivos não podem conter elementos com inicial maiúscula. Somente os substantivos próprios têm essa peculiaridade.

Claro está, então, que não se deve escrever "anti-Lula", "anti-Maluf", "anti-FHC", "anti-Cristo". As formas adequadas são "antilula", "antimaluf", "anticristo". Todas as palavras com letras minúsculas, por mais estranhas que fiquem!

Observe que não me arrisquei a escrever antifhc nem antiefeagacê em virtude da total estranheza que provocaria tal junção. É impossível escrever assim. O que ocorre é que, apesar de a regra ser exatamente como a explicada acima, nós, brasileiros, já nos acostumamos com o hífen e com a letra maiúscula. Os gramáticos, então, passaram a aceitar isso somente em relação a nomes próprios, ou seja, é errado, mas aceitável gramaticalmente. "Justiça", porém, não é nome próprio.

Assim sendo, corrigindo a frase apresentada, teremos o seguinte:

Candidatos fecham acordo antijustiça.