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Aspectos físicos são cobrados nos vestibulares
Eder Melgar*
Especial para a Folha de S. Paulo
A preparação para enfrentar os vestibulares de geografia requer dos vestibulandos alguns cuidados especiais, que muitas vezes são deixados de lado. Há entre os alunos uma tendência a acreditar que nas provas vão encontrar apenas questões de geopolítica ou de geografia humana e econômica e, portanto, desprezam o estudo da geografia física.

Essa crença decorre da desinformação e do fato de muitas escolas priorizarem em seus programas de geografia os aspectos políticos e socioeconômicos.

Uma rápida análise das questões de vestibulares dos últimos exames deixará claro que essa atitude trará problemas para os estudantes.

Para exemplificar, tomemos a prova da segunda fase da Fuvest de 2002 na qual, em quatro de dez questões, eram cobrados dos alunos conhecimentos sobre as condições naturais das mais diversas áreas -desde a situação ambiental do litoral densamente povoado de um país de industrialização tardia, passando pelo cerrado brasileiro, até a configuração geográfica do estreito de Gibraltar e pelo relevo do Afeganistão.

Por sinal, a questão sobre o Afeganistão serve de exemplo para que os estudantes definitivamente abandonem essa atitude.

O país não saiu das manchetes desde o dia 11 de setembro, data do atentado em Nova York, e muitos esperavam que nos exames não faltassem questões que cobrassem as mais incríveis relações entre as causas dos ataques, a retaliação americana e suas possíveis conseqüências.

Realmente em alguns vestibulares ocorreram essas questões; no entanto muitos, como a Fuvest, optaram por outro caminho, perguntando, por exemplo, a gênese do relevo do país, suas características e as dificuldades impostas pelas condições naturais para a produção agrícola ou para a ação das forças militares dos EUA.
*Eder Melgar é coordenador de geografia do curso Intergraus
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