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05/01/2009 - 20h08
Vestibular Fuvest: prova de história exigia objetividade e em química pesaram conhecimentos teóricos, dizem professores
Conceição Gama
Em São Paulo
As provas de química e história da segunda fase da Fuvest 2009, aplicadas nesta segunda-feira (5), exploraram conhecimentos complexos dos candidatos, segundo professores de cursinho.
Entre os estudantes ouvidos pelo UOL Vestibular, química estava "trabalhosa". Os primeiros vestibulandos a sair da prova de história consideraram o exame "fácil". O professor de química do Curso e Colégio Objetivo Antonio Mario Salles considerou a prova difícil. "Mas, considerando que era uma prova voltada para biológicas e exatas, ela estava adequada", pondera.
Segundo ele, a prova surpreendeu por não apresentar uma tendência comum em outros vestibulares: "foi uma prova de química pura, sem contextualização das questões", observou. O professor também sublinha o fato de o exame apresentar várias perguntas em uma única questão. "Apenas uma das questões apresentou somente as perguntas 'a' e 'b'. A maioria teve três itens e algumas chegaram a quatro itens, o que fez da prova trabalhosa", criticou. O professor Ian Christani, do cursinho da Poli, foi além. Para ele, a prova estava inadequada. "Para um aluno recém-saído do ensino médio era praticamente impossível responder às questões dentro do tempo determinado. Para o aluno de cursinho, a prova estava um pouco menos difícil, mas ainda assim, muito trabalhosa", avaliou. Já o professor do Anglo, João Usberco, discordou dos colegas. "A prova foi excelente: conceitual, criativa e elegante. O estudante não precisava ter decorado nada; bastava ter conhecimentos de química e usar o raciocínio. Havia poucos cálculos; foi uma prova de química mesmo, não de matemática. Certamente, o exame fez uma seleção justa entre os mais bem preparados", acredita.
A prova de história, diferentemente da de química, não gerou crítica dos professores. Todos foram unânimes em elogiar o exame, que trouxe questões de assuntos como olimpíada e teatro gregos, revoluções cubana e mexicana e criação do Estado de Israel. "A prova foi muito benfeita. Trouxe temas clássicos e não apresentou surpresas", observou o professor do Objetivo, Daily de Matos Oliveira. O educador chamou a atenção para a importância de o aluno se isentar de juízos de valor na hora de responder às questões. "A prova trouxe alguns temas polêmicos, como criação do Estado de Israel e visão dos colonizadores sobre os colonizados. O aluno precisava apresentar uma visão antropológica da questão abordada, a fim de não emitir opiniões e responder às perguntas da maneira mais adequada", lembrou Daily. O professor do cursinho da Poli, Elias Feitosa, concordou. "O vestibulando precisou ser objetivo e não divagar muito nas questões, afinal ele dispunha de um número limitado de linhas para responder". Quanto aos assuntos, o professor elogiou. "A prova trouxe temas tradicionais, como feudalismo e política do café-com-leite, mas também coisas particulares, como o teatro grego, e atualidades, como as revoluções de países da América Latina", comentou. Os professores do Anglo também gostaram da prova da Fuvest. "A prova não apresentou dificuldade, mas exigia conhecimento de toda a programação. Ela foi muito ampla, abrangente e trouxe um nível de dificuldade interessante", opinou o professor Gilberto Marone, de história geral. José Carlos Moura, de história do Brasil, também do Anglo, achou a prova "boa, dentro do padrão habitual da Fuvest". Ele lembrou ainda de uma particularidade do exame: "vale destacar a igualdade do número de questões de história geral e história do Brasil. Em muitos vestibulares, há mais questões de história geral. Mas se pensarmos que o candidato está prestando para uma instituição brasileira, é importante que ele conheça a história do país".
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