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05/01/2006 - 16h22
Cresce a procura pelo curso de enfermagem
Fernanda Calgaro
Da Folha de S. Paulo
"Ver as crianças saírem boas e ter a certeza de que pude ajudar um pouco na sua recuperação é a melhor recompensa do trabalho como enfermeira", resume Vanessa Cristina de Paula Rodrigues, 27, que atua no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

"O mais difícil da profissão é prestar assistência sem se apegar. É inevitável criar algum vínculo com o paciente", pondera.

"Somos a linha de frente", concorda Luciana Reis Guaspelli, 32, que coordena uma equipe de cerca de 300 enfermeiros e técnicos em enfermagem da UTI do Hospital Albert Einstein.

"O enfermeiro é responsável não só pela aplicação da prescrição do medicamento e da higiene do paciente mas também por fornecer assistência e apoio psicológico às famílias do enfermo." Ela cita o caso de um paciente que chegou a ficar dois anos internado na UTI porque dependia de ventilação mecânica.

Para Maria Amélia de Campos Oliveira, professora associada e presidente da Comissão de Graduação da Escola de Enfermagem da USP, a profissão "já não é mais vista como um sacerdócio, necessitando de uma vocação específica". "Vemos a enfermagem como uma prática social, eticamente comprometida com a melhoria da qualidade de vida e saúde das populações", afirma.

Maria Amélia destaca ainda que as competências requeridas para o exercício da profissão são obtidas ao longo do curso de graduação de quatro anos "em um diálogo permanente com os trabalhadores dos serviços de saúde dos campos de prática".

Mais procura
A procura por cursos de enfermagem tem sido crescente e esse aumento pôde ser sentido nos últimos anos. Para se ter uma idéia, a relação candidato/vaga na Fuvest cresceu mais em enfermagem do que em medicina de 2005 para 2006. Para o vestibular deste ano, com 30,06, enfermagem quase encostou na carreira de medicina, que teve 32,86 pessoas disputando uma colocação. No ano anterior, a relação para enfermagem foi de 27,05, enquanto medicina teve 31,07.

Esse crescimento também é percebido ao se analisar um período de dez anos. Em 1996, foram 1.514 candidatos para 180 vagas -80 delas para a USP, 80 para a Unifesp e as 30 restantes para a UFSCar. Para o ano letivo de 2006, a Fuvest irá selecionar candidatos apenas para as 80 vagas da USP. No entanto, o número de pessoas interessadas subiu para 2.421.

Ainda maioria nas salas de aulas, as mulheres têm cedido espaço aos homens, que também têm procurado mais a profissão. "Eles ainda são minoria, acho até pelo fato de a mulher ter o lado maternal, de cuidar mesmo, mas já se pode notar uma mudança", afirma Odete de Oliveira Monteiro, 43, diretora acadêmica do curso de enfermagem da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

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