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Interesses distintos adiam a formação da Alca
Márcio Masatoshi Kondo*
Especial para a Folha de S.Paulo
No pós-Guerra Fria, países de todas as partes do mundo buscaram novas formas de organização política e econômica ou simplesmente resolveram implementar as que já existiam. A união seria, na década de 90, o único caminho para a sobrevivência. Com isso, a regionalização passou a ser o paradigma do momento.
Criando acordos que garantiam relações privilegiadas entre seus membros, os países criaram associações como união aduaneira (livre-comércio interno e acordos com países extrabloco), mercado comum (livre circulação de capitais, pessoas, serviços e produtos) e zona de livre-comércio (eliminação ou redução de taxas aduaneiras entre seus membros). Nessa "blococracia", temos em PIB (Produto Interno Bruto) decrescente: Apec (Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico), Nafta (Acordo de Livre-Comércio da América do Norte), UE (União Européia), Mercosul (Mercado Comum do Sul), Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático), CEI (Comunidade dos Estados Independentes), Pacto Andino, SADC (Comunidade da África Meridional para o Desenvolvimento) e Caricom (Mercado Comum e Comunidade do Caribe). A Alca (Área de Livre-Comércio das Américas), que deve estrear em 2005 como o segundo maior bloco econômico mundial, enfrenta alguns problemas para sua criação: Fica claro que existem duas posições antagônicas envolvendo a Alca: a dos EUA, que ainda enxergam o continente com os olhos da Doutrina Monroe, e a do Brasil, que deseja aumentar seus trunfos. Entre os dois existe uma gama de países que carregam as típicas incertezas latinas. Deve ser muito difícil escolher entre liberalismo e subordinação econômica total e um projeto novo e viável de integração latino-americana. A força faz a união, certo? *Márcio Masatoshi Kondo é professor da Companhia de Ética, do Objetivo de Americana e do Positivo de Capivari
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